Este blog está censurado!

A Meritíssima Juíza de Direito da Vara Cível da Comarca de Cícero Dantas, Dra. Denise Vasconcelos Santos, desde o dia 17.10.2011, ordenou a retirada de postagens que "denigram" o prefeito de Heliópolis Walter Rosário, bem como efetuar novas inserções negativas ao nome do alcaide.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Calma! Vai dar tudo certo!

                                        Landisvalth Lima
Acho muito engraçado esse povo que fica fazendo terror com o resultado da eleição. Minha gente, a eleição acabou. Dilma será nossa presidenta pelos próximos quatro anos, doa a quem doer. Agora ficam fazendo terrorismo com os números. Só hoje já desvalorizaram a ex grande empresa brasileira Petrobrás em mais de 11 por cento. Tragédia? Qual nada! Daqui a pouco virão os aumentos de gasolina e tudo volta aos seus eixos. Os investidores querem é grana. E o PT dará grana ao mercado, mas não pagará a conta. Ela será paga pela classe média que votou em Aécio Neves. Falam ainda que a Eletrobrás não resistirá se não houver um aumento substancial da energia elétrica. Calma! Os aumentos virão devagar. Para que este desespero?
Os que votaram em Dilma e querem mudanças começam a usar as redes sociais para exigir uma tomada de atitude por parte da eleita. Este desespero não tem sentido. A própria Dilma já disse que vai sentar e dialogar. Ainda não há um planejamento, uma proposta concreta... Não há nem mesmo um plano de governo... Mas isso não importa! Afinal quando houve? Quando este país sentou para discutir realmente os seus problemas? O campo perfeito seriam os períodos eleitorais, mas nós gostamos mesmo é do xingamento. Quanto mais batemos abaixo da linha da cintura mais o povo gosta. Taí Marina que não me deixa mentir. Não quis entrar no jogo... Perdeu! E vai demorar um bom tempo para recuperar o tempo perdido. Ainda mais se levarmos em conta que agora já temos candidatos para 2018. Se encherem muito o saco dele, vem aí Lula para mudar o que ainda não foi mudado. Ainda assim, tudo dará certo!
Há coisas que precisamos entender e que só uma eleição explica. Olhem o caso de Heliópolis. Cadê a antiga rivalidade entre Pardais e Bem-te-vis? Acabou, finalmente! Essa coisa medieval de ficarem brigando por espaço no poder é ridículo! Viram como todos estavam juntos no apoio a Dilma. Só eu, Ana Dalva, Gama Neves e o vereador Valdelício votamos em Aécio Neves. O pessoal do prefeito e o pessoal do PCdoB deram um exemplo de civilidade. Apoiaram o mesmo candidato a governador, o mesmo candidato a senador e a mesma candidata a presidente. Emplacaram 80 por cento dos votos válidos em ambos os turnos. Harmonia igual a esta eu só vi na época de ACM. Voltamos aos velhos tempos! E ainda vem gente me dizer que não temos futuro? O futuro já chegou!
Tem gente que acha que a corrupção no Brasil vai aumentar com a reeleição do PT. Não é bem assim, gente! A própria presidente eleita já disse que vai combatê-la. Sei que tem gente que acha que ela não vai lutar contra os próprios companheiros, mas é bom lembrar que já há petistas presos mesmo antes de Dilma dizer que combateria a corrupção! Eles é que devem se preocupar porque todos sabemos que o que não falta em Dilma é determinação. E ela não vai colocar o nome dela na lama para salvar companheiros ou aliados. Para salvar a própria história política Dilma terá que se proteger. Uma clara demonstração é a oposição que o PT faz à Rede Globo. A presidenta reeleita sabe o poder da mídia e, inclusive, no momento da escritura deste artigo, está dando entrevista ao Jornal Nacional.
Apesar de ter sido uma eleição imunda, mentirosa, constrangedora, onde o que menos se discutiram foram as necessidades do país, é preciso calma com o pessimismo. É que o resultado foi tão próximo que acabou dando força a quem perdeu. Se unirmos os derrotados com os brancos e nulos, Dilma já perdeu! Ela sabe que foi eleita pela minoria e que precisa dialogar. E olhem que eu não estou incluindo os 21% de ausentes. O que estou querendo dizer é que Dilma não vai jogar fora um patrimônio eleitoral numa briguinha de candidato municipal. Até mesmo Aécio Neves sabe que o melhor é apostar no futuro. Ele próprio ligou para a oponente e desejou que ela fizesse um bom governo. Agora ele é um senador de mais de 51 milhões de votos. Não pode arriscar isso no comportamento irresponsável do quanto pior melhor!
De modo que não acho que regredimos. Poderíamos estar melhor com Marina Silva. Caminharíamos para uma modernidade necessária. Ocorre que o povo demora para perceber as coisas, fruto da falta de educação. É preciso sentir na pele para poder saber que precisamos mudar. Aposto que, nos próximos meses, muitos estarão pelos cantos xingando Dilma por ter aumentado a gasolina ou a energia. Isto será refletido nas pesquisas e ela vai ajustar as coisas para não sucumbir. Além disso, o PT quer Lula em 2018 e deve corrigir os rumos para que o ódio ao partido diminua. Vai querer, principalmente, tentar tirar do partido a marca deletéria da corrupção, caso queira realmente continuar no poder.
Portanto, parem de pensar no pior! Nenhum país tem mais aptidão para o sucesso que o Brasil, mesmo na adversidade. Nós seremos grandes mesmo que muita gente aqui faça tudo ao contrário. Qual país destruiu uma cidade só para convencer o povo de que havia gente contra a República? Qual país derrotou Rui Barbosa em quatro oportunidades para a presidência da república e hoje prega exatamente o que o baiano pregava? Qual país apoiou o regime ditatorial e, tempos depois, foi capaz de derrotar a própria ditadura com a pregação do voto livre e democrático? Nós somos incoerentes num primeiro momento e, depois, caímos na real. Tudo aqui começa pelo contrário! Vai dar tudo certo. Sou um otimista incurável!

Socialite xinga brasileiros em vídeo

Deborah Albuquerque Chlaem publicou mensagem no Facebook, inconformada com o resultado das eleições presidenciais na noite do domingo (26). Deborah Albuquerque Chlaem publicou um vídeo em seu perfil pessoal no Facebook em que critica as pessoas que votaram na candidata do PT, Dilma Roussef. " (...) me preparando para viajar para Orlando, onde mora o meu pai. Eu sou rica, bem sucedida, muito bem de vida.  e tentei ajudar vc, miseráveis,  imbecis, burros. Vocês são muito burros. Vão depender de bolsa miséria para o resto da vida. Vocês vão continuar na m.... Vocês são burros! Estragaram o Brasil", diz a moça no vídeo. O desespero já tem o registro de mais de um milhão de visitas no Facebook e mostra quão está dividido o país, revelando que a presidenta Dilma Rousseff terá um grande trabalho para reunificar o Brasil no seu segundo mandato. (Informações do portal Ibahia.com)

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Dilma e Lula sabiam de tudo, diz Alberto Youssef à PF

Em depoimento prestado na última terça-feira, o doleiro que atuava como banco clandestino do petrolão implica a presidente e seu antecessor no esquema de corrupção
Robson Bonin – do portal da revista Veja
Na última terça-feira, o doleiro Alberto Youssef entrou na sala de interrogatórios da Polícia Federal em Curitiba para prestar mais um depoimento em seu processo de delação premiada. Como faz desde o dia 29 de setembro, sentou-se ao lado de seu advogado, pôs os braços sobre a mesa, olhou para a câmera posicionada à sua frente e se colocou à disposição das autoridades para contar tudo o que fez, viu e ouviu enquanto comandou um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar 10 bilhões de reais. A temporada na cadeia produziu mudanças profundas em Youssef. Encarcerado desde março, o doleiro está bem mais magro, tem o rosto pálido, o cabelo raspado e não cultiva mais a barba. O estado de espírito também é outro. Antes afeito às sombras e ao silêncio, Youssef mostra desassombro para denunciar, apontar e distribuir responsabilidades na camarilha que assaltou durante quase uma década os cofres da Petrobras. Com a autoridade de quem atuava como o banco clandestino do esquema, ele adicionou novos personagens à trama criminosa, que agora atinge o topo da República. Perguntado sobre o nível de comprometimento de autoridades no esquema de corrupção na Petrobras, o doleiro foi taxativo:
— O Planalto sabia de tudo!
— Mas quem no Planalto?, perguntou o delegado.
— Lula e Dilma, respondeu o doleiro.
Conheça, nesta edição de VEJA, os detalhes do depoimento que Alberto Youssef prestou às autoridades.

Enquanto isso.....

Jacques Wagner diz que corrupção não produz mais efeito
Conselheiro da campanha de Dilma Rousseff, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), afirmou nesta sexta-feira (24) que a discussão sobre corrupção se mostrou pouco eficaz neste momento da campanha presidencial, sem exercer influência na decisão de voto dos eleitores indecisos.
"O debate com troca de acusações ou sobre corrupção não produz mais efeito", disse Wagner, que se juntou à equipe que assessora a presidente para o último confronto com o tucano Aécio Neves, antes da eleição.
A edição da revista "Veja" deste fim de semana informou que o doleiro Alberto Yousseff, preso desde março em Curitiba (PR), disse em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula tinham conhecimento do esquema de desvio de dinheiro na Petrobras. Wagner classificou o conteúdo da reportagem da Veja como uma "denúncia inconsistente" que se assemelha à "propaganda de campanha política". (UOL)
Infere-se da fala do governador que o político que meter a mão no erário público não será punido pelo eleitor. É lamentável um agente público pensar desta maneira.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Governo do PT esconde dados negativos para não prejudicar Dilma

Com disputa acirrada, brasileiros chegarão às urnas sem saber resultado da arrecadação e desempenho de alunos em português e matemática.
A verdade prejudicaria Dilma?
Que a administração de Dilma é um desastre, comparando-a com a de Lula, de FHC e Itamar Franco, todo mundo já sabe. Só não vê quem não quer. Agora, esconder a publicação de dados importantes na véspera da eleição é um casuísmo inaceitável numa democracia. Fato é que, segundo o Estadão, a revista Veja e a ISTOÉ, o governo federal adia a divulgação de indicadores sobre economia e educação pelo temor de que números negativos possam prejudicar a campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT). Em meio à acirrada disputa presidencial, os brasileiros chegarão às urnas no próximo domingo, portanto, sem conhecer o resultado da arrecadação de impostos e contribuições federais em setembro e da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN). Reportagem do jornal Folha de S. Paulo relata nesta quinta-feira que o desempenho dos alunos da educação básica em provas de português e matemática também será um mistério até 26 de outubro.
Na semana passada, uma decisão inédita tomada pela direção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de proibir a publicação de estudos realizados pelos pesquisadores envolvendo dados públicos divulgados entre julho e o fim das eleições presidenciais, deu origem a mais uma crise interna. O diretor de estudos e políticas sociais do Ipea, Herton Araújo, colocou seu cargo à disposição por discordar da definição da cúpula do Instituto e pediu sua exoneração. Não se trata do primeiro estudo preso nas gavetas do Ipea. O site de VEJA revelou, em setembro, que o Instituto havia engavetado outro levantamento, desta vez, feito com base nos dados das declarações de Imposto de Renda de brasileiros, e que mostrava que a concentração de renda havia aumentado no Brasil entre 2006 e 2012. A tese, curiosamente, contraria o discurso recorrente dos governos petistas.
Depois de atrasar a divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) relativos a 2013 no primeiro turno, o governo federal acabou por liberar o resultado do indicador – que mede a qualidade do ensino nos ciclos fundamental (1º a 9º ano) e médio de escolas públicas e privadas de todo o Brasil – sem detalhar o resultado dos alunos em cada âmbito, relata a Folha. Logo, não é possível saber qual o desempenho dos estudantes em português e matemática. Os dados conhecidos revelam que há estagnação nas duas etapas. Nos anos finais do fundamental e no médio, todos os indicadores gerais ficaram abaixo das metas previstas: isso inclui as médias nacional e das redes públicas (estaduais e municipais) e privadas. A exceção foi registrada nos anos iniciais do ensino fundamental, em que a única constatação negativa ficou na rede privada, que não atingiu a meta estabelecida.
Embora rejeite relação com a eleição, o governo ajustou o calendário de divulgação de dados econômicos de setembro para depois da votação. Ninguém quer repetir o chamado "efeito ovo". O episódio foi provocado pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, ao recomendar a troca de carne bovina por ovos ou frango por causa da inflação. A declaração foi usada na TV pelo candidato Aécio Neves (PSDB). Em resposta, Dilma teve de desautorizar publicamente o secretário.
A previsão é de que os dados sobre arrecadação, que não devem vir favoráveis, sejam divulgados na próxima quarta-feira, dia 29. Os números são tradicionalmente divulgados mais cedo, mas, mesmo assim, a Receita nega que a decisão tenha relação com a realização do segundo turno no próximo domingo. No ano passado, a divulgação dos dados ocorreu no dia 22 de outubro. Este ano, o anúncio ficou para os últimos dias do mês apenas em abril. Vale lembrar que na próxima terça-feira não deve haver expediente no Ministério da Fazenda por causa do feriado do Dia do Servidor Público. A divulgação dos dados da dívida pública federal será na segunda. A reunião do CMN foi adiada do dia 23, segundo constava no site do Banco Central, para o dia 30. A assessoria do BC informou que a data original foi escolhida, em princípio, para evitar proximidade com a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para terça e quarta. A mudança teria sido ocasionada por questões de agenda.
O resultado desfavorável da arrecadação nos últimos meses tem dificultado o fechamento das contas do governo. A Receita esperava, no início do ano, um crescimento real de 3% em relação a 2013. Mas já reduziu a 1%, mesmo com o reforço de receitas extras, como o Refis. Em razão disso, as contas públicas devem registrar novo déficit primário em setembro. Técnicos do governo afirmam que "está uma paradeira geral" na área econômica nesta semana. Há decisões importantes que precisam ser tomadas até o fim do ano. A principal é a estratégia para a política fiscal. Com a piora das contas públicas em setembro, cujo anúncio ficou para a próxima semana, o governo terá de decidir se mudará a meta de superávit primário fixada para 2014 na Lei de Diretrizes Orçamentárias. Uma fonte disse ao jornal O Estado de S. Paulo que a discussão está parada à espera do resultado das eleições.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Meu Deus! Quanto tempo perdido!

                                                                 Landisvalth Lima
Agora muito pouco importa quem vencerá a eleição no próximo domingo. Caso vença Dilma, tudo será o mais do mesmo como sempre se fez ao longo da história deste país. Um ano somente será gasto para cobrir o rombo, não o da Petrobrás, mas o da eleição. Como o modelo está esgotado, o PMDB, PP, PCdoB, PT, PSD e outros, aos poucos, mandarão a fatura e nós pagaremos de bom grado. Afinal, foram tirados 22 milhões de famintos da linha da pobreza, mandamos o FMI para as cucuias, temos milhões de universitários promovidos por Fies, Prouni, estamos trabalhando como nunca com carteira assinada, a moçada está estudando no Pronatec e blá, blá, blá, blá! Uma maravilha! O preço? Uma Petrobrás, uma Eletrobrás, inúmeros escândalos de corrupção, mentira, incompetência, caos na saúde, baixa qualidade na educação, violência metralhando os nossos jovens carcomidos pelas drogas. Será a vitória do apelo de Chico Buarque numa época em que Robissão faz sucesso.
Vencendo Aécio Neves, também pararemos um ano para a desconstrução de todo o esquema petista de governar. Demorará para termos um novo governo e só nos restará esperar que o eleito não cometa erros e nos surpreenda com uma administração moderna e eficiente, confirmando a tese de Marina Silva de que a alternância de poder fará bem ao Brasil. É isso um dos pontos que me moverá até a urna para digitar o 45, sem medo. Sei que não tenho nenhuma garantia de uma futura eficiência de um governo de Aécio. Estou pautado apenas na esperança do cumprimento de suas promessas. E não me venham com a desculpa esfarrapada de que o PT fez e que, por isso, merece nova oportunidade. Nada justifica a corrupção. Se todos os problemas do país fossem resolvidos, mesmo assim, não justificariam o Mensalão, Pasadena, o rombo da Eletrobrás e outros. O PT foi ao governo para acabar com a política do toma-lá-dá-cá e hoje usa isso para dizer que melhorou a vida do povo, enterrando-se até o pescoço na lama espúria e fétida da corrupção.
Mas sinto que perdemos um longo tempo. Não vejo nada para os próximos quatro anos que me alegre, nem mesmo com a vitória de Aécio ou com a vitória de Dilma e uma inesperada tomada de atitude em direção à ética. Por quê? Porque ainda não aprendemos a usar o debate para entender o que está ocorrendo com o Brasil. Há horas que me sinto um idiota quando vejo 56 mil pessoas sendo assassinadas e não há nenhuma discussão concreta em prol de um plano para sanar o problema. Igor Rousseff e a irmã de Aécio tiveram mais espaço nos debates que a nossa malfadada insegurança pública! E me perdoem chamar isso de debate. Mas também eu estou querendo muito num país que dá 700 mil votos a Maluf, fichado em tudo quanto é polícia investigativa. Somos a sétima economia com mentalidade quintomundista! O descumprimento do piso nacional dos professores perdeu espaço para uma discussão inócua envolvendo Gays, Lésbicas, LGBT e outros. Está lá na Constituição que todos são iguais perante a Lei. Não precisamos criminalizar a homofobia! E o que temos a ver se alguém resolveu queimar sua rodinha ou seu cartucho? Pregar contra gays, defender união entre seres do mesmo sexo, defender o uso da Bíblia e outros elegem! Dá voto! Pregar contra a corrupção, apresentar projetos para a melhoria da educação, da saúde, da segurança pública são coisas chatas e contribuem com a sua derrota!
Estamos perdidos no tempo e não sabemos para onde ir. Porque se alguém vota para preservar seu bolsa-família a gente até entende. Mas ver um professor votar e defender um Nelson Pelegrino ou Daniel Almeida, depois do que eles fizeram com a classe naquela greve de 115 dias, é decepcionante. Os mesmos professores votaram com orgulho no futuro governador, o segundo principal responsável pelo impasse da greve, já que o primeiro foi o atual governador. E isso sem nenhuma garantia ou discussão para a reposição dos percentuais legais que não foram acrescidos aos salários. Perdemos mais uma vez. Foram quatro anos jogados na lata do lixo. Nos próximos quatro seremos engolidos pelo peleguismo! Não temos mais armas para lutar. Era a eleição o nosso palanque. Usaríamos o debate para garantir melhorias nas inúmeras áreas problemáticas. Fraquejamos por pieguismo, preguiça, arrogância, teimosia, incapacidade de olhar para o futuro, ação de fechar os olhos e não ver o mal maior, efetivo, cancerígeno e assombrador: a corrupção! Tínhamos gente nova para elegermos! Ideias novas! O que fizemos? Elegemos o congresso mais conservador das últimas décadas! Tínhamos Marina Silva e a demonizamos! Voltamos ao velho round PT X PSDB. E não sei se rio ou se choro quando vejo babacas comparando Aécio com o governo FHC e sem conseguir separar o governo Dilma do governo Lula. E ainda intelectuais dividindo o país em pobres e ricos, criando dicotomias piegas como a Mãe dos pobres X Filhinho de papai. Meu Deus! Quanto tempo perdido!
Vou para a urna envergonhado, sem esperança e à espera de um milagre!

domingo, 19 de outubro de 2014

A mentira como arma

                                   Izabelle Torres – da revista ISTOÉ
Aécio e Dilma frente a frente em debate
Os dois candidatos fazem ataques e denúncias e usam dados que o adversário tenta desmentir. Mas levantamento de ISTOÉ mostra que, na tática de distorcer dados, a campanha de Dilma tem ultrapassado todos os limites
Poucas vezes na história se viu uma campanha eleitoral tão agressiva e repleta de disputas de números distorcidos, acusações e um festival de mentiras. A competição entre os candidatos Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) acirrou ainda mais o clima de animosidade dentro das campanhas. O tratamento entre os candidatos nas aparições públicas, especialmente nos debates, deixa claro que a mais aguerrida eleição presidencial transformou os adversários políticos em inimigos ferrenhos. Como aconteceu no primeiro turno, quando o PT investiu na desconstrução da candidata Marina Silva (PSB), o alvo agora é Aécio. Em vez de apresentar projetos para tirar o País da estagnação, Dilma optou por um gesto de desespero para virar o jogo e adota a estratégia da desconstrução do adversário, mesmo que o custo disso seja a divulgação de dados imprecisos e inverídicos. A disputa fica mais acirrada porque as estruturas de campanha cresceram absurdamente, estão mais profissionais e, a cada ano, mais caras. As guerrilhas virtuais contratadas para alimentar notícias, boatos e até calúnias loteiam as redes sociais com o tom da guerra em andamento. Para esclarecer aos eleitores o que há de verdade nos ataques trocados entre os candidatos, ISTOÉ se debruçou nos dados oficiais e em estudos sobre alguns dos temas mais recorrentes nessa disputa. O resultado (ver quadro) é um retrato evidente de que a candidata Dilma Rousseff tem se valido muito mais de informações falsas para acusar seu adversário do que o contrário.
Em alguns casos, a adulteração dos fatos de maneira fraudulenta deixa clara a intenção de ludibriar o eleitor. Um vídeo distribuído amiúde pelos petistas é uma prova do estratagema matreiro adotado pela campanha do PT. Na gravação, Aécio Neves aparece votando contra o projeto de valorização do salário mínimo em 2011, na sessão do Senado de 23 de fevereiro daquele ano. O vídeo distribuído nas redes sociais sofreu uma edição, com cortes dos minutos que antecedem a votação. A versão completa conta com o discurso do então líder do PSDB, Álvaro Dias (PR), e do próprio Aécio Neves, explicando que os tucanos votariam contra a proposta porque o texto estabelecia salário de R$ 545 e eles defendiam um reajuste para R$ 600, um valor maior do que a proposta governista. A oposição foi derrotada por 55 x 17 e o salário fixado foi o valor desejado pelo governo. No debate da quinta-feira 16, Aécio fez referência ao vídeo para ilustrar a campanha de mentiras que ele acusa o PT de fazer. 
O debate foi o resumo da guerra travada entre os candidatos. Em vez da disputa de propostas e ideias, o encontro entre os dois envolveu denúncias de nepotismo, corrupção e, também, calúnias. Os presidenciáveis acusaram várias vezes o oponente de mentir. Apesar do tiroteio mútuo, na reta final da campanha, a estrutura de marketing do PT é inegavelmente quem mais investe pesado para desconstruir o adversário e despertar na sociedade um sentimento de medo de futuros tempos difíceis, com inflação descontrolada e desemprego em alta. Dilma afirma, por exemplo, que os governos do PSDB nunca investiram em programas sociais e não priorizaram os pobres, como faz o PT, que tirou 32 milhões de pessoas da pobreza e criou um mercado de consumo de massa. Na verdade, o governo Fernando Henrique Cardoso criou pelo menos 12 programas de transferência de renda. Em 2001, o governo gastou cerca de R$ 1,8 bilhão com os programas Bolsa Alimentação, Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), Bolsa Escola e Brasil Jovem. No ano seguinte, com a implantação do Vale Gás, o gasto foi a R$ 3,5 bilhões. Isso sem contar que o Bolsa Família, carro-chefe da política social do PT, é resultado da fusão e ampliação de todos os programas que já existiam desde os governos do PSDB. A campanha petista, com grande contribuição da presidenta Dilma Rousseff, também investe pesado para reduzir a credibilidade do economista Armínio Fraga, anunciado pelo candidato tucano como futuro ministro da Fazenda, caso ele seja eleito. No discurso eleitoral, Dilma insiste em que a escolha feita por Aécio representa o sinal de que, para controlar a inflação, serão feitos cortes que custarão os empregos dos brasileiros. Os ataques feitos a Fraga são dissonantes do que diziam os petistas em 2002 e 2003, quando herdaram a política econômica do governo tucano. Na época, Lula disse que o então presidente do BC era “competente”. Em seu livro, “Sobre Formigas e Cigarras”, o ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma, Antonio Palocci, reconhece que o PT até cogitou manter Armínio por alguns meses à frente do Banco Central, quando o partido ascendeu ao poder. 
(Dê um clique nas fotos para ampliá-las)

sábado, 18 de outubro de 2014

Depois de enterrado Zé Augusto, novo assassinato ocorre em Poço Verde

O sepultamento de Zé Augusto foi concorrido (foto: TV Atalaia)
O corpo do ex-presidiário José Augusto Aurelino Batista, 41 anos, conhecido por Augusto de Lerindo ou simplesmente Zé Augusto, passou por uma nova necropsia no Instituto Médico Legal (IML). O corpo foi encaminhado na tarde da última quinta-feira (16) pela Polícia Federal, que chegou no meio do velório de José Augusto, na cidade de Poço Verde. A perícia durou quase três horas e teve por objetivo identificar se realmente houve disparos de dentro da casa onde ele foi morto. Apenas a mulher de José Augusto pode acompanhar os trabalhos. “Agora a justiça vai ser feita. Estou com meu coração aliviado”, disse a viúva. 
De acordo com o advogado da família, Getúlio Sávio Sobral, o novo exame foi pedido pelo Ministério Público, após o depoimento da viúva Simone Correia, que sinalizou uma possível execução. “A partir desse depoimento, o MP solicitou ao Ministério da Justiça que deslocasse uma equipe da Polícia Federal para intervir no caso”, declarou o advogado. A necropsia, segundo Getúlio Sávio, foi realizada por peritos da Polícia Federal de Brasília, e as investigações estão sendo comandadas por um delegado federal da Divisão de Direitos Humanos. Também será realizada uma perícia na residência de José Augusto, que deverá atestar se realmente houve disparos de dentro da casa. Os laudos devem ficar prontos na próxima semana.
Todo o procedimento pericial foi concluído por volta de 14h30 desta sexta-feira (17), pela Polícia Federal na residência do ex-presidiário, morto durante cumprimento de mandado de prisão no município de Poço Verde, na última quarta-feira (15). Ao fim da nova necropsia, o corpo foi levado para a cidade de Poço Verde e no final da tarde foi sepultado. Uma multidão seguiu o cortejo até o cemitério São Sebastião. A SSP declarou que não vai se manifestar sobre os trabalhos de investigações da Polícia Federal.
Na última quarta-feira (15) a superintendente da Polícia Civil, Katarina Feitosa, declarou durante uma coletiva de imprensa sobre a morte de Zé Augusto, que a ação policial foi legítima e que a intenção da Polícia Civil era mais uma vez prendê-lo, como fez outras duas vezes. Ainda segundo Katarina Feitosa, José Augusto portava uma pistola ponto 40 de uso restrito das forças policiais, chegou a ser socorrido e não resistiu. A superintendente também declarou durante a coletiva que ele era bandido, foragido da justiça, suspeito de mais de 20 homicídios em Sergipe e Bahia. “Inclusive publicamente ele havia dito que a polícia não entraria na casa dele se ele estivesse em casa. Ele ameaçava o Ministério Público e o judiciário do Estado”, afirmou Katarina que ressaltou.  “A nossa intenção era prendê-lo, se não tivesse reagido ele estaria preso. Mas qualquer tipo de irregularidade será investigado, a princípio a ação foi legítima, temos que lembrar que o bandido ali era ele e não a polícia”, concluiu.
Acabou a tranquilidade
Vários são os moradores que defendiam a ação de Zé Augusto. Senhoras chegam a declarar em emissoras de rádio que “Ele matava os bandidos. Era um homem bom”. São pessoas que ou não tem noção da gravidade do que afirmam ou estão cansadas da ausência do estado que ainda não tem um plano de segurança pública. Poço Verde, após os fatos, está tomada por policiais e, mesmo assim, não impediu a ocorrência de mais um assassinato. Um homem foi morto na madrugada deste sábado (18) após ser vítima de arma de fogo no município. O Instituto Médico Legal (IML) registrou o corpo de Valdomiro Silva Santos, de 41 anos de idade. Segundo informações do 7º Batalhão de Polícia Militar (7º BPM), ele foi abordado por dois homens em uma motocicleta, que efetuaram vários disparos contra a vítima. Para completar o terror, pessoas usam as redes sociais para disseminar a ideia de que a violência grassa. Várias fotos de pessoas assassinadas em outras épocas circulam na Internet ajudando a aumentar a sensação de insegurança.
Mais de vinte assassinatos
José Augusto foi morto depois de mandar para o outro mundo mais de vinte jovens infratores. Não há um número exato de quantos foram eliminados por ele. Concretamente só havia o processo do assassinato do garoto retirado da ambulância em São José. As pessoas não falam, mas correm a boca miúda que havia uma vaquinha e que os valores eram de 2 ou 3 mil reais por morte. Chegam a falar em 26 a 2 mil e 14 a 3 mil que povoavam a lista da morte. Os crimes ocorriam em Heliópolis, Tobias Barreto, Poço Verde, Fátima e até em São Paulo. Mas tudo é especulação. Fato é que Augusto de Lerindo estava ganhando fama e tinha pretensões políticas. Ter dado mais votos a um deputado estadual que o prefeito permitiu a ele até sonhar com a prefeitura. Já havia pessoas que diziam que ele seria candidato a prefeito já em 2016. Na história do Brasil os fatos indicam que quando os prejudicados são os pobres parece que a coisa anda. Entretanto, não é permitido invadir o terreno dos poderosos. Fato é que Zé Augusto tinha costas quentes e os fatos serão esclarecidos. É pena que os assassinados não tenham tido o mesmo tratamento, apesar de ainda não existir pena de morte no Brasil.
Com informações da SSP, do portal Infonet e do portal A8 do Sistema Atalaia de Comunicação.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Luiz Eduardo Soares: Conversa de segundo turno

                           Publicado originalmente na Folha de São Paulo
Luiz Eduardo Soares (foto: luizeduardosoares.com)
Tenho amigos e interlocutores no PT. Os amigos respeitam e calam. Os outros me pedem calma. Acham que estou reagindo com o fígado, por mágoa. Digo a eles que não é mágoa, é indignação. Balançam a cabeça, condescendentes. Ainda têm esperança em minha conversão. Cada voto vale a paciência dos militantes.
Sei que essa indulgência com minha rebeldia tem prazo de validade. Assim que desistirem, empurram-me ao inferno sem piedade.
Quando digo que Marina Silva foi caluniada da forma mais torpe pelo PT, atribuem a selvageria ao marqueteiro. Se reajo cobrando responsabilidades, transferem-na à natureza aguerrida da eleição. Quando afirmo que o governo federal endossou a repressão criminosa aos protestos, vacilam, mas apontam para o futuro: o segundo mandato será melhor.
Se questiono o otimismo, lembrando a proposta da candidata de que as Forças Armadas participarão dos comandos locais da segurança, hesitam, mas justificam: isso é retórica eleitoral, o que vale é a prática. Quando digo que a prática tem sido lamentável, voltam a acenar com um futuro diferente.
Ao afirmar que a desigualdade parou de diminuir, respondem com a crise internacional e a estabilização do emprego. Contestam e dizem que estou hipnotizado pelo discurso terrorista da mídia se digo que o pleno emprego cederá ante a estagflação. Se acuso a regressão na área ambiental, mudam de assunto.
Se aponto a cumplicidade com ameaças a indígenas e seus territórios, atribuem os recuos à garantia da governabilidade. Quando falo da manutenção dos velhos métodos políticos, dizem que a presidente tentou estimular uma reforma política, mas que não dependia dela e, afinal, esse é o custo do poder.
Quando pergunto para que o poder se nada avança, respondem com o futuro de conquistas sociais extraordinárias. Se falo da corrupção na Petrobras, dizem que herdaram a peste dos governos anteriores. Se lembro que já são 12 anos de PT, atribuem o escândalo a maquinações para desmoralizar a empresa e fazê-la presa fácil para a privatização.
Quando cito outras instâncias de poder aparelhadas e sublinho o dano causado aos movimentos sociais pela cooptação, respondem com hostilidade, afirmando que meu olhar está viciado pelo ingênuo encantamento com as manifestações de 2013.
Quando, finalmente, afirmo que o governo Dilma foi medíocre, mostram-se dispostos a aceitar, mas questionam qual poderia ser a alternativa. Digo-lhes, então, para seu desgosto: haveria algo mais conservador e medíocre do que defender a mediocridade conservadora?
Resta-lhes a bala de prata: o medo. A oposição arruinará os programas sociais e aprofundará as desigualdades. Pondero: e se o compromisso de manter os programas for para valer? Duvidam: a política econômica neoliberal os destruirá.
Argumento, lembrando que Lula governou com o tripé neoliberal e com Henrique Meirelles no Banco Central. E, assim, arrumou a casa para investir nos programas sociais. Mas Lula é Lula, proclamam. Minha capacidade de acompanhar o raciocínio de meus interlocutores esgota-se nesse ponto, coincidindo com o limite da tolerância que eles se esforçam por estender.
Percebendo que o voto está perdido, confessam o diagnóstico letal: você não passa de um neoliberal.

LUIZ EDUARDO SOARES, 60, cientista político e antropólogo. É autor de "Elite da Tropa" (Objetiva) e de "Tudo ou Nada" (Nova Fronteira). Foi secretário nacional de Segurança Pública (governo Lula).

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Zé Augusto é morto em confronto com a polícia

Segundo a SSP de Sergipe, acusado era fugitivo e teria reagido à prisão. Zé Augusto, ou Augusto de Lerindo, era tido como o pistoleiro que promoveu extermínio de infratores em Poço Verde, Heliópolis e Tobias Barreto.
José Augusto foi morto em ação da Polícia Civil de Sergipe
Uma ação desencadeada pela polícia civil para cumprimento de mandado judicial culminou com a morte de José Augusto Aurelino Batista, o Zé Augusto, e deixou sua esposa ferida. A ocorrência foi registrada no início da manhã desta quarta-feira, 15, dentro da residência do morto, na cidade de Poço Verde. Zé Augusto foi preso no ano passado no município de Paragominas, no Estado do Pará, acusado de integrar um suposto grupo de extermínio que teria forte atuação na região de Poço Verde, esquema denunciado pela deputada Ana Lúcia Menezes na Assembleia Legislativa de Sergipe.
Quando ainda preso, a desembargadora Maria Aparecida Gama, plantonista no Tribunal de Justiça de Sergipe, opinou pela liberdade de José Augusto Aurelino Batista, 40, acusado pelo assassinato do adolescente Jeferson Nascimento Santana, 16, dentro de uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) próximo ao povoado São José, na estrada que liga os municípios de Poço Verde e Simão Dias. Na ocasião, a desembargadora atendeu pedido da defesa feito em habeas corpus impetrado pelo advogado Getúlio Sávio Sobral Neto. No remédio jurídico, o advogado sustenta que, durante a instrução do processo, não se colheu provas que vincule o acusado ao crime. Ao observar o habeas corpus, a desembargadora acolheu os argumentos da defesa, deixando claro “não há elementos que apontem os indícios de autoria e materialidade delitivas” no processo judicial. Em novembro de 2013, o Tribunal de Justiça manteve a prisão do réu. Mas o advogado, à época, garantiu que seria vitorioso no momento em que o habeas corpus fosse julgado devido à ausência de provas.
O rumor da existência de um grupo de extermínio, inclusive denunciado pelo Landisvalth Blog, fez a deputada Ana Lúcia (PT) levar à Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe no mês de abril do ano passado. Ana Lúcia Menezes (PT) é presidente da Comissão de Direitos Humanos daquela casa legislativa. O delegado Éverton Santos, da Coordenadoria de Polícia Civil do Interior (Copci), garantiu que a situação na região estava controlada e a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) não viu necessidade do envio de tropas federais para o município de Poço Verde para proteger a população do suposto grupo de extermínio denunciado
Enquanto Zé Augusto estava preso, o delegado Éverton Santos pediu a renovação da prisão preventiva do principal suspeito de chefiar o grupo de extermínio, localizado e preso em Paragominas, no Estado do Pará, no mês de abril do ano passado, dias depois da denúncia feita pela parlamentar.  Zé Augusto não falava sobre o assunto, mas, após soltura, era comum conversas dele com populares informando que estava eliminando vagabundo para proteger os pais de famílias dos trabalhadores. Zé Augusto passou a ter popularidade e muitos defensores. Alguns chegavam a dizer que Poço Verde estava em paz graças a ele. Hoje mesmo, no Facebook, há manifestações de pesar de admiradores. Muitos chegam a afirmar que acabou a paz na região e que os malandros vão voltar a praticar roubos. Não é sem razão que o candidato a deputado estadual apoiado por Augusto de Lerindo, como era também conhecido, teve mais votos que o candidato a deputado estadual do prefeito. Gustinho Ribeiro, candidato a deputado estadual, tinha cartazes espalhados por Poço Verde com uma mensagem: Apoio: Augusto de Lerindo.
Corpo de Zé Augusto sendo recolhido por policiais
Apesar de oficialmente não haver nenhuma comprovação tácita, o delegado Éverton Santos não tinha dúvida de que José Augusto chefiava o grupo de extermínio, mas ainda não identificou quem financiava a ação do grupo. “Há provas suficientes que ele chefiava o grupo, mas falta identificar quem financiava e quem agia com ele para cometer os homicídios”, observa o delegado.
De acordo com informações da assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública, José Augusto é considerado foragido da justiça e a equipe da SSP vinha realizando diligência desde a semana passada para prendê-lo, em cumprimento a mandado judicial expedido contra José Augusto, acusado de envolvimento no assassinato do adolescente Jeferson Nascimento Santana, 16, crime ocorrido no dia 15 de novembro de 2012, dentro de uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A assessoria informou que, ao receber a voz de prisão na manhã desta quarta-feira, 15, José Augusto teria reagido com tiros disparados contra os agentes que participavam da operação. A assessoria informa que o acusado estaria portando uma pistola TT 100 ponto 40, de uso restrito das forças policiais. A arma foi apreendida, segundo a SSP, com munição deflagrada e que estaria com a numeração raspada. Estranho é saber que ele era considerado foragido, mas circulava em Poço Verde normalmente e ainda participou ativamente da campanha política em apoio ao deputado estadual eleito Gustinho Ribeiro.
Mas, entre a família do acusado, o sentimento é que houve crime de execução praticado pela polícia. A esposa do acusado, Simone Correia, está em estado de choque. Aos prantos, ela contou ao Portal Infonet que os policiais teriam chegado à residência já atirando. “Eu fui abraçar ele para ajudar, mas recebi um tiro na mão”, contou Simone, sem controlar os soluços.
 O suposto grupo de extermínio liderado por Zé Augusto utilizava duas listas para praticar os homicídios em Poço Verde. A maioria dos integrantes da lista era jovens infratores que tinham envolvimento com tráfico de drogas ou passagem pela polícia por roubos e furtos. O lema do grupo de extermínio era “Ladrão e traficante vai rodar se ficar em Poço Verde”. Mas a ação chegou a municípios da Bahia, como Heliópolis, e ainda Tobias Barreto, em Sergipe. A lista dos marcados para morrer tinha mais de 20 nomes. Segundo a superintende da Polícia Civil, Katarina Feitosa, a lista era sempre atualizada. “A maioria das vítimas eram adolescentes infratores e esta lista era sempre atualizada.”, afirmou.

Com informações de Cássia Santana, do portal Infonet.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

O chilique chantagista do PT

                Por Alex Antunes - do blog do autor no Yahoo Notícias.
Alex Antunes
O psiquismo petista, nos últimos dias, entrou em um estado de alucinação coletiva. É difícil entender, de um ponto de vista de esquerda, que tipo de “estratégia” poderia levar a escolhas políticas e de comunicação tão erradas, numa véspera de eleição tão delicada.
A ideia de que vivemos num país cindido de cima a baixo (ou, mais exatamente, na linha de fronteira entre o Espírito Santo e a Bahia) sempre foi alimentada pela direita alarmista. É a direita que gosta de teses bisonhas como a da preparação de um “golpe comunista” (exatamente por um governo refém do crescimento do consumo, como o de Dilma?).
A eleição de Lula, e sua melhor fase no governo, baseou-se exatamente no sentimento contrário. Foi o cacife popular (e populista) de Lula que permitiu estabilizar a economia com ferramentas da ortodoxia de mercado, e iniciar uma distribuição de renda. Lula sim é que executou uma frase famosa dita pelo então ministro Delfim Netto durante a ditadura, “é preciso que o bolo cresça para depois dividi-lo”.
Confrontada com a “ameaça” das eleições, Dilma perdeu completamente a mão. Eu sei que as principais decisões de campanha são tomadas pelo marqueteiro João Santana (foto), mas todo publicitário sabe que o marketing tem que manter alguma relação com o “produto” (a candidata, o partido) para não soar completamente falso.
Depois de todas as suposições otimisticamente erradas que fez antes da campanha, Santana sabia que enfrentar Aécio num segundo turno seria uma arapuca. Mas não soube como dosar os ataques a Marina Silva para evitar o reempoderamento de Aécio Neves. Aécio que num determinado ponto da campanha do primeiro turno estava totalmente batido, como bem nos lembramos (afinal faz apenas seis semanas).
Foi o psiquismo petista que levou à agressiva desconstrução de Marina no primeiro turno. O efeito colateral foi turbinar Aécio de novo. E é esse mesmo psiquismo que está esboçando a derrota do PT diante do candidato do PSDB. De fato, a campanha de João Santana passou um tanto dos limites contra Marina – mas serviu de mote para que a militância passasse muito mais.
Marina não é uma candidata fácil de administrar. Passa muito o recibo de que a realidade é complexa (porque é mesmo), e às vezes é até melhor buscar um bom oráculo para produzir uma chispa de sabedoria em momentos difíceis, do que confiar em “lógicas” e certezas ilusórias (o que provocou chacota contra seu hábito, nesse sentido até saudável, de consultar a bíblia em busca de um insight).
Marina portou-se um tanto como Lula, ao tentar abraçar forças dicotômicas. Mas Lula executou essa manobra como um tio conciliador, boa praça e cervejeiro, e Marina queria executá-la com base em uma fala severa (pode-se dizer também que severidade é um elemento que está faltando muito na nossa política).
Era relativamente fácil de desconstruí-la, com base no anseio popular por um candidato com superpoderes e soluções fáceis. Mas algumas escolhas moralistas da campanha funcionaram bem demais. Foi o caso dos ataques à educadora Neca Setubal, que é dona de menos de 2% do Itaú, e foi apresentada como uma representante dos banqueiros na campanha de Marina, quando era exatamente o contrário (uma figura abastada porém simpática ao ativismo social e ambiental, ou seja, algo que absolutamente nos faz falta no contexto brasileiro).
O mesmo com os ataques à posição do programa de Marina relativizando a importância do petróleo como combustível (o mote do “poderio do pré-sal” foi abraçado com gosto pelo sindicalismo mais simplório); e a semântica irrelevante do ambientalista Chico Mendes ser “elite” ou não (é óbvio que qualquer liderança social pode ser chamada de elite, se se atribuir um significado positivo à palavra). E assim por diante.
Os petistas bateram com gosto (e injustiça), enquanto Marina era levada às cordas e não tinha tempo nem habilidade para se explicar. E assim perdeu-se o momento mágico: um cenário em que duas mulheres, vindas do campo da esquerda, uma delas negra, disputariam o segundo turno mais qualificado da história eleitoral do Brasil. Esse teria sido o grande legado de Lula ao país: o embate de suas duas ex-ministras. Escrevi já um pouco sobe isso neste texto, O desserviço final do PT ao Brasil.
Acontece que na equação petista não entrou um elemento: o fato de que o partido vem construindo, ao longo do tempo, uma sólida antipatia em setores da sociedade. Não só os da assim chamada direita, que repelem o PT pelas razões erradas (aversão aos programas de inclusão social e de horizontalização da sociedade), mas também com setores que têm uma percepção mais “à esquerda”, ou com preocupações sociais. E é aí que começa o grande problema para o PT.
No seu curso à direita, nestes 12 anos de poder, o partido foi de enorme inabilidade política, ao deixar se romperem os laços com muitos movimentos sociais. Os ápices da incompreensão foram junho de 2013 e as manifestações contra os gastos na Copa, em que o PT alienou e tratou como inimigos aqueles que seriam aliados naturais.
Substituiu-os por bagaços políticos que o próprio PSDB havia abandonado à sua sorte, como Sarney, Maluf, Collor etc. Lula, o “tio conciliador”, teve a ideia duvidosa de chamar para si esses resíduos do pior da política do século passado, contando controlar e alimentar um pouco os seus minguantes poderios locais. Perdeu parte da credibilidade à esquerda, sem ganhar nenhuma à direita.
O mesmo erro aconteceu com os políticos neopentecostais, que Lula, num primeiro momento, também supôs que controlaria politicamente, como contrapeso à influência da igreja católica nos seus ambientes políticos de origem – os mesmos que fundaram o PT. E essa origem psicossocial igrejeira e sindical do PT merece um comentário à parte.
Certamente ela tem a ver com esse psiquismo petista que agora fugiu ao controle: o de que toda a complexidade social, cultural e política nacional se reduz a um “eles contra nós”, um “nós que temos o monopólio das boas intenções”, um “exigimos um voto de confiança contra os bandidos”. E ninguém vê isso de fora.
Esse paradoxo se apresentou na época da denúncia do mensalão, em 2005. Foi quando uma ala petista com um pensamento político mais saudável falou em “refundação do partido” – e não em tentar varrer o problema para baixo do tapete (não deu certo, como vimos).
Essa duplicidade petista, que é tão estranha e indigesta vista daqui, vista pelos petistas parece gerar ainda maior aflição e urgência. E inconveniência. No momento em que precisa atrair eleitores à esquerda (porque os de direita já estão perdidos para o Aécio), a campanha dá destaque à senadora ruralista Katia Abreu? Exatamente a que é conivente com o armamento de fazendeiros para o assassinato de índios?
No momento em que é confrontada com mais um escândalo na Petrobrás, Dilma discursa contra a corrupção… tendo ao seu lado, no mesmo palanque alagoano, representantes clássicos da corrupção como Collor e o filho de Renan Calheiros? No momento em que mais precisa do voto paulista (estado central na história do PT, cuja capital já elegeu Erundina, Marta e Haddad), incentiva o mito de que o estado só tem reacionários?
Laura Capriglione desenvolve o assunto em seu blog:”Bairros pobres e históricos redutos do PT, como o Campo Limpo, na zona Sul, terra onde vive Mano Brown, por exemplo, ou Itaquera e São Miguel Paulista, na zona Leste, sufragaram mais Aécio do que Dilma. Capela do Socorro, lar do sarau da Cooperifa, do poeta Sergio Vaz, também. E a Pedreira, Ermelino Matarazzo e Cangaíba (…) Vai falar lá que aquela gente morena, parda e preta, que eles são a elite branca, fascista, oligarca ou coisa que o valha”.
Dilma, o PT e a militância deveriam tratar a questão com mais desassombro e delicadeza (até porque, na verdade, qualquer presidente eleito estará subordinado exatamente às mesmas forças políticas, representadas no PMDB e nos partidos fisiológicos, e não no PT nem no PSDB). Mas certamente estão alienando mais ainda os eleitores que perderam nos últimos anos.
Parece difícil, a esta altura do campeonato. Sem que haja o menor motivo prático, os petistas continuam agredindo não só Marina, mas quem pensou em votar nela, naquele não tão distante momento em que o Brasil quase teve uma eleição presidencial decente.
O PT surtado se parece muito com a caricatura, chantagista, desleal e descompensada, que os colunistas de direita tanto gostam de fazer dele. E parece querer confirmar a tese de que só na oposição poderá se requalificar na importância política e social que já teve.

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