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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Religiosos brasileiros fazem críticas ao papa


FABIANO MAISONNAVE – da Folha de São Paulo
Freia exibe bandeira brasileira em evento que marcou despedida do papa Bento 16 (foto: Alessandro Bianchi/Reuters)
Visível em quase toda a praça São Pedro, a bandeira do Brasil presa a um mastro de cerca de 1 metro transformou a sorridente irmã gaúcha Cecilia Berno numa pequena celebridade --foram dez entrevistas em pouco mais de uma hora. Mas a demonstração de apoio ao papa Bento 16 escondia uma avaliação bastante crítica do pontificado.
"O papa tem sido muito duro com o Brasil, silenciou muitos teólogos brasileiros da Teologia da Libertação [movimento que prega aproximação com os movimentos sociais e o marxismo] ", disse Berno, que, contrariando orientação de Bento 16, defende a flexibilização do celibato e a ordenação de mulheres.
Segundo a religiosa, que vive em Roma, o papa não levou adiante as conclusões do Concílio Vaticano 2º (1962-5), que preconizava uma abertura maior da Igreja Católica. "A sociedade cobra desse papa e da igreja essa posição. Jesus foi revolucionário, e a igreja não pode deixar de ser revolucionária, tem de responder aos anseios mais profundos do ser humano." O tom crítico de Berno em relação a Bento 16 estava longe de ser uma exceção entre os religiosos brasileiros --embora todos considerem a renúncia um ato de humildade.
Mestrando em história em Roma, o padre paranaense Marcos Roberto dos Santos, 35, afirma que ele foi excessivamente eurocêntrico. "Embora muito querido, ele entendeu que era hora de dar mais atenção à Europa. Mas priorizar uns é se esquecer de outros." Santos afirma que, na Europa, o principal problema é a "desertificação da fé", enquanto no Brasil os desafios são o avanço do protestantismo, a corrupção, a violência e a pobreza. Com uma bandana verde-amarela, a irmã mineira Daniela Brito, 44, também residente em Roma, disse que o papa teve "grande humildade para dizer 'basta'". Agora, ela espera um papa que "deixe a igreja mais jovem e coloque a casa em ordem".
Já dom Geraldo Majella Agnelo, um dos cinco cardeais brasileiros que participarão do conclave para a escolha do sucessor de Bento 16, disse que o papa não aparentava um "estado de alma intranquilo". "Ele tinha de tocar na sua renúncia, mas deu uma visão de futuro, que há de ser bom para a igreja", afirmou.