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domingo, 8 de março de 2015

Lista com políticos baianos terá impacto nas eleições

                                   Biaggio Talento – de A TARDE
Jacques Wagner e João Leão
Agitado com a Operação Lava Jato, o Brasil não será o mesmo após as revelações de corrupção mantida durante anos na Petrobras e a divulgação da lista de políticos envolvidos. Na Bahia, o fato de a cúpula do PP, um dos principais aliados do PT do governador Rui Costa, ter nomes na lista de Janot pode ter impacto nas próximas eleições municipais e fortalecer a oposição no Estado, avaliam analistas.
O vice-governador do estado e secretário de Planejamento, João Leão e o conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, Mário Negromonte integram a lista do terror de Janot, além do deputado federal Roberto Britto e Luiz Argôlo (SDD).
O juiz federal Sérgio Moro investiga o envolvimento de várias empresas como as baianas OAS e Odebrecht, além da UTC (dirigida pelo baiano Roberto Pessoa) no pagamento de propinas a dirigentes da Petrobras, colocados em diretorias pelos partidos políticos que se beneficiariam com parte do dinheiro das fraudes.
A relação dos 54 políticos que a Procuradoria Geral da República pediu para o STF abrir investigação pelos indícios fortes de corrupção, atingiu os principais partidos da base do governo: PT, PMDB e PP.
Jacques Wagner e Mário Negromonte
Os tentáculos da Lava Jato que se estendem até a Bahia deve ter consequências na vida política do Estado. O sociólogo Joviniano Neto avalia que o principal prejudicado politicamente será o PT, mesmo que a investigação da participação dos políticos nas fraudes ainda esteja no começo.
"É que, em casos como esses, prevalece, no início, a primeira lei de Jean Marie Domenach (escritor francês autor do famoso livro A Propaganda Política): a simplificação e o inimigo único", lembra Joviniano, explicando que a tendência é se propagar a imagem que o governo federal é o responsável e o partido que o comanda o "inimigo único".
Nesse cenário, além da oposição sair fortalecida, apesar de alguns elementos desse grupo também terem sido citados como participantes do esquema, "ocorre uma natural inibição da base de apoio ao governo que se vê meio constrangida para defendê-lo", disse, apontando outro fator negativo para o PT, a necessidade da presidente Dilma editar medidas impopulares.
Ele destaca, ainda, que pode haver impacto nas eleições. "O tempo da mídia, da política e da justiça são diferentes. E embora a Procuradoria Geral tenha feito apenas pedidos de investigação, sem que ninguém esteja sendo processado, a repercussão da lista de políticos pode ter, sim, reflexos nas próximas eleições municipais".
Rui Costa e Luiz Argôlo
Sobre a relação entre PP e PT na Bahia "nada vai mudar", diz ele, "mas vai haver uma permanente tensão cercando todos os partidos cujos integrantes estão nesta primeira lista. E os reflexos políticos serão sentidos ao longo do tempo".
Economia
Para o sociólogo, haverá um impacto grande também na economia da Bahia, não só pelo fato do governo federal reduzir seus investimentos em função da crise, como o fato de estar no olho do furacão da Lava Jato as empreiteiras responsáveis pelas grandes obras de infraestrutura no Estado.
O professor de Ciência Política da Universidade Católica do Salvador, Claudio André de Souza assinala que o impacto socioeconômico da Lava Jato se reflete diretamente na ação dos políticos do Estado. "A operação ajudou, por exemplo, a piorar a crise do Estaleiro Paraguaçu do qual participam a Odebrecht, a OAS e a UTC. Ocorreram demissões e um clima ruim na região.
Óbvio que quem obteve dividendos políticos com o empreendimento, no caso o governo da Bahia, vai sofrer desgaste agora", disse. Segundo Souza, o escândalo tende também a reduzir as doações aos partidos. "E ai vai criar a oportunidade de se discutir o financiamento público das campanhas". Ele acha também que a mobilização popular deve aumentar daqui para a frente.

Colaborou Marjorie Moura.