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sábado, 13 de julho de 2013

Estudantes de Poço Verde visitaram Canudos

Estudantes do CEPJO visitaram as ruínas da 2ª Canudos
O Colégio Estadual Professor João de Oliveira, da cidade de Poço Verde, Sergipe, a Prefeitura de Poço Verde, A secretaria Municipal de Educação daquela cidade e os estudantes do 3º ano do Ensino Médio do CEPJO realizaram uma viagem ao sítio arqueológico de Canudos, cenário da guerra ocorrida em 1876-1877, neste sábado (13). A coordenação da viagem ficou a cargo do professor Landisvalth Lima, que leciona Língua Portuguesa na instituição. A saída ocorreu na madrugada, por volta das 4 e meia, e findou às 19 horas. Os 36 participantes visitaram as ruínas da Canudos que ficaram submersas em 1969 pelas águas do açude de Cocorobó. De lá seguiram para o Parque Estadual de Canudos, onde passaram pelo Alto do Mário, Alto da Favela, Outeiro das Marias, Pelados, 2º Cemitério, Vale da Morte, Alto das Memórias e Fazenda Velha. Por volta das 11 horas, foram recebidos no Memorial Antônio Conselheiro, mantido pela Universidade do Estado da Bahia. Lá, os funcionários da universidade foram generosos na informação e no auxílio à solução de dúvidas comuns. Por volta do meio dia, foram almoçar no restaurante Doce Mel, dos empresários Fábio e Talita. Logo após, seguiram para um banho refrescante no Jorrinho de Canudos, na barragem do açude que margeia a cidade.
Ainda nas  Ruínas

No Alto da Favela

Na estrada de Massacará
A Guerra de Canudos é tida como um dos principais conflitos que marcam o período entre a queda da monarquia e a instalação do regime republicano no Brasil e seu principal líder foi Antônio Conselheiro, o Antônio Vicente Mendes Maciel, que vagueou em peregrinação. Nessas andanças, começou a construir igrejas, cemitérios e teve sua figura marcada pela barba grisalha, a bata azul, sandálias de couro e a mão apoiada em um bordão. Sua pregação religiosa defensora de um cristianismo primitivo. Defendia que os homens deveriam se livrar das opressões e injustiças que lhes eram impostas, buscando superar os problemas de acordo com os valores religiosos cristãos. Com palavras de fé e de justiça, Conselheiro atraiu muitos sertanejos que se identificavam com a mensagem por ele proferida.
Os detalhes eram questionados

A caminhada não desanimou quase ninguém

Na Fazenda Velha
Desde o início, autoridades como Cícero Dantas Martins, O Barão de Jeremoabo, e a própria Igreja Católica, somados a setores dominantes da população, viam na renovação social e religiosa de Antônio Conselheiro uma ameaça à ordem estabelecida. 
Ainda na Fazenda Velha

As ruínas vistas do Alto do Mário

O 2º Cemitério, onde pode estar o corpo
de Antônio Beatino
Em 1876, autoridades lhe prenderam alegando que ele havia matado a mulher e a mãe, e o enviaram de volta para o Ceará. Depois de solto, Conselheiro se dirigiu ao interior da Bahia. Com o aumento do seu número de seguidores e a pregação de seus ideais contrários à ordem vigente, Conselheiro fundou – em 1893 – uma comunidade chamada Belo Monte, às margens do Rio Vaza-Barris, que nunca deixou de ser Canudos. 

No Alto da Memória

No Vale da Morte
No Outeiro das Marias
Na chegada ao Memorial de Canudos
De um lado, a Igreja atacava a comunidade alegando que os seguidores de Conselheiro eram apegados à heresia e à depravação. Por outro, os políticos e senhores de terra, com o uso dos meios de comunicação da época, diziam que Antônio Conselheiro era monarquista e liderava um movimento que almejava derrubar o governo republicano, instalado em 1889. Estas foram as causas da Guerra de Canudos. Ao contrário das expectativas do governo, a comunidade conseguiu resistir a três investidas militares. Somente na última expedição, a 4ª, que contava com metralhadoras e canhões, a população apta para o combate (homens e rapazes) foi massacrada. A comunidade se reduziu a algumas centenas de mulheres, idosos e crianças. Antônio Conselheiro, com a saúde fragilizada, morreu dias antes do último combate. Ao encontrarem seu corpo, deceparam sua cabeça e a enviaram para que estudassem as características do crânio de um “louco fanático”, como registrou no livro Os Sertões o Euclides da Cunha.

Os Sertões
Na área externa do Memorial

Na biblioteca com Conselheiro

Pausa para um refresco no Jorrinho
O livro está dividido em três partes: A Terra, O Homem e A Luta. A Terra é uma descrição detalhada feita pelo cientista Euclides da Cunha, que estava no 4º ataque a Canudos, mostrando todas as características do lugar, o clima, as secas, a terra, enfim. O Homem é uma descrição feita pelo sociólogo e antropólogo Euclides da Cunha, que mostra o habitante do lugar, sua relação com o meio, sua gênese etnológica, seu comportamento, crença e costume; mas depois se fixa na figura de Antônio Conselheiro, o líder de Canudos. Apresenta seu caráter, seu passado e relatos de como era a vida e os costumes de Canudos, como relatados por visitantes e habitantes capturados. A Luta é um relato feito pelo jornalista, escritor e ser humano Euclides da Cunha, relatando as quatro expedições a Canudos, criando o retrato real só possível pela testemunha ocular da fome, da peste, da miséria, da violência e da insanidade da guerra. Retratando minuciosamente movimento de tropas, o autor constantemente se prende à individualidade das ações e mostra casos isolados marcantes que demonstram bem o absurdo de um massacre que começou por um motivo tolo - Antônio Conselheiro reclamando um estoque de madeira não entregue - escalou para um conflito onde havia paranoia nacional pois suspeitava-se que os monarquistas de Canudos, liderados pelo "famigerado e bárbaro Bom Jesus Conselheiro" tinham apoio externo. No final, foi apenas um massacre violento onde estavam todos errados e o lado mais fraco resistiu até o fim com seus derradeiros defensores - um velho, dois adultos e uma criança.
Uma pergunta

Ainda se refrescando no Jorrinho

Aguardando os banhistas

A foto de despedida
Ao fim da visita ao cenário de guerra, os estudantes se põem a perguntar o motivo real de tanto sangue derramado. Não conseguem entender como uma terra árida, pedregosa, de caatinga rala, coberta por um sol causticante poderia ameaçar a República Federativa do Brasil. Mais ainda: como um povo tão simples foi capaz de resistir tanto, a ponto de colocar também em questão a eficiência do Exército Brasileiro da época. O próprio Euclides da Cunha chamou a Guerra de Canudos de ato insano e bárbaro. Foram 28 mil pessoas mortas e, anos depois, 250 milhões de litros cúbicos da água do Açude de Cocorobó cobriam o cenário da cidadela que desafiou a lógica. O diabo é que não se acaba com a memória de um povo e, agora, com o açude de bem pouca água, o cenário volta no tempo e os alunos poçoverdenses do João de Oliveira puderam reverenciar, reviver e conviver com a história. Mas é fato: ainda há muito que dizer, ainda há muito a descobrir. Canudos ainda é um enigma.
Obs. Dê um clique na foto para vê-la em tamanho normal.