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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Fernando Peltier morre em Araci

                                                             Landisvalth Lima
Fernando Peltier (foto:Facebook)
Morre em Araci, estado da Bahia, onde vivia, o poeta, escritor e teatrólogo Fernando Peltier (66), Macaúbas, que trabalhou muitos anos em Serrinha e promoveu para o mundo do teatro gerações de jovens. Este blogueiro, ao lado de Hildebrando (Dego), Urias, Raimundo, Luzivânia, Murilo, Edvaldo Barbosa e tantos outros e outras, devemos nossa formação cultural, nossa visão de arte e de sociedade a Peltier. Ele não desistia nunca. Era incansável produtor cultural e buscava sempre novas linguagens artísticas. Além disso, era um educador no sentido amplo da palavra.
Antônio Fernando Peltier Loureiro Freire nasceu em Salvador-Ba, em 25 de janeiro de 1948. Filho caçula de Jorge Antunes Freire, graduado funcionário fazendário estadual e de Maura Peltier Loureiro Freire. Teve um infarto fulminante por volta das 3h30min e disse como últimas palavras: "Não estou mais aguentando a dor" e faleceu. Foi socorrido e levado para o hospital municipal de Araci, onde já chegou sem vida.
A notícia rapidamente se espalhou e um dos seus amigos, Jamensson Cardoso, postou no Facebook: " Fernando Peltier, Macaúbas, um símbolo de resistência e luta, segue para a eternidade, fomos confidentes conflitados com as inconformidades em função da própria vida. Meus sinceros sentimentos de pesar para familiares e amigos. Obrigado Aracy por acolher um homem verdadeiramente valoroso. O que foi isto meu Deus??". Tatiane Vilela Mascarenhas também posto: "Meu coração congelou de susto ao receber essa notícia, mas sei que o céu está em festa por receber voce meu amigo, meu irmão, poeta de grandiosa beleza e encanto e ser humano de coração nobre. Siga em paz Fernando Peltier, sei que sua passagem será leve pela nível evolutivo do seu espírito. A família Mascarenhas te ama!!!"
Desde garoto, Peltier, ou Macaúbas, como o chamávamos no grupo Criarte, demonstrava aptidões para as artes, sobretudo, as artes cênicas, tendo descoberto essa inclinação na escola primária. Viveu assim, em Salvador por longo tempo. Fernando Peltier morou em Jequié, no ano de 1962, quando pela primeira vez pisou num palco de um teatro tecnicamente dito e representou o papel de um pastor num auto de natal intitulado “O Boi e o Burro no Caminho de Belém”, de Maria Clara Machado, a maior dramaturga brasileira no segmento infanto-juvenil, apresentado no Cine Teatro Auditorium, contaminando-se definitivamente pelo vírus teatral. Foi também em Jequié que escreveu suas primeiras poesias e prosas, tendo nessa época obtido a aprovação de Wally Salomão aos seus escritos.
Em Serrinha, fundou com Hamilton Safira o GRUDE-SE (Grupo Teatro Serrinha), em 1966 e o CRIARTE (Criação Artística), 1976 no Centro Social Urbano Dalva Negreiros, quando era o diretor daquele órgão público. Desta época são produzidas inúmeras peças infantis, destacando-se Chapeuzinho Vermelho. Lembro-me que minha irmã, Luzivânia Lima, substitui Mônica, como a mãe de Chapeuzinho, na apresentação na cidade de Conde, no Litoral Norte da Bahia. A peça era sucesso onde chagava. Eu fazia o papel da 4ª árvore. Murilo era o Caçador, Edvaldo era o Lobo Mau e Kika era o Chapeuzinho Vermelho, dentre outros.
Peltier também foi o criador do Projeto CIRANDA DO TEATRO, que forma platéia, a partir de dois anos de idade, viajando por todo interior baiano, sensibilizando crianças e jovens para a importância da linguagem teatral, seja na prática ou na audição de espetáculos. Fundou e administrou a SPALLA – Escola de Arte da Bahia Ltda., em Salvador, 1994 e a Escola de Arte & Cia Fernando Peltier, em Salvador, Serrinha e está implantou o CRITCA – Centro Regional de Investigação de Talentos em Arte e Cultura, acoplado à sua Escola de Arte Fernando Peltier – Ballet e Teatro, no Colégio Interativo, Araci, em 2010.
Fernando Peltier teve formação quase completa em História Geral na UCSAL, 1972, e plena como Bacharel em Direção Teatral, na EMAC/UFBa, formando-se em 1988. Bem antes, já havia feito o curso de Magistério, concluído no Colégio Comercial de Serrinha, 1968. Segundo a revista “Repertório” Ano 3, nº 2, 1999 – Teatro e Dança / UFBA, Programa de Graduação em Artes Cênicas, “o Curso de Teatro com Dança ministrado por Fernando Peltier tem revelado para o cinema e promovido a participação de diversos alunos em comerciais de rádio e de televisão. A Escola de Arte é recordista em aprovação para o vestibular dos cursos de teatro da UFBA. Em menos de 5 anos de fundada, a escola já capacitou mais de 20 alunos, colocados no mercado de trabalho, aptos para iniciarem-se no sucesso.”.
Fernando Peltier não se dedicou apenas ao teatro. Foi escritor, poeta e dramaturgo. Publicou 5 livros, sendo o último, na cidade do Porto, em Portugal: “Nós Te Atramos” (Dramaturgia), Editora BDA, Salvador, 1996; “Escola Utopia” (Poesia), Editora LS, Salvador, 1997; “Heureca! – Notáveis Encontros com o Saber” (Dramaturgia); EGBA (Empresa Gráfica da Bahia), FUNCEB (Fundação Cultural do Estado da Bahia), SECULT (Secretaria Estadual de Cultura e Turismo), Coleção As Letras da Bahia, Salvador, 1998; “Teatro Nosso Cada Dia” (Dramaturgia) e o último denominado “Na Palma da Calma da Alma”, Corpos Editora, Porto, Portugal, 2010. Quem desejar adquirir o novo livro poderá fazer através do link:
Recentemente, também, teve uma de suas poesias incluída na Antologia Delicatta/SP – Bienal do Livro, cuja obra se chama “CIRCO BAMBOLEIO”. É também autor e compositor musical, dedicando-se prioritariamente às trilhas musicais de seus espetáculos, sobretudo no seguimento infanto-juvenil. Tem CDs publicados, destacando-se “Pinóquio”, com músicas da peça homônima e karaokê com as mesmas e “O Auto do Presépio de Natal”. Residia em Araci por opção própria, pois gostava muito de cidades do interior de médio porte, razão pela qual também já morou em Amargosa, Jequié e Serrinha.
Peltier desempenhou diversas funções, tanto no serviço público estadual, quanto no municipal, ressaltando os cargos de Avaliador Judicial da Comarca de Serrinha, 1973; Professor do Nível Médio: História e Inglês do Colégio Comercial de Serrinha (particular) 1969; Colégio Estadual Rubem Nogueira, em Serrinha, 1972; Gerente do CSU de Serrinha, 1976; Diretor de Cultura em São Francisco do Conde, Serrinha e Araci, 1985/2010; Diretor do Departamento Municipal de Feiras, Mercados e Abastecimento de Salvador, 1982; Gerente Estadual de Promoção e Eventos do Instituto Mauá, SETRABES, Salvador, 1987; Professor de Filosofia, Sociologia e Artes do Colégio Interativo, em Araci. Dirigiu a CIA ICARASO DE TEATRO, prestando trabalhos institucionais avulsos à Prefeitura Municipal de Araci, lidando com as atividades e linguagens em Artes Cênicas junto a crianças e jovens. É autor de diversos Projetos Culturais e Educacionais.
Recentemente, criou o PROJETO DE EDUCAÇÃO POPULAR "PARA NÃO TER QUE PUNIR OS HOMENS!", no qual apresenta peças teatrais temáticas e preventivas - Dengue, Prostituição Infantil e Juvenil, Drogas, Bolsa Família, Educação Para o Trânsito, também para o Lixo destinados a todos os níveis etários e de escolaridade, desde criança até a maturidade e desenvolve oficinas, apresenta work-shop, Contação de Histórias & Estórias, Poesias, Brincadeiras da Eterna Infância, etc...  
Fernando Peltier venceu o Festival FESTEATRO, ano 3, realizado em Ilhéus, Bahia, em 1996, de caráter nacional (participação de grupos de, Belo Horizonte e Lavras – MG, Goiânia e Brasília/DF – Goiás e diversas cidades do estado da Bahia, na categoria infantil, com “O Jardim das Abelhas”, de sua autoria. Teve também indicações às premiações como o Troféu Bahia Aplaude com “O Jardim das Abelhas “,1996, e ao Prêmio COPENE DE TEATRO, com “Pinóquio”, no ano 2000.
Em Araci realizou com o CIA ICARASO nove espetáculos, a saber: “Força de Mulher”, “Pinóquio”, “Cochilou, Cachimbo Caiu!” (Dengue), “Desespero de Mãe 1” (Drogas), “Desespero de Mãe 2” (Prostituição Infantil e Juvenil), “Vida que Vem Melhorar” (Bolsa Família), “Sinais de Inteligência!” (Educação para o Trânsito), “Auto do Presépio de Natal”, “Auto das Dores de Cristo”, “Os Saltimbancos” e a comédia caipira “Fuga num São João” com estreia  na grade de programação do “Arraiá do Raso”, no São João araciense de 2011.
Só mesmo uma grande paixão pelo teatro é possível para participar de mais de 150 espetáculos teatrais em diversas funções, destacando as de Autor, Diretor, Ator e Produtor Teatral. E isso predominantemente no interior, onde o teatro é quase que ignorado pelas autoridades. Fernando Peltier é responsável pelo surgimento de dezenas de artistas de teatro, alguns de renome, que fizeram em criança ou na juventude, parte como seus alunos nas suas escolas de arte. Eu sou um deles. Não segui a carreira de ator, embora já tenha me profissionalizado ao seu lado, quando fundamos a APATEDEBA – Associação Profissional dos Artísticas e Técnicos em Espetáculos de Diversão do Estado da Bahia, ao lado de Benvindo Siqueira. Como professor, uso o teatro para tentar vencer a ignorância. Até mesmo nas aulas planejadas, até hoje, adiciono recursos aprendidos com Peltier no antigo CSU de Serrinha. Perdemos Macaúbas, mas o céu haverá de ser seu novo palco. Palco de utopias, literalmente.
Com informações complementares do Bahia Já e  do Google Plus.