Por que limitar gastos por 20 anos?
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Cristina de Mello: longo prazo falacioso (Metrô News) |
Outro ponto de discussão é a
duração da PEC. Para uns, ela é uma medida muito rígida para durar tanto tempo,
e deveria ser flexível para se adaptar às mudanças do país. Para outros, um
período tão extenso passa a mensagem de que o Brasil está comprometido com o
equilíbrio das contas.
A professora Cristina de Mello,
da PUC-SP, faz parte do primeiro grupo. Ela diz que, se houver uma queda
abrupta da arrecadação, por exemplo, a dívida aumentaria, porque os gastos
serão congelados em um patamar alto.
Segundo Mello, o argumento de que
uma medida de longo prazo passa mais credibilidade é falacioso. Isso porque, se
antes do prazo de dez anos, o governo precisar mexer em alguma regra, a PEC
gerará desconfiança.
"Se daqui a alguns anos, for
necessário fazer um gasto maior e mudar o índice de inflação por outro mais
confortável, vai haver descrença. Por que escolheram esse critério e não outro?
Pode haver maquiagem de dados."
Após a aprovação em primeiro
turno na Câmara, o presidente Michel Temer disse, em entrevista à Globonews,
que o prazo poderá ser revisto em "quatro, cinco ou seis anos", a
depender da situação do país.
"Fixamos 20 anos, que é um
longo prazo, com revisão em dez anos. Mas eu pergunto: não se pode daqui
quatro, cinco, seis anos; de repente o Brasil cresce, aumenta a arrecadação e
pode se modificar isso? Pode. Propõe uma nova emenda constitucional que reduz o
prazo de dez anos para quatro, cinco", disse Temer.
O economista Raul Velloso,
ex-secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento (governo
Sarney) aposta na revisão desse período do futuro.
"Se chegarmos à conclusão de
que é muito longo e a dívida já diminuiu, revemos. Mas agora estamos numa crise
muito séria, não podemos arriscar. É um tiro só."