A PEC 241\55 é antidemocrática?
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A democracia é uma forma de manipulação? |
Ao tirar o Congresso dessas
decisões, o professor Pedro Rossi, da Unicamp, considera a medida antidemocrática.
"O Congresso não vai poder moldar o tamanho do orçamento. Por
consequência, a sociedade também não."
Cristina de Mello avalia que o
texto pode ser também uma estratégia para não ter que aprovar o orçamento no
Congresso todos os anos, como acontece hoje.
"Imagina se tiver uma
catástrofe, uma epidemia de zika, que vai exigir gastos maiores. A sociedade
vai pressionar o governo e ele vai se resguardar no teto, podendo cortar outras
coisas. É uma estratégia de negociação."
Holandesa, a professora da FGV
Jolanda Battisti diz que o teto é uma referência de inovação e é aplicado em
países como Holanda, Finlândia e Suécia.
No entanto, pondera, lá tem um
prazo de três ou quatro anos que é discutido nos ciclos eleitorais, promovendo
debates frequentes sobre as contas públicas.
Para ela, o governo está
"comprando tempo" para colocar a dívida sob controle. Um plano de
longa duração, afirma, substitui ações mais drásticas, como aumentar impostos
ou cortar despesas imediatamente, o que poderia agravar o desemprego.
O professor do Insper João Luiz
Mascolo argumenta que vai levar alguns anos para que alcancemos o superávit
primário (dinheiro que sobra nas contas do governo e serve para pagar os juros
da dívida). Hoje, temos déficit primário, ou seja, não sobra dinheiro.
"Ainda vamos ter um pico
antes da dívida começar a cair. Por isso a PEC é longa, tem uma inércia nessa
conta. Ela não vai trazer o déficit para zero em um ano."