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sexta-feira, 29 de julho de 2016

O eu, o mim e o eu de novo

                                            Landisvalth Lima
Já disse aqui em diversos artigos que os interesses individuais atrapalham sobremaneira os interesses públicos. A diferença entre o atraso e o progresso está relacionada ao distanciamento que a política dará ao individual e às necessidades coletivas. Governo é para atender o interesse público e a política é elemento efetivador disso. Aqui em Heliópolis, mesmo depois de apanharmos tanto, ainda vejo a vontade de um único cidadão ser superiora aos interesses de todos. Pior, isso só acontece porque o todo hipervaloriza a parte. Basta só lembrar o que dizia Gregório de Matos: a parte sem o todo não é parte. Quando se pensa no coletivo, o todo sem a parte não é nada.
Vamos deixar de filosofar e partir para o direto ao ponto. Todos sabem que o prefeito Ildinho ainda não anunciou sua chapa para concorrer às eleições deste ano. Faltam nomes? Claro que não. Há inúmeros. Mas o ex-prefeito Zé do Sertão preparou uma gaiola e prendeu os vereadores José Clóvis Pereira e Valdelício Dantas da Gama. Agora ameaça: ou é o vice ou se aliará aos opositores. Na minha opinião, os dois vereadores foram porque quiseram. Não me venham com essa ideia de que as duas cobras criadas foram iludidas pelo milho do ex-prefeito. Cobra não come milho, come rato. Para não perder estes dois vereadores, Ildinho está perdendo os cabelos com Zé do Sertão.
Semana passada, Beto Fonseca e Ildinho fizeram uma proposta ao PROS – Partido Republicano da Ordem Nacional. Entregaram a vice ao partido, decisão tomada em reunião pela maioria, mas informaram que o nome do ex-prefeito não estava bem cotado. Poderia ser José Clóvis ou Valdelício. Foi aí que percebemos que há mais água por debaixo da ponte. Um dos nomes do partido é filho da Deputada Fátima Nunes (PT), que tem interesse na eleição do vereador José Mendonça. Na verdade, eles não querem Zé do Sertão na vice de Ildinho. Eles querem atrapalhar a candidatura do atual prefeito e estão usando o José e os dois vereadores como instrumentos de tortura.
É bom saber que, por Ildinho, estava tudo resolvido. Ele não quer mais saber de Zé do Sertão como vice, mas o grupo político é formado por pessoas que querem a paz, a harmonia, a convivência sem atritos entre os povos, como se isso em política fosse possível. O que Ildinho percebeu é que pode estar em curso uma velha praga da política: a propina. E tudo pode acontecer. Dinheiro para ter o controle do partido, para desistirem de candidaturas, para apoiar candidaturas e por aí vai. Em suma, a velha praga da política nacional. A velha história do eu, depois o mim e, logo depois, o eu novamente.
Então, como se pode aceitar que uma administração, considerada das melhores de nossa região, que trouxe benefícios generosos para Heliópolis, que representa muito mais de 6 mil votos, possa se submeter à vontade de um só homem? Mesmo que ele fosse o Presidente da República, isso é inadmissível e inaceitável. Nada está tranquilo, nada está favorável. O todo está acuado pela parte, que é a menos valorosa. Esta equação não resolve. Se Ildinho aceitar, começará a eleição mais fraco. Pode até ganhar, mas estará mais fraco e perderá significativos apoios.
É hora de o grupo escolher logo o seu vice e não dar a importância que Zé do Sertão quer. Acabar com esse chove-não-molha. A estrela da festa é Ildinho. Ele foi o responsável pelos quatro anos de uma boa administração. Por que agora ficar encurralado por um cidadão que não teve força sequer para se eleger vereador, mesmo sendo ex isso e ex aquilo? Não digo que não tenha seu valor. Todos nós temos. Entretanto, isso não pode ser moeda de troca. Porque não é a minha vida, a de Ildinho e de outros que estão em jogo. É a vida de uma população inteira. A não ser que apareça um nome novo, com ideias novas, todo um trabalho de quatro anos poderá ser jogado fora só para atender a vontade de um só ser. 
É hora urgente de um vice! Se continuar neste lengalenga, a única pessoa que crescerá é o Zé do Sertão. Só servirá toda essa demora para ressuscitar mortos, dar vida a múmias e alimentar zumbis. E se aparecer um nome melhor no dia da convenção? Muda-se, hora. Só vai se eleger quem o povo quer. É o povo, o coletivo, o chefe da história. O eu é apenas um bloco solitário. Se continuar fazendo das suas, restará apenas um espelho para que ele possa amar a si mesmo.