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2º dia da 1ª Fecultarte teve dança, vídeo e teatro

A 2ª noite da 1ª Fecultarte foi dominada pela dança e pelo teatro (foto: Landisvalth Lima) O Colégio Estadual José Dantas de Souza – C...

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Jornada Pedagógica marca início do ano letivo em Heliópolis

Professor Quelton abrindo os trabalhos

Na noite de quinta-feira (19), primeiro dia útil pós carnaval, o município de Heliópolis marcou o início da Jornada Pedagógica deste ano. O palco foi o salão principal da Creche Proinfância. Vários servidores marcaram presença, sobretudo da pasta da Secretaria de Educação, Esporte, Cultura e Lazer. Pouco depois das 19 horas, deu-se o início com a convocação das autoridades. 
Adla e Eugênio animaram a noite
Marcaram presença o prefeito Ildefonso Andrade Fonseca, o secretário municipal de administração e finanças Beto Fonseca, o secretário de saúde Renilson Alves do Nascimento, o secretário de assistência social Renan, o presidente da Câmara Municipal de Heliópolis Giomar Evangelista, os vereadores Zeic Andrade, Ronaldo Santana, José Clóvis Pereira, o ex-prefeito José Emídio Tavares, coordenadores e diretores de instituições de ensino, além do secretário de educação, esporte, cultura e lazer, prof. José Quelton Almeida, que fez abertura do evento. O tema da jornada este ano é A aprendizagem significativa na escola pública: desafios e oportunidades para implementação de uma educação pela cidadania.
Ildinho, Beto Fonseca e Renilson
Após a fala do prof. Quelton, usaram a palavra o presidente da Câmara Municipal, vereador Giomar Evangelista. Este deixou claro que não fará oposição ao município de Heliópolis e disse que quer a evolução do município. Só lutará contra o que estiver de errado. Em seguida falou Beto Fonseca, que pediu empenho aos professores e que observassem os números do PAMEH que serão apresentados para que se possa melhorar o nível da nossa educação. Beto Fonseca ainda deu a notícia dos novos valores salariais dos professores e servidores, aprovados naquele dia pela Câmara de Vereadores. Também falou o presidente do Sindheli, prof. Gilvândio, que pregou o diálogo para a melhoria das condições dos servidores.
Tamires Andrade

Fabiano Brum
Antes da apresentação das autoridades e durante todo o evento, aconteceu a apresentação da dupla Adla e Eugênio, convidados especialmente para animar o evento. A abertura das palestras da noite ficou a cargo da fonoaudióloga Tamires Andrade. Ela detalhou os cuidados que os profissionais da educação deve ter com a garganta. Também especificou as possíveis doenças que afetam o desempenho e comprometem a carreira de um professor.
Mas a palestra principal da noite ficou a cargo do Fabiano Brum. Ele apresentou Um show de motivação através da música. Num repertório escolhido meticulosamente e associado aos sete elementos motivadores do ato de ser professor, Fabiano Brum tocou guitarra e violão e foi de Lulu Santos a Pink Floyd. O público acompanhou todo o conteúdo do evento atentamente até mesmo depois das 23 horas, quando então os trabalhos foram encerrados naquele dia.
Fabiano Brum animando
Relatório do PAMEH
Nesta sexta-feira (20), logo após a entrega do kit da jornada aos participantes, o professor Eraldo Neves apresentou um resumo das ações do PAMEH – Plano de Ação e Metas da Educação de Heliópolis – desde sua criação até a aplicação e correção das provas. Em seguida, o professor Landisvalth Lima delineou uma análise sintética genérica dos problemas que emperram o desenvolvimento da educação no município. 
Público compareceu em bom número
No período da tarde, o professor Landisvalth trabalhou ainda com os resultados obtidos nas provas de Português e Redação de todas as turmas do Ensino Fundamental II, além de detalhar as ações do PAMEH para este ano, com a finalidade de corrigir o fraco desempenho dos alunos nas duas disciplinas. A apresentação do professor Claudiano sobre os números obtidos na disciplina Matemática foram adiados devido à forte chuva que caiu no local a partir das 16 horas, impedindo a continuidade dos trabalhos. 
Eraldo Neves

Landisvalth Lima
A jornada continua neste sábado com as oficinas pedagógicos por área ou modalidade de ensino durante todo o dia na Creche Proinfância. Segunda-feira, as oficinas continuam. Na terça-feira, voltam as análises sobre os resultados do PAMEH, em Matemática, com o professor Claudiano; em História, com o professor Eraldo Neves; em Artes e Sociedade e Cultura, com a Professora Meiry Jane; em Inglês, com a professora Madalena; em Ciências, com o professor Joseilson Alves (Chinho) e Geografia, com os professores Marquinhos e Gilberto Jacó. O início das aulas está previsto para dia 2 de março.

Câmara retorna e servidores têm aumento de salários

No início dos trabalhos, aumento de salários para servidores
(foto: Jorge Souza)
A última quinta-feira (19) foi muito movimentada em Heliópolis. Pela manhã, por volta das nove horas, aconteceu Sessão Solene de abertura dos trabalhos legislativos para o ano de 2015. A sessão contou com a presença de sete dos nove vereadores. Doriedson Oliveira (PCdoB) e Ana Dalva (PPS) não compareceram. O primeiro estava em viagem inadiável a Aracaju e a ex-presidente está com Chicungunha e em absoluto repouso. No espaço popular, o prof. José Mário usou o tempo para falar do projeto de iniciativa popular, com o objetivo de melhorar a fiscalização na prestação de contas de recursos públicos. Também marcou presença o secretário de administração e finanças Beto Fonseca. Ele colocou a sua pasta ao inteiro dispor dos vereadores e foi também retribuído com gesto idêntico do presidente da Câmara, vereador Giomar Evangelista. Marcou também presença o professor Gilvândio, presidente do Sindheli.
O presidente do legislativo aproveitou a oportunidade e comunicou ao público que não haverá sessão nesta segunda-feira (23) porque todos os políticos estarão em Salvador, em audiência no TRE, para tentar reverter a tentativa de transferir Heliópolis para a comarca de Ribeira do Pombal, o que representaria aumento de custos para os eleitores.
Piso dos professores
Baixando a guarda e dando demonstrações de que a acirrada disputa já é caso passado, o vereador Giomar Evangelista convocou o secretário Beto Fonseca para uma conversa com os membros da casa, depois que o secretário informou que já estava pronto o Projeto de Lei sobre o aumento do piso salarial dos professores e a equivalência dos salários dos servidores ao novo salário mínimo. Disse o secretário que a demora era a aprovação na Câmara. Giomar não mediu tempo e afirmou que se o projeto chegasse ainda pela manhã, ele convocaria tantas sessões quantas fossem necessárias para que os servidores recebessem o mês de fevereiro já com o novo salário e a diferença do mês de janeiro, já que ambos retroagem a 1º de janeiro de 2015. 
E assim foi feito. Foram três sessões extraordinárias e os projetos, em rito de urgência urgentíssima, foram aprovados por unanimidade. O menor salário pago a um servidor em Heliópolis será de 788 reais. Um professor, com 25 horas/aulas, receberá exatos 1.200 reais no início da carreira. Os vereadores voltam a ser reunir agora dia 2 de março, data provável da despedida da vereadora Ana Dalva, que deverá pedir licença para assumir a secretaria municipal de saúde do município.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Dilma atrasa repasses do Pronatec

Na pátria da educação, nunca antes na história do país o problema havia ocorrido. MEC admitiu o problema, e informou que foram liberados 119 milhões de reais para normalizar o fluxo de pagamentos do ano passado. O atraso pode chegar a 4 meses.
As 500 escolas particulares que aderiram ao Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), uma das principais bandeiras do governo Dilma Rousseff na campanha eleitoral do ano passado, estão sem receber repasses do governo federal desde outubro de 2014. Segundo reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, a verba da União destinada ao programa costumava chegar às escolas nas primeiras semanas do mês, mas, para a maioria das instituições, o último repasse foi feito em novembro do ano passado, referente às aulas dadas em setembro. O Ministério da Educação admitiu o atraso nos pagamentos – e afirmou que foram liberados 119 milhões de reais para regularizar o fluxo das mensalidades referentes a 2014.
Diretores de instituições de ensino ouvidos pelo jornal relatam que a explicação dada pelo governo é o bloqueio dos recursos públicos. O Ministério da Educação confirmou à Folha a demora no pagamento de janeiro, creditando o fato ao atraso na aprovação do Orçamento. Nada disse, contudo, em relação aos meses anteriores. Em nota enviada ao site de VEJA, o ministério afirma que o pagamento de cada parcela pode ser feito em até 45 dias após o vencimento do mês de referência.
Algumas escolas afirmam ainda que tiveram de pegar empréstimos bancários para bancar os custos das aulas – e terão de adiar o pagamento de professores. Se o problema persistir, elas ameaçam deixar o programa.
O foco do Pronatec é qualificar mão de obra para o mercado de trabalho, aumentando o número de vagas de educação profissional oferecidas em institutos federais, escolas técnicas vinculadas a universidades federais, redes estaduais e o Sistema S (Senai, Senac, Senar e Senat). Os cursos são gratuitos.
Ao longo da corrida eleitoral do ano passado, Dilma tentou consolidar com o Pronatec uma marca de sua gestão na área de educação, assim como o ProUni foi utilizado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o eleitorado jovem. Ela chegou a chamar o programa de a "maior reforma da educação profissional já feita no Brasil". Por isso também, utilizou-o como objeto constante nas suas agendas de viagens pelo país durante a campanha.
Confira na íntegra a nota do MEC:
O MEC informa que foram liberados R$ 119 milhões para regularizar o fluxo de pagamento referente às mensalidades de 2014 para instituições privadas. A liberação dos repasses este ano está dentro do previsto, lembrando que o pagamento de cada parcela pode ser feito em até 45 dias após o vencimento do mês de referência.
As instituições privadas participam da iniciativa Bolsa-Formação do Pronatec, na oferta de cursos técnicos subsequentes por meio do Sisutec – Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica. O MEC esclarece que as instituições privadas representam cerca de 7% das matrículas totais do Pronatec. Por meio dessa ação, foram realizadas cerca de 440.000 matrículas em 2014, além das cerca de 150.000 iniciadas em 2013.
O pagamento dos valores é realizado em parcelas, a partir do registro de frequência do beneficiário no SISTEC pela instituição, bem como da confirmação pelo próprio aluno, com senha pessoal e intransferível. Em 2014, foram repassados cerca de R$ 640 milhões a instituições privadas. Atualmente, não há previsão de alteração na forma de repasse, considerando que a introdução da confirmação de frequência pelo estudante foi uma inovação que tornou o processo mais transparente e seguro.
Com informações do portal da revista VEJA.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Da Beija-flor ao vírus B

                                       Landisvalth Lima
Comissão de frente de Beija-flor - Campeã de 2015 (foto:UOL)
Tenho a impressão de que pareço não ser uma pessoa normal. Tenho dificuldades em engolir certas coisas que muitos acham perfeitamente aceitáveis. Devo ser um caso perdido de repulsão ao tolerar o intolerável. Poderia muito bem deixar o bonde passar e ver tudo com os olhos do acaso, aceitando os fatos de forma natural para que doam menos. Mas não tem jeito. Sou um incurável questionador. Por isso começo já com a vitória da minha querida Beija-Flor de Nilópolis.
Antes de mais nada, o título foi merecido pelo desfile, pela garra, pela estética. Mas juro que torci para que os jurados cometessem alguns erros para que a escola não levasse esse título. Explico: A Beija-Flor foi a terceira escola a entrar na Sapucaí na segunda-feira do Carnaval carioca, defendeu um enredo patrocinado pela Guiné Equatorial, país africano comandado há 35 anos por Teodoro Obiang Nguema Mbasogo. Este sujeito, segundo a Anistia Internacional, é acusado de violações de direitos humanos, tortura e prisões arbitrárias.
O tema não foi nenhuma gratidão da escola de Nilópolis. A agremiação recebeu R$10 milhões de patrocínio daquele país. A Guiné Equatorial possui apenas a área do Estado de Alagoas, mas é o terceiro produtor de petróleo da África. Por outro lado, seu povo vive na miséria e o país está em 144º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU.
O país é formado por cinco ilhas e um território no continente. Lá não há distinção entre governo e seu presidente, Teodoro Obiang Nguema, no poder desde 1979. Ele pretende ainda passar a coroa a seu filho Teodorin, vice-presidente. Desde a independência em 1968, o país é uma ditadura brutal. Quem protestar contra Obiang e seu clã está com os dias contados. Lá não existe oposição. O primeiro presidente, seu tio Macias Nguema, um ditador comparado a Pol Pot do Camboja, foi deposto e executado sem piedade em 1979 pelo sobrinho e atual presidente Obiang.
Como se pode comemorar um título deste? A Beija-flor está ajudando a preservar uma ditadura na África. Os mais capitalistas vão dizer: o problema é deles! Engano. O problema é de todos nós. O mundo está ficando pequeno demais. O que está acontecendo na Líbia, na Síria, em Paris vai nos afetar direta ou indiretamente, mais cedo ou mais tarde. Este 13º título da Beija-flor deveria ser esquecido porque a única coisa que ele vai fazer é popularizar uma ditadura inaceitável nos tempos modernos.
Nós precisamos tomar cuidado com o que estamos promovendo nos tempos atuais. Um personagem na TV faz sucesso por criar um império com contrabando de pedras preciosas. Um governador é eleito, mesmo depois de fazer frente a professores e policiais que lutavam por direitos justos e legais. Uma presidenta é eleita mesmo depois de mentir sobre os adversários, dizendo que eles fariam coisas terríveis. O candidato mais votado da oposição é considerado um dos piores senadores do Congresso. O eleito melhor senador da nossa combalida república perde a eleição para um político equilibrista em cima do muro..... 
Estamos doentes? Estamos contaminados pelo vírus da bestialidade? Será que, mesmo diante de tanta informação, mesmo tendo substancial ajuda da evolução tecnológica, será que paramos de evoluir mentalmente e estamos involuindo, regredindo para a animalidade? Não posso aceitar a ideia de que uma infecção generalizada da bestialidade contamina a todos nós e estejamos urgentemente necessitando encontrar uma arcádia. Fazendo uma relação com o filme Resident Evil, parece que somos fruto de uma das experiências da Umbrella Corporation e que vivemos misteriosamente em outra realidade, como se nada tivesse acontecido no Brasil, mesmo depois das sequelas do vírus B (Bestial), que fazem a gente viver como zumbis famintos por realizar uma besteira após a outra. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Governo do PT pagou a jornais inexistentes

Jornais forjados para receber propina do governo
Em reportagem de João Carlos Magalhães e Ranier Bragon, a Folha de São Paulo revelou que um relatório feito pela Presidência em 2013 confirma indícios de que o governo federal pagou anúncios em jornais inexistentes no ABC paulista. Apesar da sanha do Partido dos Trabalhadores de controlar a mídia, parece não haver nenhum problema se a mídia em questão não existir e aceitar propina.
O relatório de auditoria da Secretaria de Controle Interno da Presidência, feito a partir do trabalho da Controladoria-Geral da União, foi instado por texto da Folha, de 2012, e chegou a conclusões parecidas às da reportagem. Segundo a auditoria, entre 2008 e 2012, final do governo Lula e início do governo Dilma, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência pagou R$ 364,6 mil a cinco jornais do Grupo Laujar de Comunicação S/A, de São Bernardo do Campo.
Os auditores concluíram que os jornais "resumem-se a quatro páginas cada um", com notícias repetidas, cujas "informações e imagens" são "cópias de reportagens de sites de notícias sem atribuição de créditos", aspectos que seriam "indícios de fraude". Os jornais traziam três anúncios: um da Unimed com números de telefone genéricos; outro sem identificação; e o terceiro, do governo. No endereço da sede do grupo, os fiscais encontraram um "sobrado residencial". Os vizinhos do suposto parque gráfico desconheciam a existência de atividades no local.
Os auditores também visitaram 35 bancas de jornal e contataram outras 21. A única que conhecia um dos títulos investigados, o "Jornal do ABC Paulista", do qual havia recebido dois exemplares para venda naquele dia, fora indicada pelo dono da Laujar. O relatório conclui que "os periódicos entregues como prova à Secom foram forjados". A declaração em cartório sobre a tiragem dos jornais, diz o texto, "é falsa".
Em 2012, a Folha mostrou que a Secom gastara, desde 2011, R$ 135,6 mil para anunciar nesses jornais. Em 2014, revelou que, entre 2004 e 2012, estatais federais pagaram R$ 1,3 milhão à empresa. A reportagem, que descrevia os jornais com as mesmas características apontadas no relatório, mostrava que eles não eram vendidos nem tinham registros conhecidos. O relatório recomenda que a Secom apure o que aconteceu e tome medidas administrativas. A secretaria afirma que o processo está aberto e espera resultado de uma investigação também em curso feita pela Polícia Federal.
Até mesmo jornais falsos foram forjados para alimentar o “projeto criminoso de poder” engendrado pelo Partido dos Trabalhadores, como disse bem o ministro Celso Melo, do STF. Tudo isso recheado por um falso discurso moralista e a criação de uma suposta elite perversa que, sem dó e nem pudor, sugava todas as oportunidades da classe trabalhadora deste país. Contra tal elite vale tudo, inclusive corromper pessoas e roubar o estado.


domingo, 15 de fevereiro de 2015

Fim do voto obrigatório na pauta do Congresso Nacional

O fim do voto obrigatório começa a ser discutido no Congresso Nacional. O tema é um dos itens da reforma política prevista em proposta de emenda constitucional (PEC) que começou a tramitar na Câmara na semana passada, quando foi instalada uma comissão especial para analisar a matéria. Norma constitucional implantada no país em 1934, o dever de comparecer às urnas imposto aos cidadãos dos 18 aos 70 anos de idade não encontra muitos exemplos mundo afora. Dos 193 países reconhecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), apenas 24 adotaram essa imposição.
Diante da pouca adesão, para muitos críticos prova cabal de que a democracia não depende do voto compulsório, por que então obrigar o eleitor brasileiro a votar de dois em dois anos? Para a historiadora e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Regina Alves da Silva, o interesse está ligado à “política do compadrio” relacionada a afilhados políticos, que significa mão dupla para favores entre correligionários e eleitores.
Regina explica que esse fisiologismo que envolve especialmente políticos e, em certa medida, eleitores com troca-troca de benesses reflete a pouca experiência brasileira com o exercício da democracia. “Temos pouco mais de 500 anos de história e nem 50 de regime democrático”, pontua a historiadora. De acordo com ela, diante desse quadro, o voto não é encarado com “consciência política”. Ao contrário, lamenta Regina, “não há ideia de representação política, mas de troca de favores”. Regina afirma ainda que considera indefensável o argumento dos que querem a manutenção do voto obrigatório. Para os defensores da atual regra, o fim da obrigatoriedade significaria “enfraquecer” o pleito eleitoral, já que eles vislumbram forte abstenção do eleitor descrente com a política. “É importante deixar claro o nosso grau de indigência política, dar trabalho aos políticos, que teriam que nos convencer a sair de casa para votar neles”, argumenta a historiadora. Ela acredita que está na hora de o país inaugurar o voto facultativo, sinônimo de “amadurecimento e voto responsável”.
Enquete
A defesa veemente da historiadora e professora da UFMG Regina Alves da Silva para o fim do voto obrigatório encontra eco na enquete feita pelo portal Uai/em.com.br durante três dias da semana passada. Dos 1.620 internautas que votaram, 1.413 (87,23%) disseram sim à derrubada da norma constitucional. O não obteve apenas 207 (12,77%).
Para o professor da Universidade de São Paulo (USP), doutor em comunicação e especialista em marketing político Gaudêncio Torquato, embora o voto facultativo espelhe uma democracia mais robusta, a implantação no Brasil dessa regra envolve “aspectos positivos e negativos”. Antes de explicá-los, Torquato ressalva que é favorável ao fim da obrigatoriedade de ir às urnas. Ele reconhece, entretanto, que acabar com a norma constitucional pode provocar efeitos “perniciosos” para a democracia brasileira, do ponto de vista da educação para o exercício pleno da cidadania. “É preciso educar o povo e o exercício do voto ajuda. Quanto mais (o cidadão) votar, melhor. Talvez prejudique um pouco a cidadania o fim do voto obrigatório”, raciocina Torquato.
A dúvida do professor, entretanto, é logo suplantada por outro questionamento, formulado por ele próprio, ao ser perguntado sobre a quem interessa o voto obrigatório. Ele responde de imediato: “Ao coronelato. Talvez estejamos em um momento de libertação desse caciquismo político, de construir o exercício do voto consciente. Talvez devêssemos experimentar”, afirma.
Critérios
Entretanto, Torquato condiciona a revogação do voto à aprovação, também na reforma política em debate, de alguns pré-requisitos. Ele lista o fortalecimento das legendas políticas a partir da implantação da cláusula de barreira (representação nos estados) para coibir a proliferação das siglas partidárias, em especial as legendas de aluguel; imposição da fidelidade partidária para evitar a fusão entre partidos com objetivos fisiológicos; e também o fim do voto proporcional para eleição dos parlamentares. Sobre esse último tema, o professor defende que os eleitos sejam os mais votados.

Reportagem no portal do Diário de Pernambuco.

Saber ler e escrever para pensar

Milton Hatoum: Sem oportunidades de educação para todos não há meritocracia 
(Foto:Camila Fontana/Editora Globo)
Em entrevista feita por Camila Guimarães para a revista ÉPOCA, Milton Hatoum afirma que Falta formação educacional consistente. Para o escritor amazonense, autor de 'Dois irmãos', a baixa qualidade do ensino público não forma alunos pensadores, capazes de escrever.
ÉPOCA – Por que tanta gente escreve mal?
Milton Hatoum - Não há mistério. Falta uma formação educacional consistente. Como um jovem estudante brasileiro pode elaborar um pensamento se ele mal consegue ler e escrever? Como expressar esse pensamento com a fala e a escrita?  Quando penso na relevância da leitura e no seu papel central na formação da cidadania, penso também na qualidade da escola pública.
ÉPOCA – Mas é só a escola? A família não tem influência?
Hatoum- Ambos têm papel fundamental na formação adequada dos jovens como escritores competentes. Mas é preciso ressaltar que a pobreza e a miséria dificultam e até inviabilizam uma razoável formação educacional. É um círculo vicioso: os professores da escola pública são mal remunerados, as condições de ensino são precárias e a posição social dos pais dos alunos é desfavorável, quando não dramática.
ÉPOCA – Como romper esse círculo vicioso?
Hatoum - A meu ver, os governadores e os 5.570 prefeitos (dos municípios) são diretamente responsáveis pela qualidade da educação. Será que esses políticos (ou a maioria deles) pensam na formação educacional das crianças e jovens brasileiros? Estão sensibilizados com essa questão? Tenho dúvidas. Por outro lado, a classe média paga impostos e paga a mensalidade escolar de seus filhos, sem contar o plano de saúde. Por isso a nossa democracia é manca, é apenas uma caricatura de democracia. Só se pode falar de mérito quando há oportunidades iguais, daí a importância da escola pública de qualidade. 
ÉPOCA – Escrever bem é uma habilidade valorizada socialmente no Brasil? Pela sua experiência, a sociedade francesa, por exemplo, prestigia mais a boa escrita?
Hatoum - A literatura é uma espécie de culto na França. Jorge Luis Borges menciona “a quase infinita literatura francesa”. Um romance que ganha o prêmio Goncourt conquista, na pior das hipóteses, cem mil leitores. Ler e escrever bem são tarefas da escola pública francesa, que ainda é razoavelmente consistente. Isso faz parte de uma longa tradição, foi uma conquista da Revolução Francesa, que privilegiou o ensino laico e universal. A mesma coisa ocorre na Alemanha, na Inglaterra e em outros países europeus. Nesses países, e a Inglaterra é um exemplo notável, o estudo da História e das Humanidades é levado a sério.
ÉPOCA - E no Brasil?
Hatoum - A interrupção brusca e brutal do processo democrático teve repercussões graves na qualidade do ensino público e, consequentemente, na sociedade brasileira. Todos sabem como tem sido penoso reparar essa falha histórica. Talvez minha geração seja um elo perdido entre os anseios e promessas de uma educação pública de qualidade e o descaso a essa política educacional durante o regime militar. Penso que a literatura pode aguçar a sensibilidade dos leitores e, não raramente, dotá-los de uma consciência crítica sobre a nossa sociedade e o tempo em que vivemos. A literatura, sem ser panfletária ou rasa, pode muito bem contribuir para a formação da cidadania.