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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Bahia compra ferry-boats em salão de beleza

                                                 Landisvalth Lima
Ferry-boat Zumbi dos Palmares (foto:TV Bahia)
Já não mais assombra ninguém notícia sobre corrupção no Brasil. Depois que vi pessoas renomadas votarem em certos candidatos e justificarem com o argumento de que “roubam, mas promovem justiça social” entendi o motivo de tanto desmando no país. Pior ainda é aqui na Bahia. Todos parecem surdos, cegos e mudos quando o assunto é desvios de recursos públicos. Não chega a ser fato novo, mas a compra daqueles ferries fica cada vez mais sem explicação. Agora se sabe que a sede da empresa portuguesa Happy Frontier LDA, que vendeu dois ferry-boats gregos por R$ 55,8 milhões ao governo do estado, por meio de licitação, funciona em um salão de beleza, segundo reportagem do Correio desta terça-feira (4).
Não é de agora que a compra das embarcações tem sido questionada pelo representante de empresas gregas que desistiram da concorrência, Marcos Espinheira. Ele encaminhou denúncia ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). Relator do processo, o conselheiro do TCE Pedro Lino afirmou, em entrevista ao portal Bahia Notícias, que havia “fortes indícios de crime” na aquisição dos ferries. A suspeita sobre a sede da empresa que firmou contrato com o governo baiano foi levantada inicialmente pelo professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Fernando Conceição, em seu blog.
Sede da empresa em Portugal (foto:Paula Cosme Pinto/Correio)
De acordo com o Correio, em novembro de 2013, quando vendeu os dois ferries, a Happyfrontier tinha como objeto o “comércio por grosso de electrodomésticos e afins, mobiliário e outros bens e equipamentos para o lar”. A empresa só mudou o objeto social e passou a vender navios a partir de abril deste ano. Ou seja, previram a besteira que fizeram e estão tentando consertar. Fosse num país sério, muita gente já estava na cadeia.
Quando os benditos ferres foram comprados, a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) era chefiada pelo vice-governador, também titular da pasta, agora eleito senador, Otto Alencar (PSD). O atual titular da Seinfra, Marcus Cavalcanti, disse desconhecer que a empresa funcione em um salão de cabeleireiros, mas justificou que a legislação brasileira não obriga que o governo vá até a sede da empresa. Ele também afirma que a documentação dos navios, dos proprietários e dos procuradores foi analisada tanto pela pasta quanto pelo Ministério Público (MP), que não viram problema no fato de a Happy Frontier não ter autorização para comercializar navios à época do contrato. Claro que não há problema! Imaginem se alguém vá se importar em comprar carros em uma farmácia ou remédios em um abatedouro?

Com informações básicas do CORREIO e do Bahia Notícias.