Exclusivo!

Novo Triunfo é a cidade mais pobre do Brasil

Novo Triunfo é a cidade mais pobre do Brasil (foto: Google) Ser Nordeste duas vezes não é fácil. Nossa região está localizada no Norde...

Novidade

domingo, 8 de dezembro de 2013

Que futuro Heliópolis planeja para os seus jovens?

Em meio às drogas, desemprego e baixa qualidade educacional, as perspectivas para o futuro juvenil em Heliópolis são desalentadoras.

Verônica: a causa está na família
O desenvolvimento de uma cidade se deve em parte pela formação e estrutura de sua sociedade. Em todos os agrupamentos urbanos do mundo há uma oscilação entre pontos positivos e negativos. O objetivo dessa reportagem foi fazer uma pesquisa de campo no quesito das perspectivas de desenvolvimento da juventude em Heliópolis, Estado da Bahia, e os resultados não são dos mais animadores.
As informações documentais colhidas em diversos órgãos da cidade são incompletas, imprecisas e atrasadas. Isso dificultou o nosso caminho ao objetivo final, complicando toda e qualquer análise da verdadeira situação municipal. Não há dados específicos. Em decorrência disso, optamos pelas entrevistas.
Em uma visita ao Conselho Tutelar da cidade no último dia 03 de dezembro, foram levantados alguns questionamentos sobre o trabalho infantil. Um dos funcionários públicos do local, José Neves Santos, nos respondeu que "existe a Lei que proíbe. Todo mundo sabe que tem, que menores não podem trabalhar. Mas se fosse pra a gente intervir, muita gente ficaria com fome, porque algumas pessoas aqui ainda passam fome! Aí tem muitas crianças que trabalham pra ajudar seus pais ainda. A gente sabe que é errado, mas não tem jeito, vai fazer o que?".
É fato que a realidade social de Heliópolis é sofrida e muitos jovens e crianças precisam ajudar os pais na manutenção da renda familiar. Como uma cidade funciona com um órgão em prol do bem comum, que sabe que o problema existe e só sabe questionar o que fazer? O colapso é reflexo da falta de organização da gestão pública, da falta de planejamento e, principalmente, da falta de política pública de gestão. O que crianças e jovens precisam é primordialmente de educação, que consequentemente gerará emprego e renda.
Questionamos sobre o cenário das drogas, e o Conselheiro nos disse: “É muito alto (o uso de drogas), de 10 jovens no mínimo 1 usa drogas ou coisa parecida, álcool ... A maior queixa e números de denúncias que o Conselho recebe é de jovens usuários de maconha. Não tem muito o que fazer não, por que a gente não pode punir, a gente envia um relatório pro promotor e ele manda um oficio pra nós encaminharmos esses jovens pra uma clínica de reabilitação, mas como aqui não tem nenhuma, nunca nenhum jovem foi internado".   
Um descaso descarado e explícito ao que se diz à saúde pública e segurança no município. A falta de comprometimento do estado, faz com que não se enxergue que 10% dos jovens (se não for maior) entrem num estado deplorável, que é o caminho das drogas e do álcool. O planejamento não parece existir, já que as falhas nesses setores são visíveis e praticamente não há atuação em benefício dos atingidos pelos vícios, enquanto as portas da marginalidade estão todas abertas para eles. Está claro que o governo pouco se importa com a sociedade, principalmente quando se trata de programas com retorno social a médio e longo prazos. Parece que a única coisa que planejam é um conjunto de cartas para usá-las no período de 4 em 4 anos.
Quelton: necessidade de atenção
Quando questionada sobre as causas dos jovens de Heliópolis que se encontram dispersos, desorientados socialmente e ingressos no mundo das drogas e da criminalidade, a Psicóloga do CRAS - Centro de Referência de Assistência Social - Verônica Andrade, apontou que o principal motivo dessa desordem juvenil que assola o município são as famílias desestruturadas.   Analisando o quadro que Heliópolis se encontra, a desestruturação dessas famílias não é a principal causa dessas desordens, mas consequência de um problema ainda maior que a antecede. Fatores como emprego, educação, saúde, lazer, cultura são imprescindíveis para a formação de uma boa base familiar. Essas obrigações são de competência dos governos e é nítido que há uma falha enorme desse órgão em suas atuações no município, visto que a organização político social é precária e as famílias são descrentes de um futuro melhor. A junção dessas arbitrariedades públicas geram condutas cada vez mais banalizadas e frustradas nos respectivos jovens.
José Quelton Almeida, Secretário de Educação, nos disse o seguinte, em um depoimento: "Muitos jovens de Heliópolis, hoje, apesar das poucas oportunidades, têm a possibilidade de terem um futuro promissor. Mas temos uma parcela menor de jovens com acesso à universidade, e uma parcela enorme de jovens dispersos, no caminho do desinteresse, das drogas, alguns até na prostituição, banalizando mesmo suas vidas. E tudo isso requer uma atenção maior da educação, da saúde, da assistência social, das famílias...
Atenção? Isto não é ação! Se há possibilidades por que não explorá-las? Por que não promover as oportunidades necessárias? A teoria é a coexistência de uma hipótese, mas uma hipótese não comprovada e não aproveitada é só teoria, e teoria não testada não gera resultado! Falta na secretaria de educação do município alguém que vá além das teorias.
Se na educação só encontramos atenção, continuamos nossa ação em busca do objetivo delineado e ouvimos as palavras pronunciadas pela secretária de Ação Social, Maria Zizélia Alves de Souza Maranduba: “A justiça obriga que o município faça concurso, então cada dia que passa o nosso município está limitado em relação a emprego. A partir do momento que vem esse concurso aí, o trabalho aqui vai ficar complicado (...) Concurso não é uma coisa boa não minha amiga, eu falo como mãe, não é fácil ter que ver seus filhos saírem daqui porque chega uma certa idade e eles tem que arrumar trabalho e como aqui não vai ter, eles terão que sair da cidade. Existe essa questão partidária e nem isso vai ter mais. (...). Então essa questão de concurso eu não acho vantagem não”.
Zélia: contra o Concurso Público
Nas palavras da secretaria Zélia, podemos ver bastante descrença na capacidade intelectual de seus conterrâneos quando ela diz: “O trabalho aqui vai ficar complicado”. Será mesmo que os Heliopolenses não obterão cargos concursados exigidos pela Justiça? E nos concursos feitos em várias cidades da nossa região, e também no estado vizinho de Sergipe, conseguimos ter alguém aprovado? Ou será que a nossa secretária é adepta do coronelismo que impera, quando ela cita a futura inexistência partidária, e consequentemente o não benefício para os despreparados que ocupam cargos de tamanha importância na prefeitura?  Todos sabemos que só estão ali por interesses políticos e não por competência. É com uma ideologia assim que Heliópolis vive cada vez mais imersa no declínio. Seria ela a pessoa adequada para exercer o cargo de secretária municipal de ação social?
Alguns dias depois da entrevista realizada com dona Zélia, ela nos enviou um relatório com o programa que a Secretaria Municipal de Assistência Social tem para oferecer aos jovens da cidade. O programa é o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Crianças e Adolescentes (S.C.V.F). Mas o intuito da desta reportagem é retratar os programas que O MUNICÍPIO oferece em benefício de seus adolescentes. O S.C.F.V é um programa do governo federal, que é implantado em todas as cidades do Brasil. Sendo assim, fica nítido o descaradamente do órgão municipal que não faz nada em prol da causa, mas tenta se engrandecer com projetos de outros governos.
Infelizmente, o que se tem visto é um comodismo por parte da gestão pública. A falta de infraestrutura, incentivos fiscais para que grandes empresas possam vir, e consequentemente gerar mais empregos, criar recursos para a área de saúde, segurança e projetos educacionais. Em suma, valorização da inteligência, do saber. A viabilização dessas bases com certeza alavancaria o desenvolvimento da cidade e diminuiria drasticamente esses péssimos índices sociais. Porém, o quadro que se vê é de uma Heliópolis que não é somente aprisionada pelo poder dos coronéis políticos, que acorrentam a população e limitam seu desenvolvimento, como ocorre desde sua emancipação, mas uma cidade onde os índices de desenvolvimento e estatísticas são desanimadores. A educação continua estagnada, beirando o retrocesso, à medida que cresce a criminalidade e aumenta o alcoolismo e o consumo de drogas. Uma mudança de roteiro é capaz de mudar o cenário e consequentemente a história de seus personagens. Uma Heliópolis diferente é possível, mas competência política é essencial para tudo acontecer!

               Reportagem de Juliana Silva Oliveira, Naiane dos Santos Ribeiro, Pedro Igo Souza Santos e Wallas Almeida Vital, como avaliação da disciplina Redação e Expressão, ministrada pelo professor Landisvalth Lima, no 3º ano A do Colégio Estadual José Dantas de Souza.