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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

PMs do Rio recebiam 160 mil por mês do tráfico


     MARCO ANTÔNIO MARTINS – da FOLHA DE SÃO PAULO
Djalma Beltrami: encrencado!
     O titular da Delegacia de Homicídios de Niterói (RJ), Alan Luxardo, disse na manhã desta segunda-feira que escutas telefônicas incriminam o comandante do 7º Batalhão da PM de São Gonçalo, tenente-coronel Djalma Beltrami, preso mais cedo sob acusação de tráfico de drogas e corrupção. Segundo o delegado, Beltrami e outros 12 PMs recebiam R$ 160 mil por mês do tráfico. "Há fortes indícios da participação dele [comandante Beltrami] no esquema, só que no momento muita coisa deve ser mantida em sigilo para não atrapalhar as investigações. É certo que os policiais do GAT (Grupo de Ações Táticas) do batalhão recebiam quantias semanais pagas por traficantes da região. Esse valor chegava a R$ 160 mil mensais", disse o delegado. De acordo com Luxardo, a investigação começou há sete meses, quando o tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira ainda estava à frente do comando. Há cerca de dois meses, Oliveira foi preso sob acusação de ser o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli. "Se comprovou que após a mudança no comando houve novo pagamento de propina com participação do coronel Beltrami", destacou o delegado Alan Luxardo. Desde cedo, a corregedoria da PM e a CGU (Corregedoria Geral Unificada) cumprem os mandados de prisão referentes aos militares. No final da manhã, Beltrami prestava depoimento na Delegacia de Homicídios de Niterói. Ele foi preso preventivamente. A Polícia Civil informou que Beltrami nega as acusações. Escutas telefônicas também apontam que traficantes foragidos do Complexo do Alemão atuavam no morro da Coruja, localizado em São Gonçalo. Eles seriam responsáveis pelo envio de drogas do Rio para a comunidade e favelas comandadas pela facção criminosa Comando Vermelho, na região dos Lagos. Segundo investigações da Polícia Civil, ele recebia através de equipes do GAT (Grupo de Ações Táticas) propina de criminosos para não reprimir o tráfico de drogas. Beltrami foi levado para a Delegacia de Homicídios de Niterói, também na região metropolitana. A Folha entrou em contato com a PM, mas ainda não obteve retorno. A Polícia Civil ainda tenta prender outros policiais militares suspeitos de receber propina de traficantes. Ao todo, devem ser cumpridos 26 mandados de prisão, sendo 13 contra PMs. A operação chamada Dezembro Negro começou após investigações sobre homicídios praticados por traficantes em São Gonçalo. Durante as investigações, foi descoberto o esquema de corrupção de PMs.
     JUIZ
     Beltrami assumiu o comando do 7º Batalhão após a saída do tenente-coronel Cláudio Oliveira, acusado há cerca de dois meses de ser o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli. O comandante também estava entre as equipe acionadas após o massacre na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo (zona oeste do Rio), em abril deste ano, quando um rapaz entrou na unidade e atirou contra diversas crianças e depois se matou. Doze pessoas morreram na ocasião. Além da carreira na PM, Beltrami também exerceu a profissão de árbitro durante 20 anos. Conhecido nos gramados como "juiz linha dura", ele se despediu do cargo no primeiro semestre deste ano na decisão do Troféu Carlos Alberto Torres entre Madureira e Boavista. Juiz da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro desde 1989 e da CBF desde 1995, o tenente-coronel Beltrami também participou da retomada do Complexo do Alemão em novembro do ano passado.