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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Reportagens de VEJA mostram fragilidades da nossa educação


Educação: Só 11 estados aprovam mais de 80% dos alunos no 6º ano
Pesquisa do Inep revela que as primeiras séries de cada ciclo escolar concentram picos de reprovação e abandono. Alunos dos primeiros anos de cada ciclo são mais reprovados (Agência Brasil )
De todos os alunos matriculados no 6.º ano do ensino fundamental das redes estaduais de Alagoas, Sergipe e Rio Grande do Norte, no ano passado, apenas a metade foi aprovada para a série seguinte. A outra parte foi reprovada ou abandonou a escola. Os dados - divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e tabulados para o jornal O Estado de S.Paulo pelo economista Ernesto Martins Faria, da Fundação Lemann - mostram como as primeiras séries de cada ciclo escolar são as que concentram os picos de reprovação e abandono. Considerando as 27 unidades da federação, por exemplo, só 11 delas aprovam mais de 80% dos estudantes no 6.º ano (antiga 5.ª série). Uma situação que se agrava ainda mais no primeiro ano do ensino médio, quando nenhum estado atinge os 80% de aprovação. Nesse caso, além do alto índice de reprovação, cresce também o porcentual de alunos que abandonam os estudos. No Rio Grande do Norte, o índice dos que saíram da escola foi somente de 29%. "São as dificuldades da transição. Quando vai para o 6.º ano, além da mudança do formato - ele passa de um para vários professores -, alguns estudantes também saem da rede municipal e vão para a estadual. Isso impacta", explica Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann. No caso do ensino médio, acrescenta Mizne, os índices de reprovação mostram que, além do currículo desinteressante, há uma falta de aprendizagem acumulada. "É só lembrar que, como mostra a Prova Brasil, apenas 10% dos alunos terminam o fundamental com o conhecimento adequado de matemática." No Rio Grande do Sul, Estado que menos aprova no primeiro ano do ensino médio - apenas 54,2% estão aptos à série seguinte -, está prevista uma mudança curricular atrelada à conscientização docente. "Temos esse índice desde 1975. Precisamos fazer com que esses números sensibilizem diretores e professores", admite o secretário estadual de Educação, José Clovis de Azevedo.
Descaso - Segundo os especialistas, ao reprovar um aluno, a escola contribui para que aumente o porcentual de estudantes com distorção entre série e idade e pode fazer com que esse estudante se sinta estigmatizado. Isso além do impacto financeiro, que passa dos 14 bilhões de reais. Um sinal claro de que a escola não está cumprindo o seu papel. "Em um bom sistema educacional, o índice de aprovação beira os 100%", afirma Márcio da Costa, do grupo de pesquisas de sistemas educacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "Mas não adianta só decidir aprovar, é preciso verificar as causas da repetência e combatê-las." Segundo ele, há casos em que a reprovação pode ser uma forma de pressionar o aluno a abandonar a escola ou até uma punição por indisciplina. "Basta ver que, caso apresentem o mesmo rendimento, é mais comum o docente aprovar uma garota que um menino, que é tradicionalmente mais travesso", avalia. Para o professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Ocimar Alavarse, as reprovações refletem a característica excludente da educação brasileira. Em 2011, foram reprovados 9,6% dos estudantes do fundamental e de 13,1% do médio. "É inaceitável e segue a lógica restritiva de que estudar é algo só para os que são considerados bons. Não é. Toda criança fica nove anos no ensino fundamental e a tarefa da escola é garantir que elas saiam de lá parecidas", diz.. Mudar esse cenário é um movimento que, mesmo de forma lenta e sob pressão, deve começar a acontecer. Isso porque o fluxo escolar é um dos fatores que interferem no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), instituído em 2007, que, entre outros fatores, atrela o resultado educacional a repasses financeiros. No cálculo do Ideb, a nota de cada escola é a média entre a performance dos estudantes na Prova Brasil e o porcentual de aprovação. Logo, instituições com a mesma nota na prova podem ter índices de Ideb diferentes.
Conteúdo do ano não é cumprido por professores
(Eduardo Martino/Documentography)
Nas escolas brasileiras, o aluno é promovido de série sem que tenha tido acesso a todo o conteúdo previsto. Dados da Prova Brasil mostram que 75% dos professores desenvolvem menos de 80% do que deveria ser trabalhado no ano.Os dados foram tabulados pelo Estado a partir do questionário da Prova Brasil 2009, respondido por 216.495 docentes de instituições públicas de todo o país que dão aulas para alunos do 5.º e 9.º ano do ensino fundamental, público-alvo da avaliação. Os Estados da Região Nordeste apresentam os piores porcentuais de cumprimento do currículo. Nos Estados do Rio Grande do Norte, Alagoas, Ceará e Maranhão, por exemplo, quase 30% dos docentes não conseguem cumprir nem a metade do currículo proposto. Nesses locais, o índice de professores que conseguem cumprir mais de 80% do conteúdo previsto cai para apenas 10%. Um reflexo desse ensino incompleto está nos resultados da Prova Brasil. Quanto terminam o 5.º ano, 34,2% dos alunos têm conhecimento de português adequado à série. Em matemática, o índice é de 32,5%. Ao fim do 9.º ano, o rendimento piora ainda mais: apenas 14,7% dos alunos sabem o mínimo em matemática e 26,2%, em português. "Isso acontece porque os conteúdos são cíclicos, retornam em anos seguintes de forma mais complexa. Se o aluno não o aprendeu bem, não conseguirá acompanhar na série seguinte", afirma Maria Carolina Dias, especialista em Gestão Educacional da Fundação Itaú Social. Mas não basta responsabilizar o professor. O não cumprimento do conteúdo, segundo especialistas, reflete problemas complexos da educação brasileira, como a formação deficiente dos docentes, a falta de um acompanhamento pedagógico da escola e, principalmente, a necessidade de que o país implante um currículo nacional coerente e que priorize os conteúdos elementares.
Municípios não atingem nem metas modestas de educação
Relatório da ONG Todos Pela Educação revela que maior parte das cidades está longe de ensinar o que deve a alunos em língua portuguesa e matemática
Nathalia Goulart
A língua portuguesa representa o maior desafio para alunos e professores no fim do primeiro ciclo do ensino fundamental, que se encerra no 5º ano (antiga 4ª série). Já ao fim do segundo ciclo, que se encerra no 9º ano (antiga 8ª séria), é a matemática que se torna um obstáculo. É isso que conclui o movimento independente Todos Pela Educação, que estabelece metas de aprendizado para alunos de todos os 5.557 municípios brasileiros. De acordo com o relatório De Olho Nas Metas 2011, divulgado nesta terça-feira, em São Paulo, 52% das cidades do país não atingiram, em 2009, os objetivos determinados pelo Todos Pela Educação relativos ao desempenho de estudantes do 5º anos em língua portuguesa – as metas variam de cidade para cidade e levam em conta a situação prévia de cada uma delas. É uma péssima notícia, levando-se em conta que, em muitos casos, a meta já era modesta, como fazer com que os estudantes aprendessem ao menos parcela do que de fato deveriam. Entre as 26 capitais, 18 municípios não atingiram suas metas, além do Distrito Federal. Em Maceió (AL), por exemplo, apenas 17% dos alunos do 5º ano detêm os conhecimentos mínimos esperados para esta etapa do ensino fundamental. Já em matemática, 75,2% dos municípios brasileiros cumpriram as metas estabelecidas. Entre as capitais, todas evoluíram segundo o esperado. Contudo, mais uma vez é preciso considerar os dados com cautela. Macapá (AP), por exemplo, atingiu o objetivo para 2009, mas ele era modestíssimo: ali, só 13,2% dos estudantes detêm os conhecimentos mínimos esperados ao fim do 5º ano. Em Belo Horizonte, que também apresentou evolução satisfatória, pouco mais da metade (51%) ainda não sabe calcular adequadamente. No fim do 9º ano, segundo ciclo do ensino fundamental, a situação é inversa: matemática é o bicho-papão dos estudantes. Mais da metade dos municípios, exatos 56,1%, incluindo 21 capitais e o Distrito Federal, não atingiu as metas previstas. Exemplos assustadores são Salvador (BA), onde apenas 5,4% dos estudantes do 9º ano dominam conhecimentos básicos na disciplina. Em Florianópolis (SC), que também não registrou avanço, só 16,7% dos alunos aprenderam o que deveriam ao fim do segundo ciclo do ensino fundamental. Em língua portuguesa, 81,9% das cidades brasileiras ultrapassaram a meta imposta pelo Todos Pela Educação, incluindo todas as capitais e o Distrito Federal. Outra vez, os resultados, embora alcançados, chamam a atenção pela modéstia. Em Recife, 15,5% dos concluintes do ensino fundamental têm um aprendizado adequado à sua série.
Metodologia – Os dados por municípios divulgados nesta terça-feira analisam o desempenho dos estudantes do 5º e 9º anos do ensino fundamental com base nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2009, elaborado pelo Ministério da Educação (MEC). Esses dados são cruzados com as metas estabelecidas pelo Todos Pela Educação. Se todos os municípios atingirem os objetivos propostos pelo movimento ao longo da década, em 2022, cerca de 70% de todos os estudantes brasileiros terão um aprendizado adequado ao seu estágio escolar. A julgar pela prévia divulgada nesta terça-feira, é difícil acreditar que isso vá acontecer.
Análise
É preciso inverter a lógica do ensino no Brasil
Destinar maior volume de recursos ao ensino básico e fundamental é principal desafio do país no campo educacional
Keila Cândido
Com investimento na educação de base, universidade pública seria para todos (Nilton Fukuda/VEJA)
O estado brasileiro gasta com educação o equivalente aos países ricos, mas os resultados não poderiam ser mais diferentes. A razão de tamanha discrepância está no planejamento. Nos desenvolvidos há um trabalho de longa data no sistema educacional, com priorização do investimento no ensino básico e fundamental, qualificação dos professores e combate a desvios e desperdícios. Mesmo os países emergentes, com destaque para a China, têm adotado com sucesso essa estratégia. No Brasil, o sistema, além de caótico, funciona às avessas (veja quadro). Gasta-se absurdamente mais com a universidade pública, que, pela peneira do vestibular, abriga os mais ricos. Além disso, são conhecidos os desvios de recursos pela via da corrupção, a lentidão na promoção de mudanças e pauperização da classe docente (confira outras dicas). O governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o da presidente Dilma Rousseff pouco avançaram para inverter essa lógica – embora se percebam tanto uma leve queda do gasto público com ensino superior enquanto proporção do Produto Interno Bruto (PIB) per capita quanto um crescimento dos dispêndios nos outros níveis (veja quadro). O Partido dos Trabalhadores (PT) na Presidência da República escolheu, inclusive, a expansão da educação superior  como uma de suas plataformas políticas com o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). O resultado tem se mostrado um desastre. Universidades foram construídas em localidades com baixa demanda, enquanto outras expandiram o número de alunos sem que houvesse infraestrutura adequada. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), por exemplo, aumentou em 520% o número de vagas, mas faltam laboratórios, refeitórios e até salas de aula nos novos campi criados. No Rio de Janeiro, a expansão acontece em universidades de lata. Tudo isso proporcionado pela farra do desperdício de dinheiro público. Os escândalos recentes nas universidades federais mostram que ampliar o gasto não é condição suficiente para a reversão dos problemas da educação no país. Antes de tudo, é preciso saber planejar e gerir de forma eficiente os recursos públicos. “Não adianta ter muitas vagas e o ensino estar aquém do mínimo necessário”, disse Nilson Oliveira, do Instituto Fernand Braudel. Especialistas ouvidos pelo site de Veja defenderam a urgência da reforma do sistema educacional do país de modo a, primeiramente, reduzir a concentração dos recursos no ensino superior. Adicionalmente, mas não menos importante, é preciso investir na formação e remuneração dos professores; aumentar a carga horária do currículo; envolver mais os pais no universo escolar; combater a corrupção; tornar as transferências mais transparentes; apoiar a meritocracia; e diminuir a burocracia. Em resumo, tornar todo o sistema mais eficiente.
Privatização – Entre os especialistas uma ideia polêmica não é incomum: a privatização total ou parcial das universidades públicas. Eles argumentam que o Brasil deve seguir o exemplo de nações que têm educação pública de qualidade ao longo de quase toda a vida escolar e um ensino superior majoritariamente privado, como, por exemplo, a Inglaterra. Este modelo é tido como mais justo, pois os recursos, outrora consumidos pelas universidades estatais, destinam-se a melhorar a base do sistema de educação. Alunos provenientes tanto de famílias pobres quanto de abastadas passam assim a ter a mesmas oportunidades de aprendizagem para, no futuro, concorrer em condições mais equânimes nas instituições privadas. A barreira financeira para uma universidade no setor privado geralmente é vencida com linhas de financiamento de longo prazo com juros subsidiados. “As universidades, mesmo sendo públicas, devem ser pagas. Quem pode pagar, tem de pagar”, disse Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). “O principal problema da nossa educação é que não há interesse nem cobrança por parte de pais, professores e gestores por uma educação de qualidade. A maioria das coisas que precisam ser feitas pra melhorar esse estado de coisas custa pouco ou zero”. Gustavo Ioschpe, colunista de VEJA
(Com Agência Estado)