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terça-feira, 6 de março de 2012

Um guerreiro chamado Waldir Pires


Waldir Pires (PT) aos 85 anos!

     Na política baiana temos poucos e raros bons exemplos de homens públicos. E não é exagero dizer que estão ficando mais raros e que poucos serão substituídos. Perdemos Fernando Santana (PPS), mas ainda nos resta Waldir Pires (PT). Hoje, lendo o artigo de Samuel Celestino no Bahia Notícias fiquei seriamente tomado pela emoção. Celestino escreveu o que eu gostaria de escrever sobre o político íntegro que é Waldir Pires. Segue o artigo do Samuel, com os meus efusivos parabéns!
        Waldir Pires, guerreiro da liberdade
                     Por Samuel Celestino
     Waldir Pires que, aos 85 anos, declarou-se candidato a vereador por Salvador, pelo PT, é um exemplo de homem público. Puro, correto. Praticamente toda sua vida foi dedicada a essa atividade que iniciou com apenas 24 anos ao ser nomeado secretário de Estado pelo governador Régis Pacheco. Era filiado ao PSD. Isso na primeira metade dos anos 50. Na sequência, foi deputado estadual e líder do governo Antônio Balbino. Elegeu-se deputado federal em 1958. Em 1961 se candidatou a governador da Bahia e perdeu por uma diferença de 30 mil votos para Lomanto, então prefeito de Jequié e duas vezes presidente da Associação Brasileira de Municípios, na época uma entidade de muito destaque. Houve interferência da Igreja Católica, do então Cardeal Da Silva, que o via como “candidato dos comunistas”. No governo Jango, Waldir Pires assumiu o cargo de consultor-geral da República quando se vinculou a Darcy Ribeiro. Com o golpe de 1964, os dois foram os últimos a deixar o Palácio do Planalto, daí, cassados na primeira lista da ditadura, deixou o país em um monomotor (Yolanda, sua mulher e os filhos ficaram no Brasil) e se instalou no Uruguai, onde se encontravam Jango, Brizola e outros políticos perseguidos e cassados. Com dificuldades para se sustentar e a família, Waldir foi para a França, onde ensinou direito nas universidades de Dijon e Paris, por influência do grande economista Celso Furtado, também banido pela ditadura militar. Com direitos políticos suspensos, Waldir retornou ao Brasil em 1970, e, com o fim do AI-5, já nos anos 80, se candidatou ao Senado, perdendo para Luís Viana Filho, ele no PMDB, do qual foi fundador, e Viana na então Arena. Fazia dobradinha com Roberto Santos, também derrotado para o governo do Estado. Em 1986 se elegeu com uma explosão de votos governador da Bahia com o discurso da “Mudança”.  Dois anos depois renunciou para se candidatar a vice-presidente ao lado de Ulysses Guimarães, o andarilho, o caçador de nuvens, o anticandidato de 1973. Não teve êxito. Antes, foi ministro da Previdência Social. Nos anos 90, se candidatou ao Senado, na era ACM, e perdeu de forma estranha, nas últimas urnas apuradas. Na época, mapeavam-se votos, o que não significa dizer que houve mapeamento. Elegeu-se deputado federal. Recentemente, tentou ser senador, mas o PT não lhe cedeu legenda. Bem, de forma sumária é este e currículo deste homem notável, baiano de Amargosa, que tem o hábito de tomar uísque com água de coco, sempre pedindo desculpas aos escoceses que inventaram a bebida. Dedicou-se, como poucos, à defesa da democracia, ao estado democrático de direito. Agora, com idade avançada, demonstra o guerreiro que nele habita, o guerreiro imortal, e se candidata a vereador por Salvador. Honra a Bahia, honra Salvador com o seu desprendimento. Tenho por ele um respeito imenso e um carinho maior. Bravo, Waldir Pires.