Saímos bem cedo de Luís Eduardo Magalhães e fomos
providenciar um pneu para o Mobi. Nosso destino seria Brasília, distante 550
kms. Depois do carro devidamente calçado, seguimos pela BR 020 com destino ao
estado de Goiás, onde está encravada a Capital Federal dos brasileiros. A BR
foi recapeada recentemente e seguimos sem maiores problemas, embora ainda havia
trechos sem a devida sinalização. A estrada, batizada de Juscelino Kubistchek,
corta, de norte a sul, parte considerável do Oeste baiano.
Depois que adentramos no estado de Goiás, as primeiras cidades ao longo da estrada foram Simolândia, com uma população de 7 mil
habitantes, e Alvorada do Norte, com cerca de 10 mil habitantes, separadas
apenas pelo rio Corrente. A importância desta última cidade é estar no
cruzamento de asfalto que interliga a Área de Proteção Ambiental das Nascentes
do Rio Vermelho, Área de Proteção Ambiental da Serra Geral e o Parque Estadual
de Terra Ronca, um dos parques espeleológicos mais importante da América
Latina. A beleza das cavernas da região chega ao município vizinho de Mambaí,
que possui mais de 107 cavernas catalogadas, incluindo a maior da América
Latina, com 7 km de extensão. Além disso há várias cavernas, cachoeiras,
corredeiras e trilhas que caracterizam a região como boa para a prática de
esporte de aventura. Mais adiante passamos pela cidade de Formosa, localizada
na divisa de Goiás com o Distrito Federal. Situada a apenas 80 kms de Brasília,
e a 282 quilômetros de Goiânia, Formosa não é de agora. No século 19 a povoação
era conhecida como Arraial dos Couros, nascida no século 18 a partir da Estação
Fiscal do Registro da Lagoa Feia, por ordem do rei de Portugal, com o propósito
de controlar as cobranças fiscais das mercadorias que por ali passavam. Nesta
época nem mesmo Goiás existia e a região pertencia a São Paulo. Hoje, sua
população está em torno dos 130 mil habitantes.
Depois de Formosa, adentramos o Distrito Federal. Quem hoje
vê Brasília e suas cidades satélites não imagina que tudo começou em 1823, quando José
Bonifácio de Andrade e Silva, o Patriarca da Independência, propôs a criação de
uma nova capital no interior do Brasil, inclusive chegou a sugerir o nome
Brasília. O objetivo era garantir a segurança do país e povoar o seu
interior. No ano de 1892, foi nomeada a Comissão Exploradora do Planalto
Central do Brasil, liderada pelo astrônomo Luiz Cruls e integrada por médicos,
geólogos e botânicos. Estes fizeram um levantamento sobre topografia, clima, geologia,
flora, fauna e os recursos materiais da região do Planalto Central. A área foi
apresentada em 1894 ao Governo Republicano.
A área onde hoje é o Distrito Federal foi demarcada somente
em 1955. São 50 mil quilômetros quadrados de área. A construção da nova capital
teve início em abril de 1956, no comando do então presidente Juscelino
Kubitschek de Oliveira, com a criação da Companhia Urbanizadora da Nova Capital
– NOVACAP - no projeto de lei 2.874. Foi lançado o edital para o Concurso
Público da construção do Plano Piloto. Lúcio Costa foi o vencedor do projeto
urbanístico e Oscar Niemeyer o autor dos principais projetos arquitetônicos da
cidade. Brasília tem um traçado de dois eixos cruzando em ângulo reto como o
sinal da cruz. Um destes eixos leva às áreas residenciais, sendo levemente
inclinado, dando à cruz a forma de um avião. O outro eixo é denominado
Monumental, com 16 Km de extensão, que abriga os prédios públicos e os palácios
do Governo Federal no lado leste; no centro há a rodoviária e a torre de TV e
no lado oeste os prédios do Governo do Distrito Federal.
No dia 21 de abril de 1960, a estrutura básica da cidade está edificada e Brasília então é inaugurada. Os candangos ou habitantes da nova cidade comemoram ao lado de Oscar Niemeyer, Israel Pinheiro, Lúcio Costa e Juscelino Kubitschek, os principais responsáveis pela construção de Brasília. Circulando pelas ruas da cidade à noite, hoje é fácil saber da dimensão e importância desta metrópole de 3 milhões de habitantes, onde nosso destino é traçado, de forma consciente ou não. É preciso entender a importância de Brasília para não mandar para ela pessoas não comprometidas com o destino do país. Só quem por ela circula e percebe o seu real valor, não tenta se apoderar do país ou enganar o seu povo. Só quem entende os traços de Niemayer, deslumbra-se diante da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, contagia-se em cada monumento que vê, sabe as funções de cada órgão público, de cada poder ali em ação; só quem entende sua história e deseja que este país cresça e distribua justiça social; só quem é verdadeiramente brasileiro jamais tenta destruí-la, mesmo não concordando com os poderosos de plantão, todos temporários, nesta cidade quase eterna e Patrimônio da Humanidade.