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segunda-feira, 13 de maio de 2019

A guerra pelo trono em Heliópolis


                                                Landisvalth Lima
Jon Snow (Kit Harington) morto pelos companheiros da Guarda da Noite (foto:HBO)
Não há nada mais difícil e complicado que trotar com a realidade. O caminho da fantasia é sempre mais fácil porque o real é aquele soco no estômago na hora que a gente menos espera. E vou aqui usar a fantasia para explicar a realidade. Na série Guerra dos Tronos, da HBO, Jon Snow, olhando para o futuro, é assassinado pelos próprios companheiros por convencer os Selvagens a se unir à Guarda da Noite. Para Jon, o inimigo maior eram os Vagantes Brancos. Seus companheiros estavam dominados pelo ódio do passado e o viam como um traidor. A ida de Zé do Sertão para o PT, em pleno dia das mães, revela a cada dia a máxima de que a vida imita a arte.
Longe de mim está a ideia de comparar Jon Snow com Zé do Sertão. O primeiro é um nobre bastardo, de personalidade humanística, sem sede para ocupar cargos. Sempre foi focado no objetivo de proteger Westeros. O nosso personagem real é o único filho legítimo, sobrevivente das agruras deste solo amargurado de desesperança provocada por tanta esperança malograda. Outrora libertador, progressista, estrada para o futuro de Heliópolis e região, hoje não passa de um náufrago, agarrado ao que sobrou no seu mar de equívocos, regado pelas enxurradas de egocentrismo.
Mas todos precisam sobreviver, e o vice-prefeito sabe disso. Já ele dialogava com uma oposição sem rumo, guiada por deputados calcados numa fantasia, que beira o ridículo, pautada numa agenda que prega a soltura do até então maior corrupto da nossa história. Para completar, vai para o ninho onde dois ex-prefeitos enfrentam batalhas na justiça, um deles laureado pela Operação 13 de Maio. Aproveitando o governo vacilante do prefeito Ildinho, que teve a oportunidade nas mãos de mudar tudo isso, Zé do Sertão se agarra ao único pedaço de madeira que lhe apareceu em pleno naufrágio ideológico: o PT.
Do ponto de vista político, a oposição pode não ter ganhado nada. A ida de Zé do Sertão faz o mesmo efeito que fez para Ildinho: o número de adesões é sempre menor que o número de desgostosos. O vice-prefeito tem muitos inimigos políticos e isso pode comprometer a oposição. A adesão de um Mundinho do Tijuco dá muito mais crédito hoje a qualquer grupo, embora isso esteja distante de ser política mesmo. Entre Zé do Sertão e Mundinho do Tijuco o que há de diferente é o cargo de vice-prefeito. Foi isso que o PT viu. Não haverá alteração significativa de votos. O vice-prefeito ganha mais indo para o PT que o partido recebe com o novo filiado. Ganha a oposição, como um todo, por mostrar-se viva para o próximo embate.
Num município onde mudar é apenas discurso, o mais velho se une com o velho de sempre. A política é apenas um grande negócio, ou, como alguns costumam dizer muito bem, um simples jogo de interesses. Os comuns torcem sempre imaginando alguma mudança, mas também não ousam mudar o voto e acabam confirmando o de sempre. Como a vida imita a arte, Jon Snow voltou do mundo dos mortos para combater os mortos nocivos aos vivos. O vice-prefeito renascerá também ou será apenas mais um vagante branco?