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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Seca gera crise na maior bacia leiteira de Sergipe


Cadeia produtiva do leite se acaba e moradores cobram ações
Por Aldaci de Souza (reportagem e fotos) – do portal INFONET
Os animais morrem....
 “A gente quer somente vida”. Esse é o grito de desespero da população do Semiárido sergipano, que há 40 anos não registrava uma seca tão intensa como a vivida nos últimos dias. A fome e sede estão deixando a marca registrada às margens das rodovias: carcaças de animais misturam-se a uma vegetação que se alia ao sertanejo e pede socorro. Na região, conhecida como a maior bacia leiteira de Sergipe, leite e derivados é o que menos se encontram nos municípios castigados. A ausência de ações por parte dos governos Federal e Estadual também vem sendo sentida. O ex-prefeito de Poço Redondo, Frei Enoque Santiago sabe bem o que os sertanejos sentem na pele e na alma, quando as chuvas teimam em não aparecer na região. “É a pior seca, não tem mais estrutura nenhuma. Não tem caatinga, não tem água, não tem uma política direcionada para salvar. O que a natureza tinha de sustentável, acabou. O mandacaru, que tem mais proteína, volume e é mais forte do que a palma, não tem mais”, lamenta Frei Enoque.
Ele ressaltou que para piorar a situação, houve corte no Programa do Leite. “Algumas coisas que minoravam como o Programa do Leite, que distribuía leite para crianças, gestantes e idosos, foi cortado há mais de ano. O pessoal vê carretas de leite saindo para as fábricas e os governantes trazendo leite de Santa Catarina. As comunidades fazem manifestação gritando que querem vida. A situação é crítica e a gente não sabe a quem recorrer. É como se tudo tivesse parado no tempo. O Governo manda duas mil bolsas de 15 quilos de alimentos, quando se tem 10 mil flagelados. É preciso que a Conab, que vende milho, saía de Itabaiana e venha para o sertão. Do jeito que está, está servindo aos grandes e aos fazendeiros, mas não está servindo aos pobres e aos necessitados”, entende.
Leite
..., os açudes secam...
O prefeito de Canindé do São Francisco, Heleno Silva (PRB), que sediou semana passada o I Encontro dos Prefeitos do Semiárido Sergipano, visando cobrar a duplicação do número de carros pipas e adutoras, além do abastecimento de água para o consumo animal, distribuição de cestas básicas, de leite e liberação de crédito rural, lamentou a crise na bacia leiteira. “Pelo que a coisa está andando, o nosso povo vai empobrecer. A grande moeda circulante no sertão de geração de emprego e renda é o leite e a produção caiu em 50%. Temos que agir rápido para que a unidade matriz produtiva do sertão, que é a agropecuária, não entre em colapso, pois caso contrário, vamos viver dias terríveis na nossa região”, entende Heleno Silva propondo, o quanto mais rápido possível, uma audiência com o governador Marcelo Déda e até mesmo com o ministro Fernando Bezerra, da Integração Nacional. “A maior bacia leiteira de Sergipe está reduzida a 30%. As indústrias já começam a fechar as portas e é preciso que se faça alguma coisa urgente para reverter a situação”, complementa o prefeito de Poço Redondo, José Raimundo Araújo (PT). Em Nossa Senhora da Glória, a produção leiteira caiu de 800 mil litros por dia para 150 mil litros diários e os produtores lamentam os prejuízos."Antes havia uma injeção de R$ 25 milhões por mês na economia da região. Hoje, a situação é caótica e preocupante. Ou fazemos alguma coisa, ou o Alto Sertão será a nova região citrícola de Sergipe", acredita o produtor José Erivaldo, conhecido como Neno. O secretário de Estado da Agricultura, José Sobral explicou que somente em dezembro de 2012, foram distribuídos 440 mil litros de leite na região do Semiárido sergipano. “Temos 60 mil no armazém da Conab para dar continuidade. O Programa do Leite (parceria entre Governo Federal e Estadual) tem duas vertentes: a compra e a distribuição para as pessoas carentes. Não estamos encontrando oferta de leites para comprar. Estamos comprando em outras regiões para não deixar desassistida a população beneficiada. Aqui está elevado, em torno de R$ 1 o litro”, afirma.
Derivados
..., a plantação de palma murcha...
Nos municípios de Canindé do São Francisco, Poço Redondo, Monte Alegre, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora Aparecida, Feira Nova, Gararu e Porto da Folha, já não se encontra queijos, requeijões, manteiga comum, manteiga de garrafa e doces por preços acessíveis. “As pessoas reclamam dos preços, mas como os produtos estão cada vez mais difíceis, a gente já compra caro e não tem como repassar mais barato. O quilo do queijo coalho está por R$ 14 e muita gente diz que é melhor comprar na capital”, afirma a comerciante de Poço Redondo Maristela Santos.
Animais
... e a caatinga parece não mais resistir.
A morte dos animais vem sendo inevitável no município de Poço Redondo, um dos mais castigados pelo longo período de estiagem. Sem recursos para adquirir rações, o Sr. João Souza não teve outra opção a não ser vender o gado, como fez questão de ressaltar: ‘por nada’. “Até essas alturas, nunca teve uma seca como essa. A terra não molhou mais do que um dedo. As palmas viram umas correias por causa do sol escaldante. Eu vendi o gado por nada e não recebi nada ainda. Tinha 18 cabeças de gado e já vendi 18 para não ver os bichinhos morrer, sem eu poder fazer nada. O saco de ração está por mais de R$ 15. Aqui na Barra da Onça, a notícia que corre é que a presidente Dilma mandou um dinheiro para socorrer o gado, mas até agora nada”, reclama. “A situação é gritante. Não tem mais ração para os animais e água só em alguns pontos. Ninguém consegue créditos para as sementes, uma situação insustentável. O pessoal está salvando alguns animais, dando xique-xique, faxeiro e macambira. As fábricas de laticínio já começaram a fechar as portas, porque não existe mais a cadeia produtiva do leite”, acrescenta Edicler da Silva Santos, da Associação Moradores Barra da Onça. O secretário de Estado da Agricultura confirmou uma reunião do Comitê Integrado de Convivência com a Seca com prefeitos das regiões castigadas e secretários, para essa semana. O objetivo é discutir as ações emergenciais em andamento, as que serão ampliadas tendo em vista as previsões climáticas para 2013 e as ações estruturantes, com destaque para cadastramento de Garantia Safra, do Bolsa-Estiagem, distribuição de cestas básicas e alimentos da Conab.