A jornada pedagógica da mesmice!
Em mais uma Jornada Pedagógica, erros se repetem e nossa educação definha. (Imagem: Jorge Souza) |
Na última terça-feira (01) pela noite, na Creche Maria Lícia,
foi dado início a mais uma Jornada Pedagógica do município de Heliópolis. Como
em várias cidades da nossa região, nada de novo no front. Nem mesmo em Fátima,
Cícero Dantas e Adustina, onde pelo menos o novo Piso do Magistério foi
anunciado, pode-se perceber alguma mudança que indique algum caminho rumo a um
novo ciclo educacional. Tudo como antes. Até mesmo as palavras de fé são
idênticas.
Vamos dar como exemplo o que aconteceu na abertura da
jornada por aqui. A fala do prefeito José Mendonça foi temperada com fortes doses de decepção. O motivo: o Piso não foi confirmado. Não que o prefeito
tenha negado, mas que sua fala funcionou como um balde de água fria isso não
houve dúvida. Para um prefeito que recebeu apoio logístico, financeiro e ideológico
da maioria esmagadora dos professores, o mínimo seria dizer que diminuiria o
próprio salário, mas professor não perderia direito algum no seu governo. A
jornada passou a ser uma frustração só.
Nos bastidores rolavam já comentários de greve futura. Uma
fonte disse que o presidente do Sindheli, professor Agnaldo, afirmou já ter
agendado uma reunião com a administração do município dia 3 de fevereiro, às
9:00 horas da manhã. Agnaldo disse que já solicitou a folha de janeiro com todos
os valores pagos e o montante arrecadado pelo Fundeb no mês. Em seguida, deve
convocar uma Assembleia Geral e decidir os rumos a tomar. Uma grave a uma
altura desta será mais uma facada na já combalida educação do município de
Heliópolis.
Soou como uma falácia a frase do prefeito na abertura da
jornada: “Ninguém pode pagar se não houver dinheiro”. Entretanto, não deixa
claro quanto o prefeito gasta com os professores. Uma coisa são os 77% do fundo
anunciados como gastos, outra é saber quanto efetivamente desse montante é
salário dos profissionais do magistério efetivos. Porque todos sabem do inchaço
da folha com nomeações políticas e gastos desnecessários, apenas para atender
interesses outros. Há sim dinheiro. O problema é que não há expertise
administrativa com os recursos públicos.
Quem conhece José Mendonça sabe que ele é teimoso, mais
ainda que Walter Rosário. Mas fica a lição recebida pelo seu cunhado quando
prefeito, que enfrentou a maior e mais organizada greve da história de
Heliópolis. Está longe de o ex-prefeito voltar a ser alguma coisa na política
daqui. A pior classe de servidores para se enfrentar é a dos professores. Só
são subservientes se quiserem, porque são órfãos da ignorância. Talvez tenha
sido por isso que o prefeito não entenda por que nossa educação está descendo
ladeira abaixo, como mais uma forma de culpar os profissionais do magistério
por tudo. Lamentou também o alcaide o fato de a matrícula estar diminuta, sem,
entretanto, entender que uma coisa está associada a outra.
Em mais uma jornada, foram contratados profissionais para
dar palestras sobre temas que interessam à educação, mas que estão longe de
resolver nossos problemas. Sentar e ouvir teorias é mais ou menos parecido com
ter uma casa sem telhado ou um carro bonito sem combustível. Quer dizer que
temos todas as ferramentas, mas elas estão em desuso. Colocar a mão na massa
requer boa vontade, desejo de transformação e amor ao outro. E a primeira
atitude é sair da zona de conforto e encarar a missão. Tudo isso requer
coletividade. Poder público, família, escola e comunidade juntos, sem os
pieguismos eleitorais ou pragmatismos imbecis da individualidade, com foco
voltado para o progresso de todos. E isso começa pelo cumprimento da Lei.
Parece que teremos mais um ano perdido em discussões insalubres. Como ainda é possível ficar discutindo sobre dar ou não dar o piso salarial a um professor se é Lei! Era para estarmos na fase simples de fazer uma limonada com um limão. Chega de discursos vazios e protelatórios. O Brasil tem pressa! É preciso investir pesado na educação sem medo de dar errado. Ou fazemos isso ou vamos afundar como nação civilizada. Não é apenas votando em corruptos ou em genocidas que destruiremos o Brasil. Isso só acontecerá se nossa educação ficar muito mal. E ela já está lá. Com boa vontade para aprender, desejo de ensinar e investimento governamental não há como não sair dessa fase tenebrosa.