Ela voltou. A miséria voltou novamente
A reportagem A volta da miséria,
das repórteres Débora Bergamasco (DF), Eliane Lobato (RJ), Camila Brandalise e
Fabíola Perez, capa da revista ISTOÉ desta semana, mostra como a recessão, o
desemprego e o recuo nas políticas sociais estão empurrando milhares de
brasileiros para a pobreza extrema. O discurso do governo do Partido dos
Trabalhadores, de que tirou 22 milhões de seres da linha da pobreza, já não
poderá mais ser usado. Duro é constatar que o dinheiro que falta para manter os
programas foi regateado entre corruptos e corruptores enraizados nos governos
de Lula e Dilma. Como não há almoço de graça, agora é o povo que pagará a maior
parte desta conta.
O texto começa afirmando o que é
triste de ver. Nos sinais, nas calçadas, debaixo dos viadutos, na periferia ou
nos grandes centros, a miséria volta a se mostrar com uma crueza
desconcertante. A miséria tem mil faces e com a crise que assola o País ganha
cada vez mais força e destaque na paisagem cotidiana das cidades brasileiras.
Ela está estampada nos rostos de flanelinhas, carroceiros, meros pedintes,
vendedores de balas, basqueteiros de cadeira de roda, ferramenteiros, mães com
filho de colo, ambulantes diversos, desempregados sem teto, um contingente
crescente e variado de necessitados que toma as ruas. Institutos atestam que
há, hoje, cerca de 90 milhões de brasileiros classificados como miseráveis ou
na linha da pobreza extrema – estatisticamente, cidadãos que sobrevivem com uma
renda familiar inferior ao salário mínimo. Isso é mais de um terço da população
total. Em meados dos anos 70 o número não passava de 30 milhões e estava
concentrado basicamente no campo. Os miseráveis migraram para as metrópoles.
Montaram favelas e moradias improvisadas por onde podiam. Na virada do século
já somavam perto de 60 milhões de excluídos e, de lá para cá, não pararam de
crescer, a um ritmo de 3% ao ano. Nem mesmo os programas sociais implementados
por seguidos governos foram capazes de barrar esse avanço e, com o atual corte
de despesas na área, o universo tende a explodir.
Um trabalho recém-concluído pelo
pesquisador Samuel Franco, do Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade
(Iets), com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), aponta
que em quase 20% dos lares brasileiros nenhum morador tem atualmente emprego.
Em um ano a alta foi de 770 mil famílias sem qualquer membro com rendimento de
trabalho formal ou informal e – por tabela – com baixíssimas condições de
bancar seus dependentes. A falta de trabalho é a maior chaga que pode acometer
uma sociedade. Por trás dela vem o gradual empobrecimento da população.
Percentualmente, a parcela dos lares onde ninguém está ocupado passou de 18,6%
ao longo de 2014 para 19,3% no primeiro semestre deste ano. No período, quase
um milhão de vagas foram sumariamente extintas. E muitos dos dispensados
passaram a engrossar o mafuá dos cruzamentos, montando um verdadeiro pit stop
de comércio persa nas esquinas, praças e avenidas. A pobreza fora de controle,
com milhares de indivíduos sem perspectiva ou condições de sustento, retrata o
Brasil desses dias, que mergulha na maior recessão dos últimos 25 anos.
Para ler a reportagem completa
de ISTOÉ, dê um clique aqui.