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domingo, 17 de fevereiro de 2019

Um homem, um cavalo e o destino de um país


                                                                             Landisvalth Lima
Jair Bolsonaro montou no cavalo e não sabe o que fazer (foto: CompreRural)
Meu avô me dizia, certa feita, que quando um cavalo nos é ofertado, se bem selado, devemos aproveitar ao máximo a jornada. Mais ainda chamava a atenção ele que isso jamais ocorreria duas vezes. Uso este aforismo popular para iniciar dizendo que o nosso presidente da República não está querendo cavalgar no mandato que lhe deram ou não sabe o que fazer com um cavalo.
Digo isso porque um homem, que ficou quase trinta anos num mandato de deputado federal, sem nenhum fato engrandecedor, que ficou mais conhecido pelo seu amor ao Golpe de 64 (Ele insiste em dizer que foi uma revolução!), que chegava às manchetes de jornais pelo seu comportamento intolerante com socialistas, homossexuais e transgressores diversos, numa nação civilizada, jamais seria alçado à condição nobre de Presidente da República.
Jair Messias Bolsonaro não chegou à presidência pelo seu currículo. Foi sorteado! Isso mesmo. A maioria esmagadora do país estava de saco cheio do discurso mentiroso de um conjunto de políticos de uma pseudoesquerda. Afora o meu querido Nordeste, sempre generoso com coronéis e políticos pseudorrobinhoodeanos, a esquerda levou uma surra histórica. Somado a tudo isso, a mesma esquerda foi incapaz de admitir erros. Para implantar a ditadura do proletariado, valia tudo. Juntaram-se com a elite, praticaram atos vergonhosos de corrupção, engessaram a máquina pública, doutrinaram os pobres. Só não conseguiram o domínio da classe média, da imprensa e da mídia alta.
Naturalmente, após o fiasco do governo Dilma Rousseff, e da incapacidade do PSDB de ser oposição – porque era também protagonista do mesmo esquema de corrupção em outras esferas – o povo, por um conjunto de sentimentos (raiva, vingança, decepção e outros), somado ao desejo de implantar algo novo, viram o Capitão como salvação. Esqueceram seus defeitos ou os viram como bem mais leves que os do PT. Entre um tiro na cabeça e um soco no estômago, vai o último. Mais de 57 milhões enterraram a arrogância petista, o domínio de uma nação a partir de uma cela da Polícia Federal em Curitiba.
O caminho para Bolsonaro estava tão pavimentado a ponto de ele vencer as consequências de uma facada, elevar seu partido ao topo do mais votado e eleger todos da família que se candidataram a algum cargo. O cavalo estava selado. Dia primeiro, Bolsonaro montou no cargo. Rodeado de militares com fichas impecavelmente limpas, tinha tudo para iniciar a maior revolução administrativa da história. Mas, em exatos 45 dias de governo, nunca se viu tanto perrengue, tanta muvuca. Não sabe o Capitão para onde vai. Das promessas de um novo tempo, começa com sete auxiliares envolvidos em algum problema com a justiça. Um ministro seu chegou a dizer que desconhecia Chico Mendes, ou que ele foi irrelevante.
Bolsonaro precisa saber que não há necessidade de ele combater a esquerda. Ela é autofágica. Morre pela própria língua e pelos atos incoerentes. O Capitão precisa saber que seu eleitorado não é doutrinado, nem pela esquerda ou pela direita. Seus eleitores querem um Brasil grande, próspero, onde a liberdade seja sempre o norte. É inaceitável vê-lo brigando com a Rede Globo, implacavelmente perseguida por petistas e adjacentes. Parece que o jornalismo independente da família Marinho está incomodando o até agora pseudo novo governo do PSL.
Para completar, numa intriga ainda sem explicação, envolvendo o seu filho Carlos e o ministro da secretaria de governo, o Bebbiano, coloca em risco uma maioria já consolidada no Congresso, necessária para a aprovação de medidas fundamentais para novos tempos. Curioso é a alegação para a demissão do auxiliar: a relação pessoal de confiança foi quebrada. Mais uma vez, como sempre foi, deve-se tudo ao rei. O país pouco importa.
Por fim, o presidente, de cima do seu cavalo, está com medo de trotar os caminhos tortuosos da política? Está com medo de ousar? Se assim continuar, logo logo perderá seus soldados. Se não seguir ousadamente em frente, passará a impressão de que não estava preparado para o cavalo selado à sua frente. Ganhou, montou mas não sabe o que fazer com ele. Aí, só restará a torcida de muitos para que um Mourão o derrube da sela e faça o que deve ser feito.