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sábado, 15 de abril de 2017

Sífilis: o retorno

A Sífilis está de volta
Enquanto o dinheiro do povo brasileiro está irrigando os bolsos dos canalhas, colocando a nossa saúde e educação no lugar mais pobre da involução, uma doença, que chegou a ser considerada do passado, voltou com força em pleno século XXI: a sífilis. No final de 2016, o Ministério da Saúde admitiu que o Brasil vivia uma epidemia da doença. Em um ano (2014-2015), o número de casos entre adultos aumentou 32,7%. Esse crescimento, contudo, também pode ser observado em outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, o aumento nesse mesmo período foi de 19%.
Chamada de “doença de mil faces”, ou a “grande fingidora”, por causa da multiplicidade de sintomas, a sua origem ainda é um mistério. Uma das hipóteses diz que teria sido levada da América para a Europa pelos navegadores de Cristóvão Colombo.  A face mais cruel da doença se apresenta justamente entre recém-nascidos. A chamada sífilis congênita, passada de mãe para filho, pode provocar abortos, partos prematuros, cegueira, surdez e até mesmo microcefalia. Os últimos números de 2015 mostram que a doença foi responsável pelo aborto e a morte de cerca de 1.500 bebês no Brasil.
No estágio mais avançado, ela provoca comprometimento em órgãos como o cérebro e o coração. No passado, muitas pessoas que foram diagnosticadas com problemas psiquiátricos, na verdade, desenvolveram manifestações tardias da sífilis, e ainda hoje ela pode ser confundida com Mal de Alzheimer, por exemplo. O grande artilheiro do Botafogo, Heleno de Freitas, morreu por causa de complicações decorrentes da doença.
A cura definitiva para a sífilis só veio através da descoberta da penicilina (1928), usada em grande escala durante a Segunda Guerra Mundial. Foi o primeiro antibiótico do mundo, mas hoje tem despertado pouco interesse por parte da indústria farmacêutica devido ao seu preço, considerado baixo no mercado. Atualmente, apenas a Índia e a China produzem a matéria-prima para a penicilina, o que vem provocando ondas mundiais de desabastecimento. Além disso, parece que a resistência ao antibiótico também pode ser visto como mais uma causa do retorno da doença.
Longe dos holofotes, a doença, que para muitos só existia nos livros de história, vai mostrando a sua face cruel, devastando vidas e contando com a colaboração de políticos inescrupulosos, que mais se preocupam em desviar o dinheiro da saúde, e do terrível preconceito. Muitas gestantes com sífilis preferem não se identificar e isso que revela bastante sobre antigos problemas que, de alguma forma, ainda persistem no nosso século: o tabu que envolve o sexo e o embate entre interesses econômicos e questões sociais.

(Com base em reportagem do portal da EBC – Empresa Brasileira de Comunicação)