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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Eleição na Câmara de Heliópolis definirá 2016

                                                        Landisvalth Lima
Vereadora Ana Dalva
Não esperem que os vereadores de Heliópolis abram o jogo sobre a eleição da futura mesa diretora da Câmara Municipal de Heliópolis para o biênio 2015/2016. E não é por falta de pedidos e apelos. Na semana passada, enviei um questionário com algumas perguntas básicas para que pudéssemos traçar um perfil de como será o amanhã do Poder Legislativo Municipal. Ninguém respondeu. E não se prestam a falar porque já há um cenário preparatório para 2016. E o jogo é velho. É a mesma cantilena de uma política conservadora, autofagista e que pensa sempre no futuro de Heliópolis, se isso lhes trouxer alguma vantagem.
A frase que mais ouço é a seguinte: “Vou lhe contar, mas não publique no Blog”. E é assim que chegamos ao atual quadro de indefinição. Como sempre, tudo ficará para a prorrogação. O impasse hoje se chama Valdelício Dantas da Gama. O vereador, até aqui, afirma que só tem dois candidatos: Ana Dalva e Mendonça. Ocorre que há pessoas que juram de pés juntos que o vereador disse que não votaria de jeito nenhum nos dois citados. Na verdade, Valdelício quer para ele a presidência e diz e desdiz tudo com uma facilidade incrível. Na linguagem comum chamamos “mentira”, na linguagem política chamam “jogo”.

Vereador Ronaldo Santana (foto: Jorge Souza)
O vice-prefeito Gama Neves, que se distanciou de vez da administração de Ildinho, selada com adesão de Valdelício ao DEM e com a demissão de Beto Moura da assessoria de comunicação, confirma que interessa para ele a permanência de Ana Dalva, principalmente pelo desempenho administrativo da vereadora. Fora isso, só resta a Gama torcer pela oposição. Está difícil reatar a convivência do vice com o alcaide. Para completar a peleja, Zélia Maranduba e o marido só têm um caminho político para permanecerem vivos: aliarem-se a Gama Neves e ao PCdoB.
Mas a coisa não está fácil para Ildefonso Fonseca. O prefeito já afirmou que tem duas posições: Ana Dalva (PPS) ou Ronaldo Santana (DEM). E está difícil conciliar. Ronaldo afirma que não vota em Ana Dalva e não dá motivos. Há um motivo: o desejo de ser presidente. Ocorre que Ronaldo não construiu o seu nome. Vive a brigar com colegas e se mostra sempre arredio. Ele conta apenas com Ildinho e a sua eleição representaria o domínio absoluto do prefeito sobre a Câmara Municipal. E isto poderia ser a glória para o prefeito que, neste ano, elegeu todos em quem votou ou pediu para votar.
Vereador José Mendonça (foto: Jorge Souza)
Poucos dizem por aí, mas fato é que a eleição de Ana Dalva representa a continuidade da independência entre os dois poderes. Não há nenhuma dúvida, embora muitos não queiram aceitar, de que Ana Dalva é vereadora do grupo político do prefeito. Ocorre que confundem aliado com subalterno. Tanto a atual presidente como o prefeito têm obrigações a cumprir. Ildinho teve que demitir pessoas para adequar sua administração à Lei de Responsabilidade Fiscal e Ana Dalva não aceita subserviência do Legislativo para o Executivo. Se é subserviente não é Poder. Isto permite o diálogo entre os dois poderes. E Ildinho não pode se queixar. Todos os seus projetos foram aprovados até aqui. Está bem claro, a Câmara Municipal de Heliópolis teve todas as suas prerrogativas cumpridas nestes dois últimos anos, com os vereadores tendo liberdade para agir dentro das normas e ter acesso a tudo que uma câmara municipal pode oferecer para a atuação de seus membros.
E Ana Dalva seria a heroína da história e, por isso, teria uma reeleição garantida? Claro que não. Ela apenas cumpriu sua obrigação. Fez o que tinha de ser feito. O problema é que isso é perigoso. É verdade que o povo não está nem aí para os políticos que agem corretamente. As pessoas estão taciturnas e não conseguem mais separar o certo do errado, fruto da nossa capenga educação e do aprofundamento dos desvios éticos e morais. É só pegar a lista dos últimos eleitos. Você conta na mão os úteis e corretos. Mas é perigoso principalmente para os políticos que usam a estrutura de poder para continuar nele. Tem gente que morre de medo, mas em Heliópolis nada acontece. Vejam que todos os vereadores receberam diárias para fiscalizar as contas da Prefeitura Municipal. Mas que presidenta é esta que remunera vereadores para fiscalizar o prefeito que ela mesma votou? É a Lei! Agora vão ver no Ministério Público e no TCM e verifiquem quantas denúncias há contra Ildinho? Nenhuma.
Vereador Giomar (foto: Jorge Souza)
O diabo é que a plataforma básica de discurso do vereador Giomar Evangelista é que ele quer ser presidente para fiscalizar melhor o prefeito. Alguém precisa dizer a ele que o presidente é o administrador da câmara e representante maior do Poder Legislativo, sem perder as prerrogativas do vereador. Se ele até agora não apresentou nenhuma denúncia contra o prefeito, ou Ildinho é um administrador correto ou ele está prevaricando. Ele afirma que na presidência seria a garantia de fiscalização da administração do alcaide. Se ele não o fez como vereador, vai ter condições de fazê-lo como presidente? Então foi Ana Dalva quem prevaricou? Claro que não. Giomar quer ser presidente porque é um desejo dele. Ponto final. Mas se ele não reconhece o trabalho de Ana Dalva, pelo menos não precisa inventar o que não existe.
Há de se reconhecer, por fim, que a escolha do presidente passa por 2016. Está nas mãos da oposição e do prefeito Ildinho todo o jogo eleitoral e a configuração do cenário para as próximas eleições, caso sejam confirmadas pela reforma eleitoral que vem por aí. Se a oposição ganhar, que se cumpra a Lei. Se o prefeito decidir a questão, que se cumpra a Lei do mesmo jeito e cada poder tenha independência para agir, sem precisar vilipendiar um a outro. Em política não existem poderosos. O tempo dos ditadores já passou. A palavra-chave é diálogo. A ação primordial é o cumprimento das leis. Não é utopia imaginar governo e oposição dialogarem para a melhoria das condições de vida do povo de Heliópolis. Utopia é esperar que, com a classe política que temos, com raríssimas exceções, seja possível mudar alguma coisa em Heliópolis sem que se mude o modus operandi da ação de se fazer política.