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sábado, 30 de agosto de 2014

Marina Silva pode vencer no 1º turno

                                       Landisvalth Lima
Marina: um tsunami político
Pesquisas internas de vários partidos apontam para uma possibilidade inimaginável há trinta dias: Marina Silva pode vencer a eleição presidencial no primeiro turno. O fenômeno é tão arrasador que já está sendo comparado a um tsunami político. Tanto que a revista Época publicou as estratégias que PT e PSDB estudam fazer para estancar o crescimento da ex-ministra do meio ambiente.  Só no Datafolha, em 11 dias, Marina cresceu 13 pontos. O Instituto divulgou nesta sexta-feira (29) nova pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República. A pesquisa mostra um empate entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e a ex-ministra Marina Silva (PSB). Segundo a pesquisa, Dilma está com 34% das intenções de voto, uma queda de dois pontos percentuais em relação a última pesquisa. Marina Silva empatou com Dilma, também com 34%. Aécio Neves (PSDB) foi o que mais caiu. Ele tinha 20% na última pesquisa, e agora está com 15%. Pastor Everaldo, do PSC, aparece com 2%, uma queda de um ponto percentual. Brancos e nulos somam 7% e outros 7% não souberam responder.
Marina vem crescendo e só precisará de mais dez pontos para a vitória no 1º turno. Analistas preveem que Aécio já perdeu muito e Dilma ainda pode perder muitos votos para Marina. Não é absurdo imaginar a petista cair para a faixa dos 25%. Marina indo para 44%, tirando um pontinho de Aécio, permanecendo todos os outros candidatos no mesmo cenário anterior, a vitória estaria configurada. E quais seriam estes votos? Segundo a revista Época, viriam da classe C. A revista afirma que com prestações a perder de vista, o desejo de consumir itens para além da cesta básica e o deslumbre com a tecnologia traçam o retrato fiel de uma camada da sociedade que emergiu no Brasil nas últimas duas décadas: a classe C. O termo “classe C” começou a ser usado com frequência no início do governo de Fernando Henrique Cardoso. Ele identificava o contingente de brasileiros repentinamente incluídos no mercado de consumo graças ao fim da inflação – a percentagem de brasileiros na classe C saltou de 31% dos brasileiros, em 1993, para 37% em 1998, segundo dados da Fundação Getulio Vargas. Nos dois mandatos do PSDB, a classe C também se beneficiou do maior programa de expansão da educação básica da história brasileira. Veio o governo Lula, e a classe C continuou ganhando. Ela passou a ser beneficiária da expansão dos programas sociais durante os dois mandatos petistas e também da onda de crescimento econômico. O contingente de classe C subiu de 37% para 54% da população entre 2002 e 2010, segundo os mesmos dados da FGV. É esta classe C que se cansou do PT e não confia no PSDB. Ela quer algo novo que permita crescer mais. Até o governo Lula ia tudo bem. De Dilma para cá, a descida da ladeira foi a serventia da casa.
O Datafolha também fez cenários para o segundo turno. Na simulação entre Dilma e Marina, a ambientalista vence. Marina tem 50% das intenções de voto, contra 40% de Dilma. No outro cenário, entre Dilma e Aécio, é a presidente quem vence. Dilma aparece com 48%, contra 40% de Aécio. Ou seja, o voto em Dilma era dado para não permitir a volta do PSDB e também porque não havia opções. Eduardo Campos era desconhecido. Com Marina, o cenário é outro. Por conta disso, ainda assustados com a reviravolta no cenário das sondagens eleitorais após a morte de Eduardo Campos, tucanos e petistas estudam a melhor estratégia para enfrentar Marina. PT e PSDB se prepararam para uma eleição durante meses e, neste momento, disputam um pleito completamente diferente. “Na verdade, começou uma nova eleição. Tínhamos nos preparado para uma campanha. Agora é outra”, afirma o deputado federal Marcus Pestana (PSDB-MG), em entrevista à revista Época.
Mas o que podem preparar para fazer com que o eleitor faça uma segunda reviravolta, abandonando o barco de Marina? A pior coisa é bater em alguém como Marina. Pode acabar promovendo-a ainda mais. Na verdade, Marina cresce pelos seus méritos e pelos erros dos outros. Segundo o jornalista Fernando Rodrigues, do UOL,  revelando fala de Zé Dirceu, a culpa pela iminente derrota do PT é quase exclusivamente de Dilma. A presidente teria tomado decisões erradas ao não construir pontes com a sociedade ao longo dos últimos anos. Também não teria chamado o ex-presidente Lula para ajudá-la, sobretudo agora. Por essa razão, Dilma apenas estaria colhendo o que plantou. E mais: “Não é segredo que Zé Dirceu nutre uma mágoa imensa pela forma como Dilma o tratou nos últimos anos, com um distanciamento duro e protocolar. Não está comemorando o fracasso da presidente porque não desejava o PT fora do poder central. Mas tampouco está triste por antever a derrota dilmista em outubro.”. O petista, condenado pelo mensalão, chamou Marina Silva de “Lula de saias”.
Mas não é só Dilma a culpada. O próprio PT ficou acuado aos seus gerentes no poder. A militância se contentou com as migalhas e perdeu a capacidade de protestar internamente. Virou um partido de coronéis de esquerda. Aqui na Bahia, a escolha de Rui Costa revela isso. Na TV, o candidato pupilo do governador Jaques Wagner é o responsável por todas as obras da Bahia. Parece que ele era o próprio governador. E não se cansa de falar em obras. O PT gostou do concreto armado e insiste na construção da ponte Salvador-Itaparica, orçada em 9 bilhões. Essa grana toda daria para construir 45 hospitais regionais. O PSDB não fica atrás. Também insiste na questão das obras e é um partido que tem medo de promover as transformações reais da sociedade. É lamentável saber que ambos vieram para transformar uma sociedade cheia de vícios. O que fizeram foi se apropriarem de um sistema e melhorá-lo em benefício da manutenção do poder. Marina Silva é a síntese da renovação na política do país.