A serpente de Ildinho

A maior dor de cabeça de Ildinho
não foi a desenfreada compra de votos, nem a acirrada e disputadíssima eleição.
Fazendo boa administração, era de se esperar que o prefeito obtivesse
reconhecimento óbvio. As pesquisas afirmavam que sim, que Ildinho seria eleito
com folga. O Instituto Padrão de Aracaju cravou 19,5% de frente, equivalente a
mais de 1 mil e quinhentos votos. Como a pesquisa também indicava 10% de
indecisos, caso todos resolvessem votar no PCdoB, ainda teríamos uma frente de
800 votos. A margem foi apertada, mas mesmo assim esta não foi a maior batalha
do prefeito.
Também não foi para Ildinho uma
dor-de-cabeça o candidato adversário. Tinha pouco carisma, fraco discurso, um
programa que não convencia a ninguém e uma atuação que não chegou a empolgar.
Mendonça era a ferramenta de um grupo para conquista do poder. Em Heliópolis,
se o histórico do candidato contasse ele nem mesmo seria candidato. Entretanto,
o que vale é a força do grupo político. Ildinho estava lutando contra um
candidato fraco, mas representante de um grupo político forte. Mesmo assim, esta
não foi ainda sua pior dor-de-cabeça.
Ildinho sofreu, e continua
sofrendo, com o ex-prefeito, ex-deputado, e agora ex-suplente de vereador, José
do Sertão, futuro vice-prefeito do próprio Ildinho. Ainda não surgiu na vida do
atual prefeito dor-de-cabeça maior. Desde que levou para o PROS os dois
vereadores, Valdelício de Gabriel e José Clóvis, o que permitiu sua indicação
forçada para ser o companheiro de chapa, o atual prefeito de Heliópolis não
teve um só dia de sossego. Logo que a chapa foi registrada, Zé do Sertão
ameaçou renunciar, principalmente quando percebeu que sua filha não estava bem
nas pesquisas. Ele usou de todos os recursos, republicanos ou não, para
garantir a eleição de Joana Darte.
Passada a eleição, com a derrota
da filha, quem disse que o homem amainou sua alma? Agora quer porque quer que
seja garantido à filha uma vaga no parlamento municipal. Para tanto, já flerta
com a oposição. Ontem, o presidente da Câmara, exatamente na hora em que cheguei
para assistir à sessão, convocou o ex-prefeito e futuro vice para ocupar um
espaço na mesa do Plenário. Isso é um aviso a Ildinho, ou melhor, uma ameaça.
Já anda até elogiando o trabalho de Ana Dalva como secretária de saúde para
induzir Ildinho a chamá-la novamente para a pasta. Ana Dalva já avisou que não
quer.
Não se surpreendam com um acordo
entre o PROS e o PCdoB para a presidência da Câmara Municipal. Em votações
importantes, Ildinho seria colocado contra a parede para convocar um vereador
para uma pasta e Jane assumir. É agora a hora de ver a fidelidade dos vereadores
José Clóvis e Valdelício. Duvido que eles fiquem contra Ildinho. Para isso,
seria necessária uma ação política do grupo, que já está tardando. Beto Fonseca
precisa acender a tocha da ação política. Não há descanso para quem está no
poder. Para os opositores, só resta jogar lenha na fogueira para ver Ildinho se
queimar.
A serpente alimentada por Ildinho nestes quatro
anos está procurando o seu ninho preferido. Para que o prefeito tenha paz, é
necessário congelá-la, tirando todas as possibilidades de picar alguém. Sem
veneno, serpente vira cobra verde. Aí, só lhe restará o que o destino pode lhe
reservar. Nesse caso, temos que rezar muito, muito mesmo, para que Deus dê
saúde ao prefeito nos próximos quatro anos, porque a cobra está debaixo da cama
e Heliópolis não merece ser tragada por este veneno.
(Landisvalth Lima)
(Landisvalth Lima)