Drogas, lícitas ou ilícitas, são problemas de saúde pública
Drogas são substâncias naturais
ou sintéticas que possuem a capacidade de alterar o funcionamento do organismo.
Estas estão divididas em dois grandes grupos, segundo o critério de legalidade:
drogas lícitas ou ilícitas. As drogas
lícitas são aquelas legalizadas, produzidas e comercializadas livremente e que
são aceitas pela sociedade. Os dois principais exemplos de drogas lícitas na
nossa sociedade são o cigarro e o álcool.
Já a cocaína, a maconha, o crack, a heroína, etc são drogas ilícitas, ou
seja, são drogas cuja comercialização é proibida pela legislação. Além disso,
as mesmas não são socialmente aceitas.
Apesar de sempre ouvirmos
notícias do uso de drogas ilícitas, a mais comum é a maconha, a lei é bem clara
e não são permitidas a comercialização no Brasil. Até porque, o uso repetitivo
e de forma continuada faz com que o organismo do usuário passe a exigir
substancias ativas da droga. Elas, de uma forma geral, agem no celebro e este
emite ordens para o corpo como se estivesse perdendo aquela substancia. A
dependência pode ser psíquica ou física.
No município de Heliópolis não há
clinicas para reabilitação de drogados e todo dependente precisa fazer
tratamento para se livrar do vício fora do município. Muitos são os casos de
pessoas que se recuperam e caem em tentação novamente. A recaída faz com que o
individuo volte a usar essas substancias e aumenta o caminho da volta à
normalidade. Muitos param o tratamento no meio do caminho. Há uma clínica de
tratamento de viciados em Tucano, na Bahia, mas há muitas clínicas em Feira de
Santana, Aracaju e Salvador. São especializadas em recuperação de indivíduos
dependentes. Também o apoio e o amor das famílias são indispensáveis.
Para esclarecer de forma mais
profunda os males promovidos pelas drogas em nosso organismo, afastando a
questão de ordem moral e se apoiando no princípio da saúde pública, foi
entrevistada a psicóloga Nilma Nunes Lima, do Centro de Referência da
Assistência Social – CRAS – da Prefeitura Municipal de Heliópolis. Sobre a questão
da ligação entre depressão e o vício do uso de drogas, Nilma disse que a
depressão tem uma relação estreita com o uso de drogas no sentido da existência
de uma comodidade, quando uma doença acaba levando a outra. No caso das drogas,
a depressão pode levar ao consumo ou abuso de drogas tanto como as drogas podem
levar à depressão. É uma via de mão dupla. “A gente vê muito em pesquisas e na
clínica que existe essa relação e, muitas vezes, a depressão não é o motivo
principal, mas um sintoma. ”, disse.
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Psicóloga Nilma Nunes Lima |
Para a psicóloga, outro fator que
está relacionado entre depressão e drogas é predisposição da personalidade das
pessoas que são mais frágeis e propensas a ter uma baixa tolerância à frustração. São pessoas de personalidade fragilizada, que não tiveram estimulado
a autoestima. Isso acaba dificultando o lidar com as emoções, daí vem a busca
pelas drogas. É uma espécie de fuga. Essa falta de coragem para enfrentar
emoções, frustações, desestruturação familiar, desilusões amorosas etc é muito
forte e faz com que o adolescente busque o mundo das drogas. É mais cômodo esta
fuga e o mais comum é desencadear um transtorno mental, não só a depressão como
também o transtorno bipolar.!
Nilma atesta que os casos mais
comuns de uso das drogas ocorrem em famílias desestruturadas, pais que não
estão presentes na educação dos filhos, ou quando estes não se sentem acolhidos
em seus lares. Também o fato de um adolescente se sentir inseguro em algum
grupo. Numa festa, ao ver os amigos bebendo, tende a fazer o mesmo para se firmar
no clã. Mesma coisa acontece com outras drogas. Começa com o uso das drogas
lícitas. Daí para a maconha, o crack e outras ilícitas é um pulo. Além disso,
existe uma predisposição hereditária em algumas pessoas. Pais que fazem abuso
de álcool podem ter filhos que também consumam a droga. Não se pode também
esquecer que a adolescência também é a fase da rebeldia. Um jovem quer provar
para todos que ele pode, que é superior, que pode correr riscos. É a
adrenalina, a sensação de onipotência. Tudo isso é porta de entrada para o uso
das drogas.
A psicóloga Nilma Lima chama a
atenção de como as famílias devem reagir diante da descoberta do envolvimento
de entes com as drogas. Passada a surpresa inicial, inclusive porque a coisa
acontecia debaixo dos olhos e ninguém via ou ouvia, deve-se superar a sensação
de fracasso dos pais. O mais comum é negarem o fato. Isso não ajuda em nada. A
questão não é moral. É de saúde. É preciso que os pais detectem sinais no
comportamento dos jovens. Dormir muito, diferença de atitude com pouca ou muita
ação, nariz muito agitado parecendo que tem renite, olhos vermelhos etc. Não
adianta brigar, dar lição de moral ou castigos severos. Ele deve se sentir
acolhido e encorajado a enfrentar o problema, porque se trata de uma doença. O certo
é dialogar e procurar ajuda. Dependendo do grau de comprometimento, há
profissionais especializados para fazer psicoterapia. Se o comprometimento for
elevado, buscar locais especializados como CAPS, que é o centro de assistência
psicossocial, clinicas de recuperação para desintoxicação e também, no caso do
álcool, os AA´s. Ou seja, passa a ser um problema de toda a família e não
apenas do adolescente ou outro membro qualquer do clã familiar.
É importante ressaltar que não é
pelo fato de serem lícitas que algumas drogas são pouco ameaçadoras. O alerta é
da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo o órgão, as drogas ilícitas
respondem por 0,8% dos problemas de saúde em todo o mundo, enquanto o cigarro e
o álcool, juntos, são responsáveis por 8,1% desses problemas.
Por Heloísa Gonçalves de Jesus,
João Pedro Mota de Sousa, Karina da Silva Nascimento, Salmo Santana Santos e
Shayane Costa Santos. (Alunos do curso de Redação do Colégio Estadual José
Dantas de Souza – CEJDS – turno matutino, dezembro de 2015)
Esta é a primeira de uma série de
quatro reportagens promovidas pelo professor Landisvalth Lima, da disciplina
Redação e Expressão, do 3º ano A do Colégio Estadual José Dantas de Souza –
CEJDS, como avaliação da IV unidade.