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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Tijuco: da miscigenação ao beiju

Igreja Velha do Tijuco - construída pelos próprios moradores
O povoado Tijuco teve como seus primeiros habitantes os escravos que conseguiram se libertar das grandes fazendas durante a segunda metade do século XIX. Várias famílias de escravos se instalaram no lugar, preservando sua cultura e formando o povoado Bom Jardim, primeira denominação da povoação, que tinha a raça misturada com os quilombolas. Depois o povoado Bom Jardim passou a ser Tijuco, composto por uma das maiores famílias que existe por lá: os Patrícios.
O Tijuco evoluiu bastante. Sua miscigenação é marca presente em sua cultura, em suas tradições. Com o passar do tempo, um grande exemplo de união e força surge. Segundo Dona Maria Silva, de 87 anos, a igreja católica foi construída pelos fiéis que levaram pedras em suas próprias costas, e que, com muito esforço, conseguiram construir a antiga igreja do pacato povoado por volta de 1981.
As repórteres pousam em frente à Igreja Nova do Tijuco
São várias as histórias vividas pelo povoado. Uma deles envolve o cemitério. Segundo José Guerra Silva, conhecido com Dé do bar, o cemitério do povoado Tijuco só foi construído depois que uma mulher, moradora do Inchuí, morreu de uma doença contagiosa, provavelmente Lepra. Levaram-na para ser sepultada em Cícero Dantas, mas não aceitaram por medo da contaminação, pois ninguém sabia ao certo o que ela tinha. Então a mandaram para ser sepultada no Tijuco, em baixo de um pé de Jatobá. Depois do ocorrido foi que construíram o atual cemitério.
Depois de ter atravessado várias secas, cresceu a iniciativa dos moradores de cavar um pequeno tanque para favorecer o povoado. Mas isso ainda era insuficiente porque o povoado crescia e a necessidade por água era cada vez maior. Aí chegou a água encanada. Depoimentos de moradores relatam que quem trouxe o projeto da caixa de água foi José Carlos Cerqueira, também conhecido como Zé do Carrinho, que enfim conseguiu trazer o tão desejado líquido para o povo, sem precisar mais de lata de água na cabeça.   
O cemitério que nasceu de um corpo enterrado num pé de Jatobá
A reportagem entrevistou também Dona Josefa Maria de Jesus, uma das beijuzeiras do povoado. Ela conta que a movimentação do trabalho na Associação do Tijuco já vinha de muitos tempos. Daí foi fundada em 2010 a Associação das Beijuzeiras, que funcionou durante dois anos vendendo beiju e derivados da tapioca. Durante esse período, teve a ajuda da Prefeitura de Heliópolis e da de Cícero Dantas, mas foi o município vizinho que mais contribuiu porque a prefeitura   comprava quase toda a produção e pagava muito bem, além de consumir outros produtos. Já por parte da Prefeitura de Heliópolis, a associação vendia somente beijus e a um baixo custo. Logo depois, por discussões e desavenças políticas a associação chegou ao fim.
Que são muitos os problemas enfrentados até hoje pelo povoado, isso todos sabem. Mas o Tijuco é o mais rico povoado de Heliópolis, notadamente por sua história e por sua cultura popular. Só resta esperar que sua comunidade, associada à políticas públicas, e sem desavenças, dê ao povoado o lugar de destaque na vida social e cultural de Heliópolis, resgatando com dignidade e sem preconceitos uma das mais significativas miscigenação de etnias de nossa região.  
              Reportagem de Aldevanice Oliveira, Claudiane Matos, Josefa Tainá e Jovana Alves como atividade avaliativa da disciplina Redação e Expressão, ministrada pelo Professor Landisvalth Lima, no 3º ano A do Colégio Estadual José Dantas de Souza.