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domingo, 11 de dezembro de 2016

Heliópolis tem final de semana violento

José Luciano morreu no local e deixa uma filha
O ano de 2016 ficará marcado como um dos mais violentos da história de Heliópolis e este final de semana, 10 e 11 de dezembro, foi certamente o mais violento da história do município. Até aqui foram contabilizados dois assaltos a mão armada, três pessoas baleadas e um morto a tiros. Dos feridos, um está à beira da morte. Não há necessidade dizer que há urgência para uma tomada de atitude. A outrora pacata Heliópolis já desponta como uma cidade violenta e parece que as autoridades que cuidam da segurança pública ainda não estão sensibilizadas.
Tudo começou no início da noite deste sábado (10). Dois homens armados fizeram um arrastão no povoado Tijuco. Além de assaltar populares, raparam os caixas do posto de gasolina do povoado. Ainda não há maiores detalhes porque nada foi registrado oficialmente, mas populares informam que os mesmos bandidos estiveram no povoado Farmácia, por volta das 20:30 horas e tentaram fazer outro arrastão. Alguém deve ter reagido ou os bandidos ficaram afobados porque começaram a atirar. Os disparos atingiram o dono do bar, Agnaldo Guerra, conhecido popularmente por Naná de Guerrinha, de 46 anos, e Vagner Nobre dos Santos, de 35 anos. Agnaldo foi atingido no braço e Vagner levou um tiro nas costas, onde a bala ficou alojada. Os dois não correm risco de vida e estão sendo atendidos no Hospital Santa Teresa em Ribeira do Pombal. Os bandidos fugiram e ninguém mais teve notícia.
Mas parecia que a noite não seria de paz. Em Heliópolis, no bar de Pedro Veloso, na Avenida 7 de Setembro, bem no centro da cidade, uma banda se apresentava e o povo se divertia para espantar o cansaço da semana de trabalho. Eram 1 hora e 15 minutos quando cinco tiros foram disparados impiedosamente. A banda parou, o povo correu e dois corpos tombavam. Dois homens, ainda não identificados, aproximaram-se de dois irmãos que se divertiam e apenas disseram: “Já compraram os caixões? ”Na sequência veio a carnificina.
Cristiano (esq.) agoniza antes do socorro e José Luciano (dir) já morto. (foto: WhatsApp)
 
Os tiros foram disparados nas cabeças das vítimas, em clara evidência de execução. O primeiro a tombar foi José Luciano Alves dos Santos, natural da cidade de Fátima e morador na Avenida Helvécio Pereira de Santana, em Heliópolis, na saída para Poço Verde-Se. Tinha 23 anos e há poucos dias retornou de São Paulo. Deixou órfã uma filha. O outro, Cristiano dos Santos Neves, tem apenas 16 anos e foi socorrido e levado para Aracaju. Até o fechamento desta postagem, familiares dizem que o estado dele é gravíssimo, mas que ainda resistia.
O corpo de José Luciano ainda está exposto no passeio público do bar de Pedro Veloso, dez horas depois do fato acontecido. Policiais militares apareceram agora pela manhã e colheram documentos. O corpo aguarda o IML – Instituto Médio Legal – de Euclides da Cunha, a 140 quilômetros, ou de Juazeiro, a 370 quilômetros. A Bahia grande e querida, que cabe inteira no coração dos baianos, ainda não atende satisfatoriamente seus filhos nas necessidades básicas. São anos de promessas de melhoria na educação, na saúde e na segurança pública e nada melhora, nada avança. Continuamos estagnados.
Logo, logo vão aparecer os teóricos a dizer que a culpa é do mundo das drogas, mas a verdade está muito além disso. Qualquer bandido pé-de-chinelo perdeu o medo do estado. O mesmo estado que prende, é o mesmo que solta. O mesmo estado que educa também marginaliza. Há muita coisa que precisa ser corrigida. Para isso, é preciso uma tomada de consciência. Não acredito numa reviravolta na mentalidade dos nossos políticos encastelados nos altos cargos da República. Eles querem o poder e pouco estão se importando se há queima-de-arquivo, morte por vingança, latrocínios e execuções. É povo matando povo. Virou coisa tão comum que uma vida vale menos que um telefone celular. 
Informações colhidas entre populares dão conta de que o assassinato de Luciano tem a ver ainda com os extermínios conhecidos do município de Poço Verde. Ou seja, mesmo após a morte de José Augusto, nossos jovens continuam sendo executados. Duro é saber que há pessoas de notório saber pregando nas redes sociais que “bandido bom é bandido morto”. Além de colocar todos numa agenda só, sem ao menos direito ter a uma investigação policial, estão condenando nossa juventude a viver a era da oportunidade única, mesmo com uma educação de péssima qualidade, numa sociedade administrada pelos mais variados corruptos. Será que vamos ter que aguardar aparecer um Sérgio Moro na segurança pública?