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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Poço Verde estagnado

Poço Verde - Se
Não é preciso aqui dizer da vocação do povo de Poço Verde para o trabalho. Milhares de pessoas acordam cedo e produzem riquezas que alimentam a máquina econômica. A população cresce, o nível de vida melhora. Tudo isso, repito, por força do seu povo. Se depender dos seus políticos... Bem, se é verdade que os políticos são escolhidos pelo povo, então estabelecemos aqui uma grande contradição: como o gerador de riquezas escolhe mal aqueles que as administram?
Antes de mais nada, sou um defensor intransigente da democracia. Com todas as suas imperfeições, ainda não inventaram sistema sequer igual. Também registro que este artigo não generaliza nada. Poço Verde teve alguns poucos e notórios administradores, alguns até poderiam avançar mais, caso se libertassem das amarras de alguns sanguessugas, ou carrapatos de poder.
E vou aqui aproveitar o gancho da eleição municipal. Quando recebi as primeiras pesquisas internas, com ainda Tiago Dória candidato à reeleição, Iggor Oliveira estava disparado com 66% da preferência. O prefeito carregava parcos 20% e uma rejeição do tamanho de um prédio de 40 andares. Luís Américo tinha apenas 2% e 12% ainda estavam indecisos ou não votavam em nenhum. O motivo todos sabiam. Sendo a prefeitura municipal o principal empregador, não se pode admitir atrasos no pagamento de salários. Não ofende apenas a dignidade do servidor como alimenta o caos em toda economia.
Com a entrada de Eduardo Milton, os números foram gradativamente melhorando, a ponto de até se pensar numa chegada final, com disputa sensacional. Dez dias antes da eleição, também numa pesquisa interna, Iggor caía para 53%, Eduardo chegava aos 41%, Luís Américo ainda com 2% e apenas 4% de indecisos ou que não votavam em nenhum. Fazíamos um paralelo com o candidato do PSDB de São Paulo. Lá, o candidato cresceu e ganhou no primeiro turno. Aqui aconteceu o voo da galinha.
Todos conheciam os motivos e ninguém fez nada. O que parecia chegar numa disputa final aguerrida acabou numa vitória tranquila, quase sonolenta e esperada. Imaginávamos que os servidores seriam pagos com mil pedidos de desculpas e que a vitória de um ou de outro estaria calcada num discurso voltado para resolver os eternos problemas de Poço Verde. Não! Acabou virando uma eleição do voto de vingança a um péssimo administrador. Tiago Dória foi, de fato, o maior cabo eleitoral de Iggor Oliveira.
Porque não dá para entender o isolamento dado a Luís Américo. Qual a diferença pragmática entre ele e Iggor Oliveira? São até da mesma família. Seria o poder econômico? Ou seria o fato de ser o eleito filho de Everaldo Oliveira apenas? Talvez fosse o fato de Iggor estar mais próximo da vitória. O povo não gosta de perder. Sei que uma coisa não fizeram: analisar os programas de governo de um ou de outro. Também, na eleição passada, Tiago Dória não foi eleito por sua competência, mas por ser indicado por Toinho de Dorinha. Está aí o resultado. Quando vamos aprender?
Abro aqui ainda mais um parênteses para dizer que não tenho ligações com nenhum dos candidatos. Se votasse aqui em Poço Verde, votaria em Lourinaldo Lisboa, Ina Valéria, Iranilde, Ceiça, Jorge Leal,  Andreza, Adriano, Jobeane, Oneas ou outro professor que aceitasse o desafio. Sairia até candidato se fosse possível. Penso que se anda é para frente. O passado serve para nos ajudar a construir o presente e projetar o futuro. Política não pode ser o que estamos praticando por aqui. Chamem de outra coisa, política é que não é!
Enfim, somos vítimas das nossas próprias escolhas. Não duvido que Iggor Oliveira faça uma boa administração e coloque Poço Verde nos trilhos. Seria uma grata surpresa, e ele estaria colocando o nome dele na história, afastando de vez o fantasma de ser filho de um administrador de comportamento republicano duvidoso. Só que ele não foi eleito por ter um bom projeto, por ser considerado competente, por discutir políticas públicas, por forjar um novo horizonte para o vale do Rio Real. Valeu o voto da vingança, do oportunismo, das promessas de emprego, das negociatas etc. Isto também poderia ter acontecido com os outros dois candidatos. 
O processo eleitoral já passou. A vida segue, e segue sufocada. O poçoverdense está descrente no futuro. A economia está estagnada, a fé também. Estagnada está a mentalidade de muitos políticos que não percebem o momento. Como podem ter a coragem de pensar em aumento de vencimentos de prefeito, vice e vereadores a uma altura destas? Pagar 30 mil de salários a um gestor público numa terra com vários meses de salários dos servidores atrasados é dar um tapa na cara do cidadão e dizer a ele que, apesar de ser o produtor das riquezas do município, são os políticos os principais destinatários destas benesses.