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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A visita de Rui Costa IV: O cenário político para 2016

Governador Rui e Costa e o prefeito Ildinho no povoado Cajazeiras
A última parte desta série de artigos sobre a visita do governador Rui Costa termina com uma análise política, a nível municipal, dos efeitos do evento no pleito deste ano. Primeiro, é preciso ser preciso: o maior beneficiado foi, claro, o prefeito Ildinho. E não estou aqui me referindo aos efeitos benéficos das obras inauguradas, mas ao comportamento comprovadamente humilde e calculado do alcaide. E parece que o prefeito adora quando pensam que ele não tem preparo para fazer política. Quem, por exemplo, teria coragem de colocar o nome de um falecido, mas homem honrado, pai de uma família de adversários. O nome da praça do povoado Serra dos Correias é Ananias Gama. Os filhos do homenageado não votaram em Ildinho, mas Ananias foi ex-vereador. Homenagem justa.
Então, observem também os nomes que aparecem nas placas das obras inauguradas. Todas têm o nome de José Gama Neves, vice-prefeito. Todos sabem que Gama está rompido com Ildinho, mas ele não é, de fato, o vice-prefeito? Não foi eleito pela chapa então da oposição? Por que não colocar o nome, já que ele é o substituto natural do prefeito? Nas placas das obras inauguradas pelo ex-prefeito Walter Rosário (PC do B) não constam o nome do ex-vice-prefeito José Andrade Guerra (PT). Zé Guerra rompeu com Waltinho para apoiar Ildinho porque nunca foi prestigiado. O lado bom é que não teve o seu nome envolvido nas obras superfaturadas do PC do B municipal, nem se enrolou na Operação 13 de Maio de 2014, com a Polícia Federal invadindo sua casa.
Este fato deixa o PT numa situação difícil. Uma parte do partido apoia Ildinho, mas a cúpula, liderada pela ex-prefeita de Banzaê, não vai querer que o PT vá com o prefeito de Heliópolis para o palanque. E mesmo que Jailma consiga contornar a coisa, Ildinho não vai querer ter ao seu lado Zélia Maranduba, Antônio Jackson e Mundinho do Tijuco. Se quisesse não os tinha demitido. A questão é simples: o PT de Heliópolis terá que decidir sua vida em 45 dias. Zé Guerra e seus seguidores precisam decidir logo a questão.
E Gama Neves? Merecia tal honraria, já que não faz mais parte do quadro de apoiadores do prefeito? Claro que sim, mas a questão é muito maior. Caso o vereador José Mendonça Dantas mantenha a candidatura, Gama é o candidato natural a vice-prefeito. Mas corre um zunzunzum que o vice não quer mais ser vice de ninguém. Gama também jamais seria vice na última eleição. Seria candidato a prefeito ou a nada. Ele já tinha sua vice preferida: Ana Dalva. É bom lembrar também que Ildinho não queria ser prefeito de Heliópolis. As afirmações políticas dos políticos são como nuvens passageiras, que mudam conforme os ventos!
Em suma, Gama será vice se tiver chance de vencer como tal. Perder é que ele não quer. Só se não tiver jeito. E aí é que entra a humildade de Ildinho. Ele jamais fechou a porta de retorno de Gama Neves ao grupo e, perguntando se o aceitaria de volta, não titubeou: “Sim!”. A resposta afirmativa está longe de ser um enredo perdido. Caso o vice seja ligado ao ex-prefeito Aroaldo Barbosa, Gama ficará no escanteio. Caso seja Gama, Aroaldo é que ficará na berlinda. Ildinho espera de camarote e aguarda saber quem vai com quem para decidir a sua segunda voz. 
A visita de Rui Costa não mudou o cenário político municipal de Heliópolis, mas reforçou as bases sólidas da reeleição de Ildinho. Não há dúvida de que Mendonça é o mais autêntico candidato do PC do B de Heliópolis, mesmo que ele não tenha nada do “C”. A questão é o grupo dos Pardais e não o partido. José Mendonça já foi seguidor ferrenho de ACM em Heliópolis, a ponto de mandar as pessoas que falavam mal do cabeça branca lavar a boca. Estar no PC do B hoje não faz a menor diferença. Qual a diferença mesmo que há entre o antigo PFL ou PDS e o PC do B? O maior desafio do vereador é não deixar escapar Gama e Aroaldo. Perdendo apenas um, a derrota ficará mais próxima. Por enquanto, é Ildinho quem, humildemente, aguarda a hora de fazer a jogada final e definitiva.