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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Giomar apronta e vereadores abandonam sessão

Bancada da situação abandona Plenário (foto: Ana Lúcia)
Na última segunda-feira, 30 de novembro de 2015, aconteceu mais uma sessão da Câmara Municipal de Heliópolis, iniciada exatamente as 09:20 e encerrada às 10:05. Em apenas 45 minutos, tudo foi feito para que nada fosse decidido. Pior, tudo que foi decidido na sessão anterior nada valeu.
Como sempre, estavam presentes os vereadores Giomar Evangelista (Presidente), Claudivan Alves (vice-presidente, que saiu antes de findar a sessão), Valdelício Dantas da Gama (1° secretario), Doriedson Oliveira (2° Secretário), Ronaldo Santana, José Emídio, Zeic Andrade, José Clovis e José Mendonça Dantas. A pauta central nesta reunião foi a respeito de uma emenda apresentada por José Emídio (Zé do Sertão) alterando o QDD – Quadro Direcionador de Despesas – da Câmara Municipal de Heliópolis – para o Orçamento de 2016.
Vereadores Mendonça e Doriedson  (foto: Ana Lúcia)
Ocorre que o presidente da Câmara não seguiu o rito regimental. A Emenda teria que ser enviada às devidas comissões para parecer e outros procedimentos. Na leitura da Ata da sessão anterior nada disso foi relatado. Após a leitura completa da ata, o presidente colocou o documento em votação. O vereador Jose Emídio disse que estava contra e que, pelo que foi declarado, o presidente arquivou a emenda, chamando essa atitude de repugnante. Ronaldo Santana logo deu seu apoio a Jose Emídio. Foi aí que José Mendonça disse uma frase enigmática: “As pessoas usam do poder para simplesmente abusar do poder”. Ninguém sabe se ele estava dando uma indireta ao colega que ocupava a cadeira de presidente ou se estava querendo desmerecer o poder da maioria que, agora, se virava contra ele. Mendonça quer separar o orçamento da Câmara como independente da Lei Orçamentária do município e chegou a dizer que o orçamento do Legislativo havia sido aprovado no dia 31 de agosto.  
O vereador José Emídio disse que o que se discutia era uma emenda e não dependência ou independência do Legislativo. Também o vereador Jose Clovis demonstrou seu apoio a José Emídio. Com isso, após a votação, a ata foi desaprovada por 5 votos a 2.  Isso vai gerar novo processo e parece que Giomar Evangelista deixará uma marca em sua gestão: Mais vale um processo que me leve que uma verdade que me derrube.
Vereadores governistas irritados com Giomar
(foto: Ana Lúcia)
Giomar Evangelista já está sendo chamado de “O Eduardo Cunha de Heliópolis”. A alcunha é injusta. É que o Cunha conhece como ninguém o regimento da Câmara e o Giomar não sabe nada, ou finge não saber. Prova é que quem o sustenta hoje é o vereador Mendonça, que pouco está se importando com Heliópolis. Ele quer que o circo pegue fogo para ver se sobra alguma chance de candidatura para ele. Ao mesmo tempo, retira Giomar do caminho. Prova é a discussão que promoveu com Zeic Andrade sobre a presença ou não em reunião de comissão. Quando Zeic disse que não foi convocado, chamou o rapaz de folgado e preguiçoso e ainda foi defendido pelo presidente, numa atitude clara de “Primeiro os meus, Mateus!”.
Depois disso tudo, começou uma discussão. Doriedson queria falar, José Emídio queria falar e o bate-boca tomou lugar, numa clara demonstração de incompetência na condução da sessão. Nem segue o regimento, com inscrições prévias, nem abre espaço para todos, privilegiando os seus aliados. Na cabeça de Giomar Evangelista parece estar escrito a seguinte frase: “Se não for para mim, não vai para ninguém.” E foi daí que a baixaria tomou conta da casa. Os vereadores da situação resolveram abandonar o Plenário e acabaram dando a Giomar o que ele queria: que não se decidisse nada.
 As diárias da discórdia
Vereador José Clóvis (foto: Ana Lúcia)
Os vereadores da situação cobram de Giomar Evangelista o cumprimento de tratamento igualitário, notadamente no pagamento das diárias. Até aqui, pelo que se sabe, só os vereadores do chamado grupo de oposição recebem o benefício. Giomar chegou até a mentir quando disse que a vereadora Ana Dalva também fazia o mesmo. Rapidamente José Clóvis foi prontamente justo. Afirmou que Ana Dalva pagava a todos igualmente, inclusive os comunistas eram os primeiros a receber. De fato. A vereadora, atual secretária de saúde de Heliópolis, chegou inclusive a ultrapassar o limite neste tipo de pagamento e pagou uma multa de 1 mil reais ao Tribunal de Contas. Mas esperar de Giomar o reconhecimento, é querer demais!
Maioria inútil
Na convocação da sessão extraordinária para análise da suplementação, a bancada do prefeito Ildinho deu um show ao fazer as três sessões extraordinárias e aprovar a lei. Fez valer legalmente o poder da maioria. Mas parece que ficou só nisso. Será que estão esperando diálogo por parte de Giomar? A prova de que ele está querendo bagunçar é que vive dizendo que as três sessões foram ilegais, mas até hoje não promoveu as que ele considera legais. Se estava tudo errado, por que não convocou a Câmara para as sessões regimentais e reconhecidas? O que os vereadores não podem é esperar milagres. Giomar quer guerra. Quer uma justificativa para dizer ao povo que lutou e foi esmagado pelo poder. Quer passar-se de vítima. Quanto mais continuar este lengalenga, melhor para ele. Já há elementos suficientes para expulsá-lo da mesa da câmara. É só prestar atenção ao regimento. O que não se pode é esta baixaria que não leva a nada, ou esperar que a Justiça de Cícero Dantas, lenta e sobrecarregada, decida algo rapidamente. O setor jurídico da prefeitura municipal sabe disso. Afinal, a coisa vai continuar assim? Se não há diálogo, a maioria tem que funcionar. E para o bem do município!

Reportagem: Ana Lúcia. Texto: Ana Lúcia e Landisvalth Lima.