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terça-feira, 26 de maio de 2015

Djalma Batata é assassinado em Conceição de Feira

O radialista Djalma Batata denunciava crimes e recebia muitas ameaças. Seu corpo foi encontrado em Conceição da Feira
                 FLÁVIA TAVARES – da revista ÉPOCA
Djalma Batata é mais um jornalista assassinado na Bahia
Apenas cinco dias depois de o corpo do jornalista Evany José Metzker ser encontrado decapitado e com sinais de tortura na cidade de Padre Paraíso, em Minas Gerais, mais um jornalista foi assassinado, desta vez na Bahia. Djalma Santos da Conceição, conhecido como Djalma Batata, era radialista e seu corpo foi encontrado nas margens da BR-101 em Timbó, área rural da cidade de Conceição da Feira, a 110 quilômetros de Salvador, na manhã de sábado (23).
Djalma tinha 54 anos. Comandava o programa Acorda, Cidade! na rádio comunitária RCA. Das 7h às 8h30, Djalma era a voz mais ouvida da cidade. Sua cobertura era principalmente de crimes, mas ele também emitia opiniões sobre política. Recentemente, Djalma decidiu apurar o assassinato de uma adolescente por traficantes da região. "Ele foi ao local do crime sozinho, já que a polícia temia iniciar uma guerra com os criminosos", diz Roseane Silva, colega de Djalma na rádio. Djalma pediu permissão aos traficantes e ajudou a recuperar o corpo para enterrar a garota. Irmãos de Djalma declararam a sites de notícia locais que o radialista sofria ameaças constantes, mas não disseram de quem. Na manhã de sexta-feira, Djalma recebeu, na rádio, um telefonema o ameaçando de morte. Não deu maiores detalhes. O radialista também era responsável por recolher doações para a população mais pobre da região. Para inteirar a renda, Djalma tinha uma empresa de dedetização e um bar na cidade vizinha de Governador Mangabeira, onde ele morava com a família.
Foi nesse pequeno bar, chamado Quiosque, que Djalma foi sequestrado por volta das 23h30 de sexta-feira. Três homens encapuzados saltaram de um carro branco, ainda não identificado pela polícia, e obrigaram Djalma a entrar no porta-malas, sob a mira de armas. O jornalista costumava circular de colete à prova de balas, mas foi encontrado, na manhã seguinte, desprotegido do colete, alvejado por pelo menos 15 tiros. Os policiais encontraram no local, uma estada vicinal de chão batido próxima à margem da BR-101, 25 cápsulas de pistolas 0.40, 0.45 e 0.380. Djalma estava com a língua cortada e o olho direito arrancado. Um investigador da cidade, que pediu para não ser identificado, disse que, por ser na beira de duas estradas importantes (a BR-101 e a BA-052), o comércio da região é alvo de assaltos frequentes. 
Everaldo Monteiro, presidente do Sindicato de Radialistas da Bahia, disse que "infelizmente, até o momento, não fui procurado por ninguém do governo nem do Conselho Estadual de Comunicação para tratar do assunto". O Conselho, do qual Monteiro faz parte, é formado por empresas de comunicação e de propaganda do Estado, pela secretaria de Comunicação do governo e por profissionais da área. O governador da Bahia, Rui Costa, do PT, informou, por meio de seu assessor de imprensa, Ipojucã Cabral, que "todos os crimes têm o mesmo tipo de empenho do governo nas investigações, independentemente se for médico, engenheiro ou jornalista". Acrescentou que "no final do inquérito, se for caracterizado como crime de mando pelo que Djalma Conceição dizia em seu microfone, o rigor será absoluto e total". Cabral informou que não foi formada uma força-tarefa para resolver o caso, mas que "a polícia de Santo Amaro da Purificação está colaborando". Ele não soube informar quantos homens estão trabalhando no caso.