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sábado, 14 de março de 2015

O ápice do cinismo

                             Landisvalth Lima
Levy Fidelix
Os poucos leitores deste blog conhecem o uso da válvula de escape do eleitor que votou num dado candidato ou candidata que, quando no poder, não correspondeu. É comum ouvir a clássica “todos os políticos são iguais”. Se não houver jeito, se for passado na cara que candidato tal é diferente, nunca foi envolvido em incompetência ou corrupção, já está pronta uma outra resposta: “O povo não quer” ou “Não tem voto”. Este vício de transformar uma eleição num campeonato, somado ao jogo do comércio do voto, tem causado enormes prejuízos ao nosso país. O que eu não imaginava era assistir um dia meus outrora ídolos no poder expondo perversidade, incompetência e cinismo, não necessariamente nesta ordem.
Uma vez a esquerda no poder, com minhas modestas ajuda e luta, passou um filme de moralização do serviço público e da divisão justa da renda nacional. Sabia que não seria fácil. Os políticos do bloco da direita eram experientes, poderosos e incansáveis na busca do poder. Como Lula já trazia uma boa parte deles debaixo do braço, achei que a tarefa seria mais branda. O resto todos já sabem. Não vou aqui ficar repetindo. Lula jogou o milho e, como galinhas, fizemos a festa. Do Bolsa família ao Pré-sal, os grãos foram espalhados ao nosso alcance. Sem saúde, sem terra, sem segurança e sem educação, mas de papo cheio na minha casa, e com o celular da minha vida, devotamos, como nunca antes na história deste país, amor quase eterno ao Partido dos Trabalhadores e ao seu líder, antes o sapo barbudo e o comunista aloprado. Tenho a impressão que a palavra que resume isto é perversidade.
Enquanto isso, os homens que matavam e morriam defendendo a maior empresa de todos os brasileiros, alegando que as elites queriam devorá-la com a privatização, faziam o maior saque que se tem notícia aos cofres da estatal. Com isso, o PT solidificava, ao lado do PMDB e do PP, o seu projeto criminoso de poder, colocando o Mensalão como um cafezinho diante do banquete da usurpação da Petrobrás. A empresa foi engordada para alimentar o saco faminto do poder dos políticos reformuladores da nossa nação. Deputados, senadores, sindicalistas, jornalistas, doleiros, diretores, governadores, secretários.... Todos foram saciados nos inimagináveis 12 anos de poder! Como fariam o diabo para vencer uma nova eleição, não mediram seus atos. A ordem era mentir, mentir e mentir. Cansados de tanto mentir, mentiram novamente. Marina Silva foi demonizada para o espetáculo final desejado: PT X PSDB. Ultrapassaram todos os limites sem dó e venceram. Estamos agora aqui desfalecidos,  cabisbaixos, quebrados, endividados. O país desce ladeira abaixo. Quem lutou pelo poder não sabe como sair da situação engendrada. A palavra é incompetência.
Na sexta-feira (13) os ex-companheiros foram para as ruas. Na minha vã esperança, imaginava vê-los arrependidos. Não mesmo! Pregavam a apuração da corrupção na nossa Petrobrás e a colocação dos envolvidos na cadeia, sem condenar o PT por isso. Reclamavam das medidas provisórias de Dilma, que retiram direitos trabalhistas; defenderam a Petrobrás, mas não querem o impeachment de Dilma. Dizem ser um golpe. E são os mesmo que foram para as ruas pedir o impeachment de Collor. É! Collor, aquele mesmo que ganhou a eleição para o Lula. É! O Lula, o mesmo que ajudou a tirar o alagoano do poder e permitiu a revelação de nomes como Lindenberg Farias, promovido pelos caras pintadas da Globo, hoje senador ao lado de Collor. Ambos são defensores do governo Dilma e os dois receberam ´propinas da corrupção alicerçada na Petrobrás. A Globo agora é o próprio Satanás, como de resto toda a imprensa do país. Isto é cinismo! 
Mas o ápice do cinismo é dizer que o Brasil é um país livre e todos podem se manifestar, mas ao mesmo tempo dizer que os que vaiam tem olhos azuis, pele branca e moram no Morumbi ou na Vieira Souto. Também dizer que o ato marcado deste domingo (15) não se justifica porque as eleições já passaram e não há terceiro turno. E o que dizer quando o ex-presidente da Petrobrás vai a uma CPI e diz que não há corrupção sistêmica na estatal e que o fato foi algo isolado. Pior, disse que era impossível ao presidente da empresa descobrir os desmandos revelados pela Operação Lava Jato! Só para completar a bestialidade, disse tudo isso num trio elétrico e ainda foi ovacionado pelos companheiros. E o discurso de Dilma no Dia Internacional da Mulher? Não vale a pena comentar. Só sei que este cinismo da presidente, somado à sua incompetência e perversidade, resultou em 7% de aprovação. Este número já é inferior ao de Collor. São os eleitores do parágrafo inicial deste artigo, muitos presentes às manifestações de sexta-feira (13) e também aqueles que condenam o ato deste domingo (15). Aqui não me arrisco a dizer que é cinismo. Creio ser um lenitivo para justificar a besteira que fez ao votar em Dilma e não ter a serenidade de admitir que foi enganado. Mais, não conseguem ver o óbvio: até o Levy Fidelix seria melhor presidente que Dilma.