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Tiroteio, morte e sequestro em Heliópolis

João José (esquerda) morreu no tiroteio. Mateus (direita) está desaparecido A violência em nossa região está tão grande que é preciso a...

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sábado, 4 de outubro de 2014

Marina pode ser presidente do Brasil, mas sem apoio da maioria de negros e pobres

                                                             Landisvalth Lima
Marina Silva (PSB)
Uma contradição está revelando a verdadeira face do Brasil. Aqui, diferente do que ocorre em muitos países, negro não vota em negro e pobre só vota em rico. Claro que isso não é regra geral, mas, segundo pesquisa Datafolha, entre os que recebem o Bolsa Família, Dilma chega a pontuar em 63 pontos. Marina não chega a 20.  
 Em reportagem do jornalista Brian Winters, da Reuters, publicado no portal do UOL Eleições, os brasileiros podem fazer história este mês caso Marina Silva (PSB), uma filha de seringueiros pobres da Amazônia, seja eleita a primeira presidente negra do país. Ainda assim, Marina encontra-se atrás da presidente Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição pelo PT, nas preferências entre os eleitores de ascendência africana.
A desvantagem, que contrasta com o que aconteceu no caso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que foi eleito em 2008 e reeleito em 2012 com massivo apoio dos norte-americanos negros, pode custar a Marina a vitória em uma acirrada corrida presidencial. As razões por trás das dificuldades de Marina ecoam com eloquência a própria história brasileira e sua complexa relação com as questões raciais, assim como espelha o recente progresso social que tem rendido à presidente Dilma favoritismo para vencer a reeleição, apesar de uma economia em baixo crescimento.
Mas essa contradição também está presente entre estudantes universitários, tidos como eleitores de Dilma para evitar o retorno do PSDB ao governo. Não houve migração de eleitores de Dilma para Marina, mas de indecisos e descrentes para Marina. Na maioria, classe média alta e ricos. Nas últimas semanas, a Reuters entrevistou mais de vinte brasileiros negros em três cidades. Muitos dizem que ficariam orgulhosos em ver Marina vencer --especialmente em um país no qual os negros têm sido historicamente sub-representados em governos, universidades e diversos outros setores da sociedade.
No entanto, eles também afirmam que estão mais focados na economia do que em qualquer outro fator. Desde que assumiu o poder em 2003, o PT promoveu grandes avanços na redução da pobreza, especialmente entre negros. Isto é mais uma espécie de desculpa para justificar o voto. Salvador é a capital mais negra do Brasil e só teve, em toda sua história, um único prefeito negro. "Ninguém quer voltar ao passado", disse Gustavo Leira, um servidor público aposentado de 71 anos, em Brasília. A raça da Marina é importante, disse ele, "mas não a coisa mais importante".
Marina, cuja plataforma possui um posicionamento mais ao centro e favorável ao mercado, tem em grande medida evitado tocar no tema racial, refletindo uma longa tradição na política e na sociedade brasileiras. A esmagadora maioria dos brasileiros evita discutir questões raciais, preferindo, em vez disso, falar em termos de classe social. Ao longo dos séculos, o Brasil recebeu 10 vezes mais escravos africanos do que os Estados Unidos. O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão, em 1888. Hoje, os negros brasileiros têm probabilidade três vezes maior do que brancos de sofrer com a pobreza extrema. Entretanto, parece adorar os brancos e odiar sua própria raça, quando a questão é poder.
Perguntada em uma entrevista à Reuters na semana passada o que significaria ser a primeira presidente negra do Brasil, Marina respondeu: "Não somente (isso)... Eu também seria a primeira ambientalista. Tenho muito orgulho de minha identidade como mulher negra", acrescentou ela. "Mas não faço uso da minha fé ou minha cor. Vou governar para todos. Para negros, brancos, crentes e descrentes, independentemente de sua cor ou condição social", afirmou. Seria uma bênção se tal comportamento de negros e pobres fosse um indicativo da não existência do preconceito entre nós, mas não é isso. Marina também é vítima do preconceito contra os evangélicos, do mesmo jeito que o candomblé, o homossexualismo, o uso de drogas e outros sofrem discriminação por parte de muitos segmentos evangélicos.
Em suma, parece que o que menos importa é o programa, o preparo, o debate. Dilma, se vencer, não será por seus méritos, mas por ser aliada de Lula e por causa dos programas sociais. Aécio, se vencer, não será por ser um bom gerente, mas por ser antipetista. Marina, mesmo se esgoelando para representar o novo, para fugir da dicotomia PT X PSDB, pode perder para o seu próprio povo. A coisa é tão complexa que, em qualquer país do mundo, o escândalo da Petrobras derrubaria um governo inteiro e provocaria até suicídios dos políticos envolvidos. Aqui, principalmente entre os pobres, político é ladrão mesmo. Se roubar e me der algo, é o cara. E ainda tem gente que não entendeu por que Joaquim Barbosa pediu aposentadoria. Enquanto ele lutava para colocar corruptos na cadeia, a maioria do povo brasileiro aprovava o governo que permitiu a falcatrua. E não fica só por aí. Vários políticos condenados pelos tribunais eleitorais dos estados lideram as pesquisas ou constam em provável lista de eleitos. Só para citar: José Roberto Arruda (DF), Paulo Maluf (SP), André Moura (SE) e por aí vai.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Empresa indica como ganhar dinheiro com o resultado da eleição

Ganhar dinheiro com o resultado eleitoral?
Em artigo assinado por Felipe Miranda às vésperas das eleições, a Empiricus, uma empresa independente de análise de investimentos, baseada em São Paulo, publica recomendações amparadas em estudos financeiros e econômicos, levando em consideração os possíveis cenários após os resultados do pleito deste ano. Para o articulista, nunca antes se viu cenários tão extremos para a economia e para o mercado. 
O artigo é intitulado “O voto no seu próprio Bolso" e diz que em que se pesem pequenas oscilações típicas das pesquisas, os três principais candidatos possuem chances significativas de assumir a presidência em 2015. Aécio, Dilma e Marina estão todos no páreo. Ele descarta em absoluto a antiga consideração, vigente até o fim de 2013, de que se tratava de um caso trivial de reeleição. As últimas apurações sugerem, inclusive, maior probabilidade de vitória da oposição no 2º turno. Portanto, ele prega que devemos estar preparados tanto para o continuísmo quanto para uma transformação importante da macro brasileira – com efeitos diretos sobre a renda, gastos e investimentos.
Se Aécio ou Marina vencerem o pleito, as semelhanças econômicas serão muito maiores do que as diferenças. Correção das contas públicas, controle da inflação e gestão transparente constituem três dos pilares fundamentais desta eventual nova administração. Além das medidas concretas, Aécio e Marina devem ser agraciados, logo de cara, com um voto de confiança do setor privado, doméstico e internacional. Por si só, essa confiança ajudará na redução dos prêmios de risco e atrairá dinheiro para o Brasil. Trata-se de um panorama particularmente favorável ao investimento em Bolsa.
Por outro lado, o caráter inercial da reeleição de Dilma implicaria quatro anos de mais do mesmo. O Governo atual não parece interessado em reconhecer erros, quanto menos em aprender com os erros. Logo, seria demasiado utópico supor de antemão um novo mandato de Dilma menos oneroso economicamente do que o mandato anterior. Nesse sentido, a reeleição catalisaria as premissas da tese do Fim do Brasil, publicada pela consultoria Empiricus como um alerta para a necessidade de proteção financeira.
O autor da tese argumenta sobre o possível falecimento da matriz econômica criada junto ao Plano Real e sustentada pela equipe de Lula. Tal falência culminaria em forte valorização do dólar contra o real, queda da Bolsa e disparada das taxas de juros. Se o cenário animador da oposição estimula aplicações mais cíclicas, a hipótese de reeleição demanda cuidados com sua carteira de investimentos. 
Não se deve, entretanto, assumir uma postura maniqueísta, pois o investidor pessoa física é capaz de lucrar em ambos os contextos. Basta se posicionar desde já nos ativos financeiros mais adequados a cada objetivo. Para Felipe, Marina, Aécio e Dilma estão todos no páreo, não há como adivinhar o resultado eleitoral. Felizmente, a saúde financeira dos brasileiros – na crise ou na recuperação – não depende de adivinhações. Diante disso, a Empiricus preparou um relatório especial trazendo recomendações exclusivas de como posicionar seus investimentos diante do resultado eleitoral. Se você está interessado, o caminho é clicar aqui.

Marina é vítima de preconceito

                       Da redação do portal da revista VEJA
                            Marina Silva concede entrevista à rede CNN (Reprodução / CNN/VEJA)
Candidata disse à rede de TV americana CNN que pessoas com sua origem 'têm que provar o tempo todo que são inteligentes e competentes para assumir cargos de liderança'
A rede americana CNN exibiu nesta quarta-feira uma entrevista com a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva. À jornalista Christiane Amanpour, Marina falou dos ataques de que vem sendo alvo na campanha – e afirmou ser vítima de preconceito por causa de sua origem pobre. “Eu perdi minha mãe com quatorze anos e eu tive que cuidar dos meus sete irmãos. Lutei e continuo lutando, mas eu sempre digo que a educação fez um milagre na minha vida. Tive que enfrentar muitos preconceitos, preconceitos com os quais convivo até hoje. É muito fácil atribuir qualquer opinião para desqualificar uma pessoa com a minha vida.”
Descrita como uma “candidata por acidente”, Marina foi questionada sobre sua queda nas pesquisas de intenção de voto. Afirmou que ainda é cedo para traçar panoramas para o segundo turno. E lembrou que sua campanha começou depois das dos principais concorrentes, após a trágica morte de Eduardo Campos em um acidente aéreo, em 13 de agosto.
Ao tratar sobre sua trajetória de vida, Marina afirmou que se orgulha de suas origens. “Neste momento, há uma campanha de desqualificação do meu trabalho e da minha trajetória de 30 anos de vida pública, em que ninguém pode encontrar uma atitude de preconceito contra quem quer que seja. No entanto, talvez em função da minha religião, eu tenho que pagar um preço muito alto. Pessoas que têm a minha origem têm que provar o tempo todo que são inteligentes e competentes para assumir posições de liderança. Essa trajetória de vida é para mim um motivo de orgulho”.
Questionada sobre sua posição em relação ao casamento gay, Marina falou que seu programa de governo assegura mais direitos à comunidade LGBT do que os de seus concorrentes. Disse que suas propostas defendem a manutenção da atual legislação que garante a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Afirmou que “todos os direitos de casais heterossexuais estão assegurados para os homossexuais”.
A jornalista ainda questionou Marina sobre a espionagem americana, que provocou uma crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos no ano passado. “O que foi feito nos Estados Unidos espionando outros países e a nossa própria presidente é inaceitável, e deve ser repudiado com toda a veemência. No entanto, é fundamental que se estabeleça um novo padrão para as relações entre os diferentes países, orientados pelo princípio de uma cultura de paz e cooperação, do exercício da liderança fraterna”.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Dalva Sele apresenta provas e complica PT

Jairo Costa Júnior – da redação do CORREIO
Dalva Sele complica PT
Autora das denúncias que apimentaram a reta final das eleições na Bahia, a presidente do Instituto Brasil, Dalva Sele Paiva, foi alvo de toda sorte de acusações. Em especial, de trair, roubar dinheiro público e mentir sobre o envolvimento de petistas graduados em desvios de verbas que deveriam bancar a construção de casas populares. Chamá-la de mentirosa ganha cada vez mais dificuldade.
As 17 cópias de documentos entregues pela dirigente da ONG ao CORREIO mostram as relações entre o instituto e integrantes do Partido dos Trabalhadores na Bahia. Indicam também como parte do caixa da entidade foi parar em contas de pessoas ligadas a parlamentares do partido e ou a políticos da base aliada ao governo Jaques Wagner.
Referência à campanha de 2008. Segundo entrevista da presidente do Instituto Brasil,
esse recibo foi assinado por um integrante da campanha de Walter Pinheiro
 a prefeito e se refere à entrega de um cheque de R$ 60 mil
No lote de cópias de documentos que compõe parte do baú que Dalva Sele diz ter, dois se referem à campanha do senador Walter Pinheiro (PT) para prefeito de Salvador em 2008. O primeiro é a reprodução de um relatório contendo dados sobre três cheques da conta corrente do instituto na agência do Banco do Brasil do Rio Vermelho.
A dois deles - os de números 850761 e 850022 - são atribuídos o valor de R$ 100 mil cada. O terceiro, de nº 850916, tem valor informado de R$ 60 mil. Os dois primeiros, segundo o relatório entregue também ao Ministério Público do Estado, estão datados de 24 de outubro de 2008. Dois cheques foram entregues ao tesoureiro da campanha e sacados na boca do caixa. Trata-se da sexta-feira que antecede a votação do segundo turno em Salvador, quando Pinheiro acabou derrotado pelo então prefeito João Henrique.
“Os dois cheques foram entregues para o tesoureiro da campanha de Pinheiro e sacados bem perto do dia da votação, depois do expediente bancário. Lembro que os saques foram feitos em uma agência da Caixa Econômica do Garcia. O terceiro cheque entreguei pessoalmente a um secretário dele, Alisson”, afirmou Dalva Sele, em entrevista ao CORREIO, da Suíça, onde ela estava até ontem.
Transferência eletrônica de 2006 do Instituto Brasil para Francisco Fidalgo,
 irmão da deputada estadual Maria Del Carmen (PT).
Dirigente de ONG diz que dinheiro foi usado na campanha da parlamentar, que nega
O segundo documento é a cópia de um recibo, datado de 19 de dezembro de 2008 e supostamente assinado por Alisson Santos de Souza, apontado por Dalva como o secretário da campanha de Pinheiro. A reprodução traz uma rubrica atribuída a Alisson, antecedida pela confirmação do recebimento de um cheque de R$ 60 mil, mesmo valor e numeração discriminados por Dalva no relatório. A única referência no recibo é sobre o pagamento por “serviços prestados”, sem discriminação do tipo. Pinheiro foi procurado, mas respondeu, através de sua assessoria de imprensa, que não iria se pronunciar sobre o caso.
Transferências
Na série de documentos encaminhados pela presidente da ONG, há a cópia de um comprovante de transferência eletrônica feita a partir da conta do instituto no Bradesco da Avenida Tancredo Neves, no valor de R$ 35 mil. O favorecido é Francisco Fidalgo Sanchez, irmão da deputada estadual Maria Del Carmen (PT). Entre os papéis enviados por Dalva Sele constam um comprovante de depósito como nome do presidente da Embratur, o baiano Vicente Neto, ligado ao PCdoB. Neto reafirma nunca ter recebido dinheiro de ONG e afirma que o depósito foi ele mesmo quem fez em sua conta.
Relatório financeiro da ONG. Cópia de documento cita números e valores de três cheques entregues para a
 campanha do PT em 2008. Dois deles, afirmou Dalva, foram sacados na Caixa
Anda de acordo com Dalva Sele, a transferência, datada de 25 de janeiro de 2006, teve como destino a campanha da então vereadora de Salvador à Assembleia, quando ela recebeu 19 mil votos, mas não conseguiu se eleger. Em entrevista anterior, Maria Del Carmen havia confirmado que seu irmão recebeu dinheiro do instituto, mas garantiu que se travava de pagamento de um empréstimo. Ao CORREIO, a deputada informou que só iria se pronunciar após a publicação da matéria.
Outro comprovante entregue por Dalva, de 28 de fevereiro de 2008, mostra um depósito na conta do presidente da Embratur, o baiano Vicente Neto, ligado ao PCdoB e ex-dirigente da CUT. “Nunca recebi qualquer pagamento da referida instituição. Tal calúnia será respondida em âmbito judicial”, rebateu Vicente Neto. Segundo ele, trata-se de depósito feito por ele mesmo em sua conta pessoal, conforme indicam as iniciais VJ no documento.
O Ministério Público do Estado (MPE) aguarda as informações financeiras de quatro bancos que movimentaram recursos relacionados ao Instituto Brasil e à presidente da entidade, Dalva Sele Paiva. Segundo a promotora Rita Tourinho, do Grupo Especial de Atuação em Defesa do Patrimônio Público (Gepam), as informações são fundamentais para a consolidação do processo.
“Seis bancos já encaminharam, mas com esses a gente não consolida. Os principais, que movimentavam mais dinheiro, ainda não mandaram. Nós pedimos à Justiça que oficiasse aos bancos mais uma vez na semana passada e estamos aguardando para ver”, diz. A promotora adianta que não estão descartados pedidos de quebra de bloqueio dos outros investigados no processo futuramente. “Pedi a quebra do instituto e de Dalva, a princípio. Existe (a expectativa de novos pedidos). Vamos ver como vão caminhar as coisas”, afirma a promotora.
 A cópia de um comprovante de transferência eletrônica feita a partir da conta do instituto
no Bradesco da Avenida Tancredo Neves, no valor de R$ 35 mil, em favorecimento de
Francisco Fidalgo Sanchez foi um dos documtos apresentados por Dalva Sele
e publicados no CORREIO de hoje (1º).
Segundo Rita Tourinho, os documentos encaminhados ao MP por Dalva Sele estão sendo analisados para ser colocados nos contextos corretos. “Ela (Dalva Sele) encaminhou documentos, mas a gente manteve o sigilo porque queremos entender os contextos dos mesmos”, diz. Segundo a promotora, o ministério aguarda o retorno da presidente do Instituto Brasil para ouvi-la. “Quando ela voltar, será ouvida, ainda não se sabe quando será esse retorno”, afirma.
Deputada nega que dinheiro transferido a irmão tenha sido usado em campanha
De acordo com a deputada Maria del Carmen, os R$ 35 mil depositados na conta de seu irmão, Francisco Fidalgo Sanchez, estão "vinculados exclusivamente ao pagamento de uma dívida"
A associação de uma transferência bancária denunciada pela presidente do Instituto Brasil, Dalva Sele Paiva, como sendo destinado ao financiamento da campanha da então vereadora Maria Del Carmen, em 2006, foi contestado pela deputada estadual nesta terça-feira (1º).
Em nota enviada ao Correio24horas, Maria Del Carmen (PT) explica que os R$ 35 mil depositados na conta de seu irmão, Francisco Fidalgo Sanchez, estão "vinculados exclusivamente ao pagamento de uma dívida contraída pela denunciante com o senhor Francisco" em 2004.
A deputada diz ainda que a transferência, datada de 25 de janeiro de 2006, nada tem a ver com a sua campanha. "Nota-se que a própria data da transferência demonstra a versão mentirosa apresentada por Dalva Sele, pois não houve campanha política em 2005, nem havia qualquer campanha em curso em janeiro de 2006", continuou. 
Parentes de políticos na folha de pagamento
Entre as cópias de documentos enviados ao CORREIO pela presidente do Instituto Brasil, um lote se refere especificamente à folha de pagamento da ONG. De acordo com Dalva Sele Paiva, ela só decidiu divulgar os documentos depois que foi atacada pelos antigos aliados do PT, partido onde sempre foi militante destacada. No total, foram enviadas seis cópias de contracheques.
Destes, quatro são atribuídos a parentes de políticos do PT e da base aliada. Uma das cópias do documento traz o nome de Sandra Helena Pelegrino Marques, segundo Dalva Sele, irmã do deputado federal Nelson Pelegrino (PT) e ex-diretora administrativa da ONG entre julho e outubro de 2006.
Em outro, surge o nome de George Portela, primo de Pelegrino, ainda de acordo com Dalva Sele. George aparece como coordenador de projetos da ONG. Na lista de ex-empregados do instituto consta o nome da mulher de Ney Campello, secretário especial para Assuntos da Copa (Secopa) e integrante do PCdoB. De acordo com a cópia do contracheque, Ednalva Lago exerceu a função de gerente de pedagogia da ONG entre julho de 2006 a fevereiro de 2007.
Já o filho da deputada Maria Del Carmen, André Fidalgo, exerceu o cargo de coordenador entre setembro de 2005 e junho de 2006. Dalva Sele reforçou que os documentos não se referem a nenhuma ilegalidade cometida na contratação de pessoal para trabalhar na entidade.
Segundo ela, a divulgação foi para mostrar que “eles (os políticos do PT), ao contrário do que dizem agora, me conheciam”. Nomes de familiares e pessoas ligadas a políticos da base aliada aparecem na lista de funcionários da ONG 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

PT da Bahia já tem desculpa para uma possível derrota: Walter Pinheiro

Senador Walter Pinheiro (PT)
O senador Walter Pinheiro será o crucificado se se confirmarem as pesquisas eleitorais e o PT da Bahia perder as eleições. Se a nível nacional o objetivo é satanizar Marina Silva, na Bahia, o senador já é o coisa ruim do partido. Conforme divulgou a coluna Raio Laser no portal da Tribuna a da Bahia, uma comissão formada pelo PT estadual deve procurar o senador Walter Pinheiro assim que passarem as eleições, a fim de lhe pedir que deixe o partido. A decisão foi tomada neste final de semana, depois que o presidente da agremiação, Everaldo Anunciação, viu publicadas as declarações do governador Jaques Wagner afirmando que a posição do senador ficou muito delicada depois das críticas que dirigiu aos companheiros.
O senador Walter Pinheiro detonou o seu próprio partido e condenou o PT por tê-lo atirado em um “clássico esquema de caixa dois eleitoral”. Seu nome foi apontado pela presidente do Instituto Brasil, Dalva Sele Paiva, como beneficiário de desvio de dinheiro público para levantar fundos que teriam ido para sua campanha 2008, para prefeito de Salvador. A afirmação do senador é a comprovação de que o esquema sempre existiu e não há como o PT dizer que não sabia de nada. Como o partido não admite os erros jamais, o governador Jaques Wagner (PT) já mandou levantar a relação de todos as indicações que o petista fez no governo para promover uma degola completa e irrestrita. A interlocutor com quem falou neste fim de semana, depois da inauguração do viaduto do Imbuí, Wagner teria dito, referindo-se a Pinheiro: “Basta!”.
Enquanto isso, corre nos bastidores que Walter Pinheiro pode desembarcar na Rede Sustentabilidade de Marina Silva. Instigado pelos jornalistas, o coordenador do REDE na Bahia, Júlio Rocha, negou ontem, em conversa com o Bocão News, que tenha feito o convite para o senador Walter Pinheiro deixar o PT e ajudar na criação do partido. “Nunca discutimos isso em nosso partido. Independentemente de qualquer coisa, o senador precisa se resolver com o PT antes de tudo. Não podemos interferir em decisões de outras legendas”, afirmou Rocha.
Everaldo se complica 
O presidente do PT da Bahia, Everaldo Anunciação Farias, vive atacando os candidatos da oposição, mas não resiste a uma busca com o seu nome ao Google. Everaldo foi, segundo afirmam os Democratas, denunciado pelo Ministério Público Federal junto com o então prefeito de Itabuna, Geraldo Simões, por desvio de cestas básicas do programa Comunidade Solidária, para a compra de votos para o PT. Everaldo, que foi secretário da Prefeitura de Itabuna, respondeu ao processo com Geraldo Simões, e só não cumpriu uma pena de quatro anos porque o crime prescreveu por morosidade da Justiça.
Ildinho irritado
Em visita aos trabalhadores do areal, o prefeito de Heliópolis, Ildefonso Andrade Fonseca, o Ildinho, não escondeu sua irritação com a candidatura deste blogueiro. Chegou a dizer que “Landisvalth é que está atrapalhando com a candidatura dele!”. Daqui respondo ao prefeito que a minha candidatura é exatamente o contrário. É para atormentar quem atrapalha a vida das pessoas. Só espero que ele não se atrapalhe e acabe votando no 4055 no lugar do 5577.
Negromonte e Alberto Youssef
Segundo redação do Bahia Notícias, à época ministro das Cidades e hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Mário Negromonte teria intermediado o contato entre o doleiro Alberto Youssef e proprietários da empresa Controle, de Goiânia, em 2011. Segundo a revista Veja, Negromonte, então da direção nacional do PP, informou a Youssef que o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) iria editar uma portaria que obrigava montadoras a instalar sistemas de localização em todos os carros e indicou ao doleiro que a empresa goiana, com certificação para instalar o monitoramento, passava por dificuldades financeiras. Diante da consultoria, Youssef encarregou a contadora Meire Poza para viabilizar o investimento de R$ 3 milhões na Controle. “O Negromonte chamou o Beto (Youssef) e disse que tinha uma empresa que tinha a licença do Denatran, só que estava quase quebrada: ‘Vai lá e compra que nós estamos com o negócio na mão’”, relatou Meire. Procurado pela publicação, Luciano Mendes, um dos sócios da Controle, confirmou que esteve com Alberto Youssef e Mário Negromonte, durante a negociação da sociedade em 2011. Negromonte, que admitiu conhecer o doleiro, garantiu à revista que nunca ouviu falar da Controle nem de seus sócios.
Dalva Sele e a Sesab
Dalva Sele Paiva não apenas fez negócios com administrações estaduais e prefeituras como presidente do Instituto Brasil, mas também com empresas montadas para fazer negócios com o setor público. De acordo com matérias obtidas pelo jornal A Tarde, a Selle Serviços de Transporte, cujo sócio majoritário era o filho de Dalva, Mateus Paiva, foi contratada sem licitação pela Secretaria estadual de Saúde (Sesab) para gerenciar o posto de saúde de Itabuna, extremo sul baiano, nos anos de 2009 e 2010. O contrato totalizou um repasse de R$ 960.422,50 em 2009 e R$ 486.397,56 em 2010. A secretaria explicou que houve dispensa de licitação nos dois casos e o motivo teria sido o fato de que, no primeiro período, o município decretou situação de emergência em virtude de uma epidemia dos casos de dengue. O segundo episódio foi a epidemia do vírus H1N1, verificada “com muita intensidade em Itabuna e região”. A empresa de Dalva teria competido com mais duas empresas “devidamente regularizadas, credenciadas e habilitadas junto à Secretaria de Administração do Estado da Bahia (Saeb)”, e teve parecer favorável da Procuradoria Geral do Estado (PGE). Selle ainda teria doado R$ 20 mil para a campanha do petista Amauri Teixeira (PT), em 2010. Teixeira era o subsecretário da Sesab no período dos contratos.
Josué Telles sendo entrevistado (foto:Blog do Lau)
Carreata de Josué em Lauro de Freitas
O candidato a deputado estadual pelo PPS – Partido Popular Socialista – Josué Telles fez uma grande carreta no último domingo no município de Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador. Por mais de três horas, saindo da Praia de Ipitanga, os veículos percorreram todo o município, passando pelo centro, Itinga, Jambeiro, Miragem, Portão, Vida Nova, Vilas do Atlântico, dentre outros bairros. Josué Telles é empresário supermercadista e fez seu nome no município. Sua candidatura visa não só lutar pelos pequenos comerciantes, pela geração de emprego e melhoria da renda, como também moralizar a atividade política. Eleitor de Marina Silva, Josué garante que vai revitalizar o PPS na Bahia, caso seja eleito deputado. A carreata só mostrou o favoritismo do candidato. Muitos falam que ele sairá de Lauro de Freitas com algo em torno de 10 mil votos. A vereadora Ana Dalva e o professor Landisvalth Lima, que faz dobradinha com Josué na região de Heliópolis, marcaram presença no evento.

Leia este artigo, por favor!

Não se trata de artigo pedindo voto para Marina Silva. Não é isso! O professor Carlos Melo publica em seu blog no Jornal O Estado de São Paulo uma minuciosa análise sobre o que está ocorrendo nestas eleições. É uma aula de visão política. No país dos meus sonhos, todos os eleitores deveriam fazer uma análise desta antes de votar. Sim, eu sei que é uma utopia. Vale a pena ler com atenção.

A reação à reação de Dilma e cenário do dia seguinte

                  CARLOS MELO – do Estadão
Carlos Melo
Leitores de Blog têm pressa e este artigo é um tanto comprido. Acontece que o quadro é complexo e exige detalhes e minúcias. O crescimento de Dilma Rousseff desperta euforia nos aliados e mau humor em adversários. É importante o processo e as implicações disso. Igualmente necessário entender o que vem a ser essa dinâmica chamada “mercado”. Esclarecimento, eis a pretensão e a ilusão deste artigo.
Tão precipitado quanto quem, há um mês, afirmava que Marina Silva venceria a eleição, é quem, agora, feliz ou desolado, garante que Dilma Rousseff pode desde já vestir, mais uma vez, a faixa presidencial. Eleição é coisa mais complicada; se define no dia a dia; é sensível aos fatos e àquilo que o engenho humano – seja no marketing ou na política — souber criar ao longo do processo. Ninguém poderá assegurar o que o futuro nos reserva. Então, sem bolas de cristal, o importante é compreender o que ocorreu, o que se passa e quais cenários tendem a se delinear à nossa frente.
Dilma pode ganhar; desde sempre pôde: tem a centralidade da presidência e — para o bem e para o mal — a especial atenção da mídia; o cargo, a máquina, a iniciativa; políticas públicas eficientes, uma coligação poderosa, tempo de TV, Lula e um staff experiente e capaz de utilizar os recursos de que dispõe, partindo do princípio de que “em política, o feio é perder”. Pode também contar com extraordinário batalhão de apoiadores aguerridos, dispostos a intervir energicamente em sua defesa, nas ruas, na rede, em todo lugar; seu piso é, desde sempre, alto. Sua força não deveria ser surpresa.
Mas se há bônus, há também o ônus de um governo incapaz de produzir notícias boas desde a abertura da Copa do Mundo, em junho. A luta no front econômico tem sido muito difícil e de resultados escassos — o país não cresce, a inflação assombra agentes econômicos; há inegável crise de expectativas. Na política, escândalos que sempre abraçam seus aliados e também pressionam. Como candidata, Dilma mostra-se menos hábil do que há 4 anos — em 2010, favorecida pelos 7,5% de crescimento, sentia-se mais segura; deu um baile eleitoral em José Serra.
Evidente que, há um mês, a tarefa mais importante para Dilma era mesmo barrar Marina; explorar sua fragilidade e expor suas contradições. Não teve refresco; tempo de televisão tem, afinal, serventia. Dilma cresceu, Marina encolheu — ainda que não a ponto de se inviabilizar. O segundo turno está em aberto, mas neste momento é a presidente quem tem o protagonismo e o favoritismo retomados de Marina.
Dilma é forte, mas não pode baixar a guarda, expondo o queixo-de-vidro; ganchos bem aplicados podem fazer a diferença. A igualdade no tempo de TV, o alinhamento dos adversários, além do foco da mídia — tendencialmente mais agressivo e centrado em Dilma –, tendem a colocar em risco a reeleição que hoje muitos, ao contrário de anteontem, dão como certa.
Mas, não me parece que sejam apenas esses pontos que tirarão o sono do PT e de sua tropa. Justo e até razoável é considerar que será a questão econômica também estará no centro do debate, no eventual segundo turno quem quer que seja o adversário de Dilma. Cabe, então, explorar as implicações do discurso petista, as decorrências da radicalização a que Dilma foi levada para combater Marina e seus efeitos na dinâmica do mercado; a consolidação de expectativas e a construção de cenários negativos que estarão no ar nos próximos dias, talvez nos próximos anos.
Em 2014, a eleição se desenrola num clima dramático – a começar pela morte de  Eduardo Campos e pelo caminho que campanha de Dilma, a partir da entrada de Marina Silva em cena, teve que trilhar. Para combater o que parecia ser um fenômeno, Dilma se lançou de modo agressivo contra a adversária; deu certo momentaneamente, mas, como tudo, tem seu preço.
O problema do excesso de vontade é a pouca atenção que se dá às consequências. Eleitores passam, mas a política segue; haverá sempre um governo com problemas esperando equação. A eleição deixa saldo nos compromissos assumidos e, inevitável, em portas fechadas pela brutalidade das disputas. Diz a experiência que não se deve queimar pontes e obstruir caminhos de volta. O dia seguinte é incerto, depende menos da vontade que das circunstâncias. Governantes são sujeitos à articulação com o mundo político e econômico que os rodeia. E, inadvertidamente até, Dilma tem queimado suas pontes.
A ameaça à reeleição levou Dilma e sua tropa à radicalização; acusar Marina de tudo: mancomunada com banqueiros, inimiga do Pré-Sal, contrária ao Bolsa Família (influenciadas pelo clima, na escola do meu filho, as crianças diziam que Marina acabaria “com os salgadinhos”). Ok, a propaganda agressiva faz parte. Mas cria uma espécie de Path Dependence: escolhas anteriores levam à novas escolhas no presente e, de certo modo, comprometem escolhas no futuro. Dilma jogou Marina para a direita, demonizando as propostas da adversária. Todavia, nem tudo o que Marina diz pode ser descartado. O país precisa de ajustes.
As condições econômicas e políticas de um eventual segundo mandato exigirão mudanças mais profundas que o governo admite — na politica econômica e na política em geral. Inevitável que sejam impopulares e atinjam interesses da base social e aliada de Dilma. Todavia, este cenário tem sido bloqueado por Dilma e suas alternativas vetadas politicamente pelo discurso da campanha e pelos compromissos assumidos por uma retórica de riscos pouco calculados. Pontes  queimadas, caminhos tortos… Que Dilma não se veja perdida no centro do labirinto, onde mora o Minotauro. Não haverá Teseu capaz de evitar que seja devorada.
Há certa tendência em acreditar em teorias conspiratórias; em tudo haveria uma ação orquestrada: aviões que caem, escândalos que se revelam, governos que não se sustentam seriam obra de grupos e forças ocultas. Mas, quase nunca é assim; quase sempre os fatos se sucedem em virtude de escolhas que se articulam, despertando expectativas e reações à essas expectativas. Tanto o “mercado” como a “política” funcionam independentes da vontade individual dos atores.
O mercado — ou, mais amplamente os agentes econômicos — não pode ser entendido como uma pessoa ou grupo definido e organizado de pessoas em assembleia permanente. Antes, são centenas de milhares de indivíduos que agem de acordo com interesses concretos. Não há comitê central que o articule, embora, é claro, seus agentes se conheçam, se frequentem e compartilhem da mesma lógica. Em qualquer lugar do mundo é assim.
Tão legítimo quanto o trabalhador que defende seus direitos é o pobre que se preocupa com a permanência de política pública que o favoreça; e tão natural quanto é o poupador que protege seus recursos ou o investidor atento aos risco de portfólio. Numa democracia, grupos de interesse agem e reagem naturalmente e, nos limites da lei, isto será legítimo. Cabe aos governos conduzir o processo, antecipando-se e persuadindo vontades. No limite de suas forças, deter processos ruinosos.
A esquerdização da campanha de Dilma desperta expectativas entre agentes econômicos; medos de toda ordem: inflação, intervenção, aumento de impostos, incapacidade de conduzir o desenvolvimento; o fantasma exagerado — infundado ou não — do que chamam  “argentinização do Brasil”.  Mal comparando, trata-se do mesmo processo de medo que o programa de Dilma desperta quando insinua o fim de empregos e de políticas de distribuição de renda; apenas atinge um número menor de pessoas, mas o mecanismo é semelhante.
O mundo funciona em torno de expectativas: o garoto penteia o cabelo na expectativa de encontrar a mulher de sua vida; a mulher recorre ao batom, à espera do príncipe. É assim. Os agentes econômicos – não importa o tamanho — se antecipam, se protegem diante  de expectativas do que acreditam ou temem. Às vezes, esse comportamento ajuda a construir a realidade que se teme, de um odo perverso.
Quando, por exemplo, migram para o dólar, com medo da inflação, os agentes econômicos comprometem o combate à inflação, o consumo e o emprego; elevam custos e desorganizam ainda mais a economia. Fugindo do “estouro da manada” transformam-se em igualmente animais desembestados e agravam o processo. No jargão do meio, constroem “profecias autorrealizáveis”, consolidadas menos pelo desejo dos protagonistas do que pela incapacidade de conter a reação ao medo, lá atrás, despertado. Trata-se de uma dinâmica social vinculada ao tipo de credibilidade que um governo desperta.
Governos precisam, portanto, conquistar a confiança dos indivíduos: um sujeito que nunca bebeu possui maior credibilidade quanto ao risco de alcoolismo do que aquele que já tomou um porre; o que o fez apenas uma vez despertará pouca desconfiança; o que o faz com frequência talvez a perca e não consiga reconquistá-la jamais. O esforço e custos para fazê-lo serão muito maiores e, às vezes, inúteis. Igualmente, na vida econômica e na política: governos criam reputação e despertam expectativas, que levam à ações que colocam à prova suas reputações.
Esta questão está colocada para Dilma. FHC e Lula construíram reputações capazes de conquistar credibilidade. Já Dilma não foi feliz em fazê-lo. Não cabe aqui remontar as causas – abalos internacionais ou escolhas domésticas –, mas o fato é que agentes econômicos questionam a capacidade e a disposição de a presidente e seu governo se reinventarem. O confronto travado com Marina realça essa situação. Vista como avessa a ajustes, Dilma desperta a crença de que “dobrará a aposta” num processo que não apenas não tem dado resultados, como também agrava a situação do país — pelo menos de acordo com os índices econômicos.
Justo ou injusto, não interessa. Pode-se mudar a realidade, mas não substituí-la. No jargão financeiro, a avaliação negativa do segundo mandato de Dilma está sendo “precificada”, definindo o comportamento futuro da economia. Foi uma espécie de cilada que Dilma armou para si própria. Com o aumento das chances de sua eventual eleição, os agentes econômicos tendem a se antecipar; pelo menos num primeiro momento, a economia pressionará de modo mais agudo.
Neste quadro, o governo precisará ainda mais do Congresso Nacional — seja para aprovar medidas, seja se proteger dos dias difíceis no front econômico; seja para evitar que escândalos e delações atinjam o governo. No Legislativo, a curva dos preços de sua proteção é ascendente; os partidos percebem isso; sobretudo, o PMDB sabe disto. As condições fiscais para atender novas demandas e fechar novos pactos não são, no entanto, favoráveis e chegam próximo do esgotamento, o que aprofunda o quadro. Dilma pode ter-se metido num círculo vicioso com o qual setores do próprio PT já se preocupam — está nos jornais. Trata-se de uma questão apenas enganosamente simples: o que pode ser feito para garantir a reeleição e, ao mesmo tempo, deter esse processo? Ninguém ainda é capaz de responder.

Carlos Melo, cientista político. Professor do Insper.