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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Agradecimento e tristeza

                                      Landisvalth Lima
Foram poucos, mas o suficiente para alimentar nossos sonhos! Obrigado!
Eu precisava escrever este artigo de agradecimento aos 901 eleitores. Vocês foram heróis. Fico grato, muito grato mesmo, pelo apoio recebido. São vocês que me fazem ainda sonhar. Não vou mentir aos leitores e leitoras: uma eleição para deputado federal não é fácil. Sabia que dependeria de pelo menos 40 mil votos, num estado cheio de vícios políticos e numa região onde a fome e a miséria não são determinantes para que o pobre levante as armas contra os políticos causadores dos problemas ou conservadores das causas. A miséria e a falta de educação fazem com que as vítimas se aliem aos predadores. Por isso, varreram o PSB e aliados do mapa da Bahia. Sobraram dois deputados estaduais e um federal para juntar os cacos. Foi minha campanha mais bem estruturada e a pior em resultados. Nem Marina, nem Lídice, nem Eliana Calmon, nem nenhum dos meus três estaduais companheiros de chapa se elegeram: Josué Teles (PPS), Rodrigo Hita e Rose Bassuma. Foi um massacre!
Não lamento ter participado. Lamento o resultado. Não lamento a derrota. Lamento como fomos derrotados. Não perdemos pelas ideias, pelo debate. Perdemos pela mentira, pelo ódio e pelo medo. O que Dilma fez com Marina tem que ter uma punição. Isso não pode passar em branco. É verdade que somos uma nação da paz, mas também não podemos aceitar apanhar e ficar calado em nome da paz. Precisamos reagir contra o comportamento de ganhar uma eleição a qualquer custo. O PT vai pagar caro pela campanha sórdida, baixa, sorrateira que imprimiu contra a candidata do PSB. A reação tem que ser política e ela já está acontecendo. O PSB, A Rede Sustentabilidade, o PV, o PSC já declararam apoio a Aécio Neves. Não há outra saída para nós. Dilma deu um tiro no pé e agora está colhendo o que plantou. Aqui na Bahia, além da Rede, Eliana Calmon já declarou apoio aberto. Só lamento o posicionamento de Lídice da Mata. Ela foi vítima do PT também. Não conseguiu sequer eleger os seus preferidos para a Assembleia e para a Câmara Federal e ainda vai votar em Dilma?
Já de Marina Silva não posso lamentar. Mesmo derrotada de forma medieval, não esquece sua luta. Ela só deve definir o apoio ao candidato do PSDB, Aécio Neves, se ele se comprometer com algumas questões defendidas por Marina. Uma carta, endereçada pela ex-senadora e aliados, exige que Aécio se comprometa a abandonar temas assumidos pelo tucano, como a redução da maioridade penal, que atualmente é de 18 anos. "Essa e a resposta que ela obtiver serão fundamentais para minha manifestação individual, que será feita oportunamente neste segundo turno" , escreveu Marina no documento, lido nesta quinta-feira (9) em reunião de partidos aliados, em Brasília. A carta será entregue nesta sexta a Aécio, e Marina deve aguardar a posição do mineiro para fazer a declaração ou não de apoio. Outro ponto exigido pela ex-candidata do PSB é o fim da reeleição. Outras propostas seriam escola em tempo integral, o passe livre para estudantes, o aumento de investimentos na saúde e a revisão do fator previdenciário, que reduz a aposentadoria de quem deixa o trabalho mais cedo. Informações da Folha. Não é por acaso que esta ex-seringueira é um fenômeno. Ela faz política para mudar uma realidade e não aproveitar-se dela.
Eu já tomei minha decisão: vou votar em Aécio Neves. São três os motivos: a campanha do PT contra Marina, o possível aproveitamento que o PSDB pode fazer desta que seria a sua última oportunidade de governar o país, e vingança contra os corruptos travestidos de esquerdistas que surrupiam o país. Eu só lamento é que os escândalos são muitos e podem ajudar Dilma neste segundo turno. Vários corruptos e acusados de corrupção estão tendo votações expressivas. Maluf teve votos para se eleger em São Paulo. Sukita, preso, teve 33 mil votos em Sergipe. André Moura, também em Sergipe, ficha-suja, teve 71 mil votos e pode assumir mais uma vez. Aqui na Bahia, Rui Costa estava com a eleição perdida. Assim que foi divulgado o seu envolvimento no caso do Instituto Brasil, partiu para vencer no primeiro turno. A corrupção parece ser o grande cabo eleitoral de muitos políticos.
E é o jornalista Samuel Celestino, do Bahia Notícias, que comenta o escândalo destacado nos principais jornais do país. Tudo explodiu sobre o PT, de acordo com revelações do ex-diretor da petroleira, Paulo Roberto da Costa e do doleiro Alberto Youssef. Ambos depõem e entregam o que têm conhecimento em troca da delação premiada, que diminui as penas de ambos em processo criminal. Paulo Roberto disse que o PT financiou a campanha eleitoral de 2010 em parte com dinheiro da Petrobras, recolhido pelo secretário-geral do partido, Vaccari Neto, informação confirmada pelo doleiro. O PT recebia 2% dos contratos firmados com a Petrobras e valores também financiaram as campanhas do PMDB e do PP, ambos partidos aliados do PT. Até o início da tarde de hoje nenhum dos partidos quis se pronunciar a respeito. A delação é uma bomba que explode em momento inoportuno, já que o segundo turno da eleição presidencial ocorre no próximo dia 26 e, bem provavelmente, ocasionará um terremoto na candidatura da presidente Dilma Rousseff, ninguém sabe se para beneficiá-la ou para prejudica-la de vez. Ela chegou a afirmar que não sabia de nada do que ocorria em relação ao escândalo da petroleira. Um auxiliar de José Dirceu, que estaria realizando operações com o conhecimento dele, também participara do esquema. Os delatores denunciaram, ainda, mais dois diretores da estatal que, de igual modo, participavam do esquema de corrupção.
Portanto, os corruptos estão na frente. Tomam conta do país. Aquelas manifestações de junho do ano passado, que pareciam colocar o país num outro rumo, não deram em nada. Continuamos elegendo os mesmos. Quem tem pouco dinheiro não se elege para nada. Prova é levantamento feito pelo jornal A Tarde: o número de milionários baianos na nova Câmara Federal chega à metade. Dos 39 eleitos, 20 desfrutam de patrimônio superior a R$ 1 milhão. Os dados são das declarações feitas pelos mesmos antes da corrida eleitoral. E olhem que muita gente oculta o patrimônio que tem. Na Assembleia Legislativa, para o mandato 2015/2018, a soma de milionários é também significativa, 27, dos 63 legisladores da Casa baiana. Quem tem o maior patrimônio declarado de todos é o tucano João Gualberto, ex-prefeito de Mata de São João, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), que declarou mais de R$ 68 milhões. Gualberto vai para o primeiro mandato em Brasília. Em segundo, aparece Paulo Magalhães (PSD), que vai também para a capital federal, com R$ 14 milhões; e em terceiro, Reinaldo Braga (PR), esse vai para a Assembleia Legislativa, com R$ 9,4 milhões declarados. Na fila dos cinco federais milionários, aparecem Cláudio Cajado (DEM), com R$ 7,8 milhões, Lúcio Vieira Lima (PMDB), com R$ 7,7 milhões, e José Carlos Aleluia (DEM), com R$ 5,2 milhões. Na Assembleia, os cinco mais endinheirados depois de Reinaldo Braga são Fábio Souto (DEM), com R$ 8,5 milhões, Robinho (PP), com R$ 5,7 milhões, Nelson Leal (PSL), com R$ 4 milhões, e Jurandy Oliveira (PRP), com R$ 3,1 milhões. Minha maior tristeza é saber que o povo pobre é quem escolhe e ele mesmo vira vítima do seu próprio voto.