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sábado, 5 de julho de 2014

A copa, a eleição e a esperança!

                                              Landisvalth Lima
Eu não sei qual será o resultado final do Copa do Mundo. Apesar de tirarem Neymar, já estamos entre as 4 melhores do mundo. Acho que já ganhamos a copa, seja qual for o resultado. Somos um povo abençoado e querido no mundo inteiro. Foi a simpatia do brasileiro que deu a cara ao evento. Se dependesse do nosso governo, tudo estaria em pandemônio. Ainda somos um canteiro de obras intermináveis, superfaturadas e que até matam. Mas o brilho da copa ninguém tira, porque o futebol aqui é a única coisa que dá certo, apesar dos dirigentes incompetentes, malversadores e manipuladores. Amanhã começa a campanha eleitoral de 2014 e esta, seja qual for o resultado, nós já a perdemos.
No futebol, Felipão foi corrigindo os rumos da seleção que pareciam caminhar para um retrato piegas de um pastelão da antiga Atlântida. Logo logo o treinador percebeu que o choro era indicativo de insegurança e não de paixão. O capitão voltou a ser capitão e trocaram o choro pela raça. Deu certo, até aqui. Já no nosso processo eleitoral, que começa neste domingo, não tenho maiores esperanças. Não sei se elegeremos mais alguns Pedros Simons, Regoffes, Marinas Silvas, Waldires Pires, Migueis Arraes, Fernandos Santanas, Florestans Fernandes, Heloisas Helenas, dentre outros. O motivo é simples: não se faz eleição no Brasil para transformar nada. Estes políticos e políticas que desejam melhorar a nossa situação, agindo como estadistas, são considerados radicais, sonhadores e até idiotas.
Minha esperança é que, pelo menos, melhoremos um pouco. Deixar de lado o passado e mandar para as cucuias este modelo que está aí no poder, é fundamental para galgarmos mais um degrau no incansável caminho da melhoria da nossa república. Qualquer avanço é uma bênção, mas está muito difícil. Veja, por exemplo, se em algum órgão de imprensa foi debatido o programa de governo dos candidatos? Não. O que apareceram foram as cifras dos gastos eleitorais. Em Salvador, quando assinava o registro de minha candidatura a deputado federal pelo PSB, só ouvia expressões do tipo “ou tem dinheiro ou perde a eleição! ”. Eles nem sequer pensam que há um eleitorado, ainda em número inferior, já consciente de determinar uma mudança nesta visão sobre o processo eleitoral no Brasil. Não acredito numa mudança radical e transformadora. Não temos uma maioria de eleitores com esta visão. Ainda se vota muito no candidato do prefeito, do vereador, no mais bonito, no mais exótico, naquele que torce para o meu time e, o pior de todos os votos, o da troca de interesses.
Vou aqui dar dois exemplos de como o processo político está viciado, transformando a eleição num grande processo mercadológico. Em troca de alguns segundos a mais no horário eleitoral, a presidente Dilma Rousseff negociou com o presidiário do mensalão, Valdemar da Costa Neto, a troca de um ministro. A mesma Dilma, quando soube que Sarney abandonaria uma nova candidatura, foi tentar convencê-lo a voltar ao processo. Dilma não quer mudar nada. Ela quer o poder pelo poder. Sua luta como esquerdista tinha como objetivo chegar ao poder. Não se transforma uma sociedade com programas sociais unicamente. Ao lado disso deveria estar os investimentos em educação e saúde. E não me venham com essa de que não há dinheiro. Reparem o grande projeto futuro do PT da Bahia: construir uma ponte entre Salvador e a Ilha de Itaparica. Não vamos dizer que a obra não é necessária, mas ela não é prioritária. Os prováveis 9 bilhões que gastaremos dariam para resolver o problema da saúde pública no interior da Bahia, com a construção de hospitais regionais de grande porte. Mas isso parece não ter importância para o PT. 
Numa eleição onde o debate em torno dos gastos de campanha toma o lugar do debate de ideias indica que já estamos derrotados. Minha esperança é que alguns eleitores não querem perder a oportunidade de mandar recados aos poderosos. Numa dessas, podem surgir mais alguns estadistas eleitos e estará regado jardim da transformação, com efeitos num futuro bem próximo.