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domingo, 15 de junho de 2014

Lula, Dilma e o PT brigam com a classe média

Até mesmo aqueles que mandaram Dilma tomar naquele lugar no dia da abertura da Copa do mundo sabem que o ato não foi uma forma adequada de protestar contra uma chefe de estado. Foi um ato inaceitável. A vaia cairia muito bem. A questão é saber como isto acontece num país que, segundo o próprio PT, avançou em números nunca antes vistos na história do nosso país?  Respondo: o problema é o próprio PT.
Começo com o jornalista Josias de Souza, que relatou e comentou, em seu blog no UOL, recente evento em que o presidente Lula abordou as recentes hostilidades que têm se abatido sobre a presidente Dilma. Lula fala em "ódio de classes", culpa as "elites" e faz uma aparente ameaça: “se eles tentaram duas vezes me derrotar e não me derrotaram [...], se eles não evitaram a gente te eleger quando ninguém te conhecia, eu vou te contar uma coisa: eles não sabem o que nós seremos capazes de fazer, democraticamente, para fazer com que você seja a nossa presidenta por mais quatro anos nesse país". Ademais, Lula comentou que tem medo de "ficar radical demais" e "perder o bom senso". Acho que já perdeu.  
Mas continuemos. Já o presidente do PT de São Paulo, Emídio de Souza, disse que as pessoas que hostilizaram a presidente Dilma Rousseff na abertura da Copa do Mundo, na última quinta-feira, provavelmente nunca haviam entrado em um metrô no País. "Muitos dos que xingaram a presidente são da turma que nunca andou de metrô", afirmou Souza, em discurso durante ato de oficialização da candidatura do ex-ministro Alexandre Padilha ao governo de São Paulo. Emídio de Souza pediu unidade e empenho da militância do partido como resposta às manifestações contra a presidente Dilma. "Os militantes do PT têm que responder à manifestação vergonhosa ocorrida no estádio", disse. "Nosso desafio é fazer uma campanha que mostre a união e a capacidade de aglutinar os setores da sociedade", afirmou.
Também o presidente nacional do PT, Rui Falcão, se referiu aos xingamentos, durante seu discurso, ao "ódio" que os partidos de oposição teriam contra o PT, à presidente Dilma e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Contra o ódio vamos responder com a esperança", afirmou, em referência à candidatura de Padilha em São Paulo. E a nossa presidente, em seus pronunciamentos, não se cansa de satanizar a oposição ao seu governo.
Vejo aqui vários equívocos. Infere-se das afirmações que a oposição brasileira é composta de uma elite rancorosa e que não precisa do metrô para ir ao estádio. Quem assistiu à abertura da copa não foi a classe média que alçou Lula ao poder. Foram os grandes empresários da OAS, Delta, Opportunit, Banco de Boston, Shell, Oi, Braskem, Vale, Microsoft, Gerdau, Ultra, Bradesco, Telefônica, Ambev, Fiat, Walmart.... Nossa! A lista é enorme! Se não me engano, esta é a verdadeira elite do país que, ao lado de Sarney, Collor e outros políticos considerados de direita, sustentam o governo do PT.
Chego a rir comigo mesmo quando ouço Lula falar nessa elite e constato que, embora tenha promovido no seu governo a ascensão de milhões de miseráveis às classes C e D, a classe média baixa, o custo desta conta não foi pago pela elite que não anda de metrô. A conta foi paga pela própria tal elite trabalhadora das classes B, C e D. Quem ganha 4 salários mínimos neste país é classe C e tem que trabalhar 45 dias só para pagar Imposto de Renda. A conta desta transformação econômica foi debitada nas costas da classe trabalhadora representada por Lula no poder. A verdadeira elite são os carrapatos do nosso capitalismo tupiniquim. Vejam os lucros dos bancos. São números nunca antes vistos na história deste país. Nunca as empreiteiras ganharam tanto em obras. E não incluo aqui os superfaturamentos e aditivos repentinos.
E também imagino convocarem a militância para defenderem a presidenta. Como? O PT chegou ao poder e ficou ao lado de políticos conservadores. Subverteu a ordem transformacional da proposta de esquerda para um pragmatismo solidificador do continuísmo de poder! Criou 39 ministérios para distribuir com os vassalos. Engendrou o Mensalão para garantir maioria no Congresso, transformando a política num negócio vantajoso para oportunistas. Agora quer a luta do militante que chupa o dedo do lado de fora do Palácio, ou dorme nas barracas de plástico preto à beira das estradas na espera de uma reforma agrária que nunca veio? Ou quer que o militante vá a luta porque já tem o seu cartão do Bolsa Família?
Talvez estejam aí as razões do comportamento inadequado do público na abertura da Copa. Temo que, ao não reconhecer os seus erros, o PT acabe gerando mais respostas inadequadas e fiquem insuportáveis as aparições públicas da presidente. O PT tem seu rumo definido: está com a elite, que financia sua campanha, e com aqueles que dependem dos programas sociais. Mas qualquer país, neste mundo inevitavelmente capitalista, necessita de alguém que coloque a mão na massa. E quem faz isso é a classe média, a classe trabalhadora que o PT diz ser elite e oposição. Esta já não aguenta mais e parece perder a paciência com Dilma, Lula e o PT. O tom desta rivalidade foi dado pela filósofa Maria Helena Chauí, quando afirmou que odiava a classe média. (Landisvalth Lima).