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Lula aposta no convencimento da mentira

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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Dilma Rousseff e aliados entram em rota de desespero

                       Landisvalth Lima
Na TV, Presidenta bate na oposição e aumenta o Bolsa-Família
A Presidenta da República Dilma Rousseff entrou em rota de desespero com os resultados das últimas pesquisas e, principalmente, com a iniciativa do PR de jogar mais lenha na fogueira do “Volta Lula”. O pronunciamento feito ontem na televisão não teve nada a ver com a prática de um processo de comunicação de uma chefe de estado para com o povo de seu país. Foi propaganda eleitoral explícita, para não dizer depoimento em autodefesa. Não é sem razão que a oposição já botou a boca no mundo. O vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias, afirmou, em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, que questionará as declarações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por considerar que se tratou de campanha eleitoral antecipada. “A primeira conclusão é que é necessário acabar com o processo de reeleição no Brasil porque o abuso é desmedido. O que ela fez hoje foi campanha eleitoral antecipada e com dinheiro público. É um ritmo de discurso eleitoral com discurso mentiroso”, acusou.
A coisa foi tão piegas que no pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão a petista falou sobre o cenário econômico nacional, os escândalos ligados a contratos da Petrobras e anunciou correções na tabela do Imposto de Renda (IR) e no valor do Bolsa Família. Não teve a coragem de anunciar o percentual de correção do IR, já sabido que é de apenas 4,5%, porque é vergonhoso, abaixo da inflação e indicativo da continuação do achatamento dos salários. Caminhamos para o vergonhoso dado de que quem ganhar dois salários mínimos poderá pagar Imposto de Renda em breve. Mas a presidente não teve nenhum pudor em anunciar os 10% de aumento do Bolsa-Família, que é o benefício que mais lhe rende dividendos eleitorais. O líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho, também defende a medida de entrar com representação. “Vou propor à Executiva do partido que entremos com uma representação na Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) porque o que ela fez foi um palanque eleitoral com recurso público. O PT privatizou a fala presidencial. O horário gratuito é para ser utilizado para pronunciamento de chefe de Estado e agora está privatizado a favor de um partido. Vamos reestatizar isso. É uma aberração. Estão apelando porque ela está despencando na popularidade e agora promete tudo a 60 dias do começo da campanha”, argumentou.
Dilma Rousseff age como se tivesse lutando contra parte de seu próprio partido. As declarações de José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, e fortemente ligado a Lula, sugerindo que ela assumisse as responsabilidades na compra da refinaria de Pasadena, é um indicativo de que Lula quer ser o candidato, ou por ambição pessoal ou por saber que Dilma não tem as condições hoje de vencer a eleição. Esta possibilidade da volta do Lula está tirando o sono da presidenta e o seu pronunciamento nesta quarta-feira (30) na TV indica claramente este desespero. Para o senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato ao Planalto e um dos principais adversários de Dilma no pleito de outubro deste ano, o pronunciamento foi “um dos mais patéticos episódios já vistos na política brasileira” e “representa o desespero de um governo acossado por sucessivas denúncias de corrupção e uma presidente da República fragilizada pelo boicote da sua própria base”.
O comportamento de Dilma na visita feita a Feira de Santana e Camaçari também indicou o desespero do governador Jaques Wagner, que parece ser mais Dilma que Lula. Não ter indicado Gabrielli para ser o candidato ao governo do estado pelo PT é um forte indicador disso. Segundo a jornalista Carol Prado, do Bahia Notícias, Dilma e Wagner entulharam Rui Costa de elogios durante cerimônias de concessão de equipamentos a prefeituras, em Feira de Santana, e de entrega de 1,5 mil casas do programa “Minha Casa, Minha Vida”, em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Por Dilma, ele chegou a ser definido, em “saudação especial”, como principal coordenador da relação entre a administração baiana e a União durante sua atuação como chefe da Casa Cívil de Wagner. Para o pleiteante petista, no entanto, tudo não passou de mera trivialidade. “Não foi um evento de campanha, embora tenha sido tudo muito lindo. Estamos aqui para celebrar um programa habitacional que eu sei que mora no coração de todos nós”, argumentou, em entrevista ao Bahia Notícias, após a inauguração de um conjunto residencial popular na RMS. 
Apesar do “tudo muito lindo” do pupilo do governador, na verdade, os eventos passam como boias salva-vidas jogadas no mar dos desesperados: Dilma em queda nas pesquisas, Rui Costa que não consegue sequer decolar e Wagner deixando o governo com uma popularidade de fazer inveja a quem nunca se candidatou a nada. O declínio – não é nenhuma novidade – está sendo puxado por um cenário econômico desfavorável e escândalos ligados a contratos da Petrobras. E assim como Dilma, que alardeia não se preocupar com o “Volta Lula”, o candidato de Jaques Wagner vê com desdém os problemas enfrentados pelo PT. Ao Bahia Notícias, ele afirmou que não será prejudicado por eventuais respingos da situação vivida pela estatal e diretamente ligada ao secretário de Planejamento da Bahia, José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da empresa, e ao próprio governador, que foi membro do Conselho de Administração e deu parecer favorável à compra suspeita da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). “Eu não sou candidato a presidente da Petrobras, e sim a governador da Bahia. São duas coisas completamente diferentes e acho que não vai haver influência nenhuma”, supôs. Dilma Rousseff e seus seguidores fazem o possível para passar a ideia de que tudo está bem. Não está. Reconhecer os erros é o primeiro passo para corrigir os rumos. Caso contrário, só restará entrar em rota de desespero e esperar pela sorte. Aí começa a rota para a eminente derrota.