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quinta-feira, 20 de março de 2014

Dilma, Gabrieli e os rombos da Petrobrás e Eletrobrás

                                   Landisvalth Lima
José Sérgio Gabrielli com Lula na Petrobrás
           Imaginem os senhores um grupo já com sete anos de poder, adorando a vida de controladores do Brasil, desejando continuar a trajetória política e vendo os cofres com somas insuficientes para “comprar” novos mandatos? Imaginem ainda uma empresa bem posta, com sobras de reservas? Não é uma tentação para quem quer uma grana para sua campanha? Agora pensem na Petrobrás comprando a metade de uma refinaria em Pasadena, no Texas-EUA, por 360 milhões de dólares, em 2006, sabendo que a empresa belga Astra Oil comprou a mesma refinaria no ano anterior, chamada Pasadena Refining System, por US$ 42,5 milhões. Para tornar a usina operacional, era necessário investir mais US$ 1,5 bilhão, conta que seria dividida entre a Petrobras e a Astra. O contrato previa que, se as sócias se desentendessem, uma ou outra teria que comprar a outra metade. Elas se desentenderam, e os belgas resolveram executar o contrato: pediram US$ 700 milhões por sua parte. A Petrobras não quis pagar e os belgas foram à Justiça. Os brasileiros tiveram de ficar com a outra metade da sucata por US$ 839 milhões. Soma total do prejuízo: US$ 1,204 bilhão. A refinaria está parada, dando um custo milionário, todo mês, de manutenção. O valor máximo da refinaria negociada não passa de 180 milhões de dólares. Não seria ótimo este belo esquema para passar dinheiro para campanha eleitoral ou enriquecer meia dúzia de políticos?
Presidenta Dilma e o caso do prejuízo da Petrobrás
Se não foi isso, e só o tempo dirá, então José Sérgio Gabrielli e Dilma Roussef são incompetentes. Deram um prejuízo ao Brasil de mais de 1 bilhão de dólares. Dilma virou a presidenta e o Gabrielli é secretário do estado da Bahia. Estão livres. Mas quem será punido? O ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, foi preso, nesta quinta-feira (20), quando tentava destruir provas que o envolviam em um outro problema, um suposto esquema de lavagem de dinheiro. A prisão foi realizada pela Polícia Federal (PF) e faz parte da operação Lava Jato, deflagrada na última segunda-feira (17), quando 24 pessoas foram presas por suspeita de envolvimento em um esquema de doleiros que movimentou, de forma suspeita, R$ 10 bilhões. O ex-diretor é acusado de ter ganhado um carro de um dos doleiros e também é investigado pelo Ministério Público Federal, no Rio de Janeiro, pelas irregularidades na compra da refinaria de Pasadena.
Dilma já se defendeu numa nota que não explica nada - fala em contrato tecnicamente “falho” -  o que só faz piorar a situação. A Folha de S. Paulo publicou hoje declarações de dois executivos da Petrobras que vão de encontro às declarações da presidenta em nota que ela distribuiu ontem. Dizem que o Conselho da petroleira tinha à disposição, se assim quisesse, o contrato na íntegra da compra da refinaria de Pasadena, o que joga por terra a tese constante na nota segundo a qual o contrato apresentado estava “tecnicamente falho”, justo pela ausência de duas cláusulas. A Petrobras sabia de tudo e o Conselho, se assim quisesse, teria acesso ao documento de forma integral. Se o contrato estivesse incompleto a justiça americana não teria obrigado a Petrobras a ficar com toda a refinaria.  
E muitas questões pairam no ar: Foi mesmo um erro ou algo intencional? Como assinar um contrato tecnicamente “falho”? Como permitir que a principal empresa brasileira tenha um prejuízo de um bilhão de dólares e só ficamos sabendo depois que Gabrielli foi preterido por Wagner como candidato ao governo ou quando o PMDB se rebela contra o PT no Congresso Nacional? Hoje veio à tona que todo o contrato estava à disposição da Petrobrás. Comprou porque quis ou já havia jogada para fazer caixa 2? Quem nos garante que não houve superfaturamento intencional para se ter grana suficiente à prática da política que estamos acostumados a ver neste país?  
Outra história que não cheira bem é esta redução de energia, de 20%, num período de seca. O preço da energia está 4 vezes mais caro e o governo está liberando bilhões para suprir o setor. Fala-se que o prejuízo poderá bater a casa dos 21 bilhões e o governo vai bancar este ano, de eleições, e nós pagaremos no ano de 2015. Não seria também uma boa oportunidade para permitir que as empresas passassem parte do rombo para financiar a conta da campanha de reeleição de Dilma e aliados? Estou só perguntado, gente. Pode ser até que tudo seja realmente pura verdade o anunciado pelo governo. Se é isso, então é mesmo incompetência do governo do PT. E uma incompetência caríssima ao país. Só nas duas estatais, Petrobrás e Eletrobrás, o rombo já chega a 100 bilhões de dólares, ou seja, cerca de 240 bilhões de reais. Só para se ter uma ideia, o Orçamento da Bahia para 2014 é de 36,9 bilhões de reais.
Marina, Eduardo e Freire na Bahia e a resposta
Campos, Freire e Marina em Salvador
“Eduardo Campos, Marina Silva e Roberto Freire estarão em Salvador, neste sábado (22), para discutir programa de governo e não eleição presidencial”, foi o que informou nesta segunda-feira(17), em Salvador, o presidente da Fundação João Mangabeira, Carlos Siqueira, durante entrevista coletiva na Arena Fonte Nova. PSB, Rede e PPS vão construir, antes mesmo da corrida eleitoral, um debate da forma mais democrática possível, incorporando seus militantes, simpatizantes e toda a sociedade. São as características fundamentais da série de seminários que a Aliança PSB-REDE-PPS organiza nas cinco regiões do País e que neste sábado chega à capital baiana, onde será realizado o III Encontro Regional Programático – Nordeste, na Itaipava Arena Fonte Nova. Sobre as declarações de Lula que o comparou Eduardo Campos a Fernando Color, o candidato do PSB respondeu com toda naturalidade: "Toda vez que o país pede mudanças, alguns políticos tentam colocar o medo no coração do povo. Mas, desta vez, como aconteceu em 2002, a esperança vai vencer o medo", afirmou o governador de Pernambuco. A declaração de Lula foi proferida, segundo reportagem da Folha, na semana passada, em um almoço com empresários no Paraná. O ex-presidente afirmou que sua grande preocupação em relação às eleições 2014 é que se repita o que aconteceu em 1989, ano em que Collor foi eleito. Ele era governador de Alagoas, jovem, pouco conhecido no Brasil e pregava a renovação na política. Contudo, sua conduta durante o mandato motivou um processo de impeachment e o país passou por uma severa crise econômica. O governador de Pernambuco é um político nordestino também relativamente desconhecido e que se apresenta como o jovem que vai renovar a política. A declaração de Campos tem relação com a maneira como as eleições aconteceram em 2002. O PSDB usou a atriz Regina Duarte para dizer, na propaganda eleitoral na TV, que tinha medo do que poderia acontecer se Lula fosse eleito presidente. Para rebater, o então marqueteiro lulista, Duda Mendonça, inventou o bordão "a esperança vai vencer o medo". Neste ano, Lula foi eleito.
Com informações da Folha de São Paulo, G1, Bahia Notícias, Bahia Já, O Estado de São Paulo, A Tarde, Revista Veja e UOL.