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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Franceses veem o Brasil como “vergonha internacional”

                                        Landisvalth Lima
Os franceses disseram cobras e lagartos sobre o Brasil
Recebi um e-mail do meu colega de outrora e sempre, Josenilton, e resolvi aprofundar a questão indo até o portal da revista para ver qual a visão dos franceses sobre a atual situação em que vivemos. Fiquei boquiaberto. Sei que estamos no fundo do poço, mas a visão deles sobre nós é a pior possível. A edição da revista FRANCE FOOTBALL esta semana veio com a capa toda negra, onde se lê “Peur sur le Mondial”, algo como: “Medo do Mundial”, sendo que a letra “O” da palavra “Mondial” está a bandeira do Brasil, e onde deveria estar escrito “Ordem e Progresso”, foi colocada uma tarja negra. Veja foto nesta postagem. No subtítulo diz: Atingido por uma crise econômica e social, o Brasil está longe de ser aquele paraíso imaginado pela FIFA para organizar uma Copa do Mundo, a menos de 5 meses do mundial, o Brasil virou uma terrível fonte de angústia. Algumas afirmações são exageradas, mas outras são terrivelmente verdadeiras. Vejamos: a FIFA não pediu ao Brasil para sediar a Copa, foi o Brasil que procurou a FIFA e fez a proposta; a corrupção no Brasil é endêmica, do povo ao governo; a burocracia é cultural, tudo precisa ser carimbado, gerando milhões para os Cartórios; tudo se desenvolve a base de propinas; todo o alto escalão do governo Lula está preso por corrupção, mas os artistas e grande parte da população acham que eles são honestos, e fazem campanhas para recolher dinheiro para eles; hoje, tudo que acontece de errado no Brasil, a culpa é da FIFA, antes era dos EUA, já foi de Portugal, o brasileiro não tem culpa de nada; o brasileiro dá mais importância ao futebol do que à política; a carga tributária do Brasil é altíssima maior que a da França, e os serviços públicos são péssimos comparáveis aos do Congo; mas o Brasileiro médio pensa que ele mora na Suíça. Quem está lá, na verdade, é a FIFA; a FIFA, como imagem institucional, busca não associar-se a ditaduras. Tanto que excluiu a África do Sul na época do Apartheid e, ao contrário do COI, recusou a candidatura da China, apesar das ótimas condições que o país oferecia. Mas o Brasil, sede da Copa, vive um caso de amor com ditaduras; o Brasil pleiteava uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, para sentar-se ao lado França, mas devido ao seu alinhamento com ditaduras, a França já se manifestou contrariamente; a Presidente Brasileira parece estar alienada da realidade e diz que será o melhor mundial de todos os tempos, isso, melhor que o do Japão, dos EUA, da França, da Alemanha; só ela pensa assim, na FIFA se fala em maior erro estratégico da história da Instituição.
E não para por aí, não. A imagem do Brasil para os futebolistas franceses é a pior possível. Eles também não esqueceram as manifestações do ano passado. Disseram que os brasileiros saíram às ruas para manifestarem insatisfação. Pela primeira vez se viu um movimento assim num país acostumado à inércia, mas o governo disse que eles eram baderneiros e reprimiu o movimento com violência. Falam em 2 mortos, mais de 2000 feridos, mais de 2000 prisões e ninguém responsabilizado. Falam ainda que o Brasil foi o país que teve mais tempo na história de todos os mundiais para prepará-lo: 7 anos, mas o país é o mais atrasado. O Francês Jérome Valcke, secretário geral da FIFA, criticou o Brasil pelos atrasos. O governo brasileiro disse que não conversaria mais com Jérome Valcke. A França teve apenas 3 anos, e finalizou as obras 1 ano e 2 meses antes. A África do Sul teve 5 anos, e terminou com 5 meses de antecedência. A pouco mais de 3 meses da Copa, o Brasil ainda tem que fazer 15% do previsto. Eles também não esqueceram o valor das obras: o custo do “Stade de France” foi de 280 milhões de Euros (o mais caro da França), uma vergonha se comparado ao “Olimpiastadium” sede da final da Copa da Alemanha em 2006, que consumiu menos de 140 milhões de Euros. Mas perto do Brasil isso não é nada. Cada estádio custa em média muito mais de meio bilhão de Euros. E o dinheiro sai do bolso do Brasileiro. Tudo é financiado com recursos públicos. Na França tudo foi financiado com recursos privados. As empreiteiras ganham muito e há muita corrupção para beneficiar os políticos da base governamental. Na França, os Estádios são multi-uso, servem para competições olímpicas, jogos de Rugby, e são centro de lazer, com lojas, restaurantes e estacionamento nos outros dias da semana. No Brasil são usados só para jogos. Em Brasília estão construindo um Estádio para 68.000 pessoas, sendo que o time local está na quarta divisão do campeonato brasileiro e tem média de público de 600 pagantes. Tudo com financiamento público. Em São Paulo há 2 estádios, Morumbi e Pacaembu, ao invés de reformá-los, construíram um 3o. estádio, Itaquerão, 23 km do centro da cidade e sem metrô até lá. O ex-presidente Lula, torcedor do Corinthians, empenhou-se pessoalmente para que construíssem este estádio em vez de reformar um dos outros 2 já existentes. Exceto seus correligionários, ninguém acredita que Lula foi movido por amor ao “Timão”. Lula é amigo íntimo de Marcelo Bahia, Diretor da Odebrecht, vencedora da licitação. Um reforma custaria menos de 100 milhões de Euros, um novo estádio tinha previsão de custo inicial de 300 milhões de Euros (mas já passou de 500 milhões) um dos mais caros da história da humanidade. Lula e Marcelo são constantemente vistos em caríssimos restaurantes de Paris, tomando bons vinhos franceses.
E a questão da mobilidade urbana? Os franceses não iam deixar barato! E começam dizendo que a atual presidente Dilma Rousseff garantiu que faria um trem-bala, nos moldes do TGV Francês, que ligaria 4 cidades-sede: SP-RJ-BH-Brasilia. A promessa está gravada em redes sociais. Em 2009 foram aprovados 13 bilhões de Euros no PAC, uma soma gigantesca de dinheiro, suficiente para construir um TGV de Paris a Cabul, no Afeganistão. Nunca se viu um orçamento tão alto. Nada saiu do papel. Nenhuma das cidades-sede tem metrô até o Aeroporto. Para os taxistas não há cursos de inglês financiados pelo governo, mas para as prostitutas sim. Parece piada, mas é verdade: Metrôs não funcionam bem, não cobre nem 10% das cidades, ou simplesmente não existem. O sistema de ônibus é complicadíssimo e ineficiente. O aeroporto da maior cidade do país, São Paulo, tem uma capacidade de receber voos inferior ao Aeroporto da pequena cidade de Orly, no interior da França. Os preços de passagens de aviões dispararam. Por um trajeto de 400km chegam a cobrar 1.000 Euros durante a copa. Como o Brasil não tem infraestrutura, não aproveitará a alta demanda, devendo permitir que empresas aéreas estrangeiras atuem durante a Copa, o lucro virá para a Europa ou os EUA. Aluguel de carro é caríssimo, e, como disse um ex-presidente brasileiro, Fernando Collor, também afastado por corrupção, os carros brasileiros são carroças, sem os principais itens de segurança. Faixa de pedestre não serve para nada, não espere que os carros parem. Atropelam, matam e fogem. Apesar de o Brasil ser autossuficiente em petróleo e estar ao lado de países da OPEP, como Venezuela e Equador, a gasolina é uma das mais caras do mundo, e de péssima qualidade, misturada com etanol e solvente de borracha, não há fiscalização nos postos. Mas o Brasileiro defende o monopólio do petróleo. É o único país do mundo onde os consumidores acham que o monopólio é bom para o consumidor, e não para o monopolista.
A revista também dá uma porrada na questão dos serviços públicos e começa pela questão da saúde: nos últimos 10 anos o número de leitos em hospitais públicos caiu 15%; o Brasil precisa importar médicos de Cuba, já que não tem competência para formar médicos no próprio país. E ainda tiram o sarro dizendo: “Acreditem: há um programa governamental para isso”. O Brasil gasta apenas 4% do seu PIB com saúde, e 12% com pagamentos de funcionários públicos. Nos últimos anos o gasto com funcionários cresceu, e com saúde encolheu. A França gasta 12% com saúde e 4% com funcionalismo. Completam negativando a nossa imagem falando sobre a nossa capacidade de receber hóspedes: Paris é a cidade mais visitada do mundo, com quase 20 milhões de turistas/ano. São Paulo é menos visitada que a pequena Benidorm na Espanha, ou que a cinza Varsóvia, na Polônia, ou a poluída Chenzen na China. São Paulo perde para Buenos Aires, Cuzco e outras cidades Sul americanas. Amarga o posto 68 na lista das mais visitadas do mundo. No entanto, um hotel em São Paulo custa em média 40% mais do que se hospedar em um equivalente hotel em Paris. E ainda dizem: “Leve adaptador de tomada. O Brasil adotou um sistema que só existe no Brasil, e muda a cada 4 ou 5 anos, gerando milhões para algumas empresas.”. E nosso processo de telecomunicação? Eles não esqueceram: o minuto de celular mais caro do mundo. Na questão da segurança: no Brasil há mais assassinatos que na Palestina, no Afeganistão, Síria e no Iraque, juntos. Também há mais assassinatos aqui que em toda a AMÉRICA DO NORTE + EUROPA + JAPÃO + OCEANIA. A guerra do Vietnã matou 50.000 pessoas em 7 anos. No Brasil se mata a mesma quantidade em um ano. Ano passado foram 50.177 segundo o governo, segundo a ONGs superam 63.000 mortes. Todo brasileiro conheceu alguém que foi assassinado. E aí caem de pau na nossa Justiça: 1% dos casos resultam em prisão e este 1% não chega a cumprir 1/6 da pena, beneficiado por vantagens que se dão aos criminosos. Aconselham ainda que não levem o cartão consigo, você pode ser vítima de uma espécie de sequestro que só tem no Brasil: “Sequestro Relâmpago”. Não use relógios, máquinas fotográficas, celulares, pulseiras, brincos, colares, anéis, bolsas caras, bonés caros, óculos caros, tênis caro, etc. Vista-se da forma mais simples possível. Não ande pelas ruas após as 22hs. Só faça câmbio em bancos ou casas autorizadas. Existe uma grande quantidade de moeda falsa e estrangeiros são alvo fácil.
A revista, na conclusão, nos coloca ainda no subsolo do inimaginável. Diz que o que falta no Brasil é educação. Os números são assustadores, mesmo quando comparados com seus vizinhos sul americanos. O Brasil tem uma porcentagem de universitários menor que o Paraguai; a Argentina tem 5 prêmios Nobeis, a Colombia 3, o Chile 3, a Venezuela 1, a Colombia 4, e o Brasil não tem nada! E mais: entre as 300 melhores universidades do mundo, não tem nenhuma universidade brasileira, aqui há 33 milhões de analfabetos funcionais, sem esquecer que, no ano passado, surgiram 300 mil novos analfabetos. No ranking da ONU de 2012, o Brasil, que já estava mal colocado, caiu mais 3 posições, e hoje é o número 88 no mundo. A França é o quinto. Ao fim, eles afirmam que o Brasil é uma vergonha internacional, mas o brasileiro está muito feliz de ser pentacampeão de futebol. Nos corredores da FIFA já se admite que foi o maior erro da história da Instituição eleger o Brasil como sede. 
Não tenho nenhuma dúvida que nós nos vingaremos deles numa partida de futebol, já que eles não têm mais o Zidane. Mas minha preocupação não está nas afirmações exageradas. Está naquilo que é verdade. Combater os exageros e as mentiras é muito fácil. A questão é como vamos enfrentar a verdade real estampada em nossa cara? Que tal começarmos pela educação? Se nos dedicarmos à educação como nos dedicamos ao futebol, dentro de alguns anos os franceses da FRANCE FOOTBALL vão engolir cada palavra do que disse a nosso respeito. Mas, por enquanto, resta-nos baixar a cabeça e torcer para que, pelo menos no futebol, a gente olhe para eles de cima.