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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Extermínio em Poço Verde: TJ mantém acusado preso de testemunhas prestam depoimento

Cássia Santana – do portal INFONET
José Augusto continuará preso (foto: reprodução Rede Record)
O Tribunal de Justiça manteve a prisão de José Augusto Aurelino Batista, 40, acusado pelo assassinato do adolescente Jeferson Nascimento Santana, 16, crime ocorrido no dia 15 de novembro do ano passado na estrada que liga os municípios de Poço Verde e Simão Dias. Ele também é apontado como suspeito de integrar um grupo de extermínio com atuação no município de Poço Verde. O adolescente Jeferson Nascimento foi baleado no pé em Poço Verde e estava sendo transportado para um hospital em Aracaju, mas acabou executado no trajeto. Quatro homens encapuzados interceptaram a ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o executaram com cerca de 13 tiros, conforme consta nos autos.
José Augusto Aurelino foi preso no mês de abril deste ano no município de Paragominas, no Estado do Pará, apontado como principal suspeito de ser um dos quatro homens responsáveis pela execução do adolescente. A polícia sergipana também o aponta como integrante de um suposto grupo de extermínio que atuou no município de Poço Verde, responsável pela morte de pelo menos 17 adolescentes. Os processos judiciais tramitam separadamente porque os crimes ocorreram em datas e locais distintos, conforme entendimento da justiça. Pela morte do adolescente Jeferson Nascimento Santana, sete testemunhas já foram ouvidas, mas apenas José Augusto Aurelino Batista figura como réu. Ele já prestou depoimento em juízo e nega envolvimento neste crime, especificamente, e também naquele suposto grupo de extermínio denunciado pela deputada Ana Lúcia Menezes.
Audiência
Nesta terça-feira, 19, o réu acompanhou mais uma etapa da audiência de instrução e julgamento realizada no Fórum Gumersindo Bessa, em Aracaju. Para evitar tumultos, o juiz Antônio de Souza Martins, da Comarca de Poço Verde, por onde tramita o processo judicial optou por realizar a audiência na capital sergipana. Na audiência, foram ouvidas três testemunhas, inclusive o Capitão Santana, que chegou a ser preso como suspeito de envolvimento no grupo de extermínio. Mas o policial foi libertado por não haver provas contra o envolvimento dele nas mortes. O advogado Getúlio Sobral, que atua na defesa de Augusto Aurelino com a tese de negativa de autoria, garante que não há qualquer prova no processo que possa incriminar o cliente. “Até a população de Poço Verde clama por justiça pela soltura do réu”, observa o advogado, que luta pela revogação da prisão do acusado. O advogado, inclusive, já ingressou com novo habeas corpus pela revogação da prisão, alegando que há fatos novos que beneficiam a defesa. “Quando o novo habeas corpus for a julgamento, faremos a defesa oral porque temos argumento para colocá-lo em liberdade”, comenta o advogado.
A família acredita que há uma perseguição contra Augusto Aurelino. Na opinião da dona de casa Simone Souza, esposa do acusado, a perseguição vem da própria polícia devido ao envolvimento do marido em um homicídio que teve como vítima um policial militar, crime que teria ocorrido há cerca de uma década, segundo a dona de casa. Simone informou que o marido já cumpriu parte da sentença pela morte do policial e que estaria sendo beneficiado por progressão de pena. O advogado Getúlio Sobral informa que o cliente estaria cumprindo o restante da pena em casa, em regime aberto, se não fosse o mandado de prisão expedido contra Augusto Aurelino decorrente do processo judicial relativo à execução do adolescente.