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sábado, 30 de novembro de 2013

Era uma vez um partido, um coronel e seus vassalos...

                               Landisvalth Lima
No meu último livro, eu já previa a derrocada da esquerda
A prática de um gesto simples já é suficiente para termos um retrato do perfil psicológico de uma pessoa. Certa vez, aqui em Heliópolis, um político foi para o palanque pedir voto. A candidata era uma mulher e ele disparou: “Vou votar nela. É uma mulher, mas é direita!”. Não precisamos duvidar do preconceito velado do nosso ex-vereador. Outra vez, recebi um elogio de uma pessoa, quando me defendia de uma acusação de uma outra pessoa. “Ele é negro, mas é honesto!”. Coitado dos outros negros! Uso esses fatos para mostrar a derrocada do Partido dos Trabalhadores. O PT não precisará de nenhum adversário de alto calibre para perder a eleição que se avizinha. Todos os seus gestos, difundidos pela mídia, indicam que o partido abraçou descaradamente o uso do poder para continuar no poder. Mesmo os que estão esperneando, já decoram um “Sim, Senhor Companheiro”, que parece ser a senha da aceitação da condição de vassalos.
Fiz questão de armazenar todas as postagens do Bahia Notícias e do blog Por Escrito que trataram do tema. Ao lê-las, senti-me diante de um enredo de novela global com final feliz, ao estilo dos romances naturalistas de Aluísio Azevedo. Traduzindo: farsa, incoerência, jogo de cena. Vou mais fundo: Caetano e Gabrielli merecem o troféu “Cara de Pau do Ano”. Só Pinheiro saiu verdadeiramente magoado, mas não fez o que deveria ter feito para salvar o PT. O quê? Mandar o governador dar-se ao respeito. Escolher candidato do bolso do colete era coisa de ACM, o coronel cabeça-branca que tanto o PT demonizou. Agora, o cabeça-branca, com estrela vermelha cravada no peito, quer se eternizar no poder. Disse que queria o secretário estadual da Casa Civil, Rui Costa, e o PT baixou a cabeça ao coronel Jaques Wagner. E foi o escolhido que saiu com essa, reparem: “Foi um processo com a riqueza e energia do PT. A política no PT não é feita só com razão e argumentos; é feita com emoção. Quando decide, todos saem juntos, unidos, para conseguir o objetivo comum”. Nunca vi algo tão decorado e fora do contexto. Seria melhor que ele dissesse que, como Lula tirou Dilma do bolso do paletó e todo mundo engoliu, o governador Jaques Wagner indicou Rui Costa e todo mundo também vai ter que engolir.  Incrível foi o que Rui Costa disse, tentando explicar o descontentamento do senador petista: “Pinheiro tem uma trajetória parecida com a minha, inclusive nasceu na mesma região da cidade. Ele se sentirá extremamente feliz em ajudar a vitória do PT em 2014 na Bahia”. Meu Deus! É fascismo demais para o meu gosto. É só olhar para a trajetória política de ambos que todos entenderemos porque o governador jamais escolheria Pinheiro.
Falácia pastelã foram as afirmações do governador: “Quem decidiu foi o diretório. Apenas emiti minha opinião”, declarou o petista ao Bahia Notícias, ao chegar na noite da sexta-feira (29) no Hotel Fiesta, para participar da plenária do ex-prefeito de Camaçari Luiz Caetano, que anunciou sua candidatura a deputado federal no pleito do próximo ano. Ele só perde em desfaçatez para o seu indicado. A indicação de Rui Costa estava em resolução lida pelo presidente estadual da sigla. “O diretório estadual instalou em fevereiro de 2013 o processo de discussão do petista para a chapa ao governo, sendo apresentados quatro nomes. Foi pactuado que buscaríamos o consenso. Foram realizados encontros regionais, além de plenárias e reuniões internas para discutir táticas.  Face o exposto, o diretório estadual, avaliando manifestações ocorridas, assim como o diálogo com o governador e lideranças nacionais, resolve: item 1: indicar o nome do companheiro Rui Costa como nome petista ao governo do Estado, liderando a coalizão de forças de sustentação ao governo estadual”, leu Jonas Paulo. Em seguida, o texto foi votado e Rui, escolhido candidato. Em discurso feito antes de ser anunciado como nome oficial da sigla para concorrer, carregado de imagens construídas para disfarçar o mandonismo, o chefe da Casa Civil apostou na vitória petista no pleito de 2014. “Ciente da responsabilidade que isso significa, quero dizer de forma tranquila e confiante: o partido vai ganhar as eleições de 2014. Não tenho a menor dúvida disso. Não afirmo como força de retórica, de discurso, mas porque o nosso projeto tem o reconhecimento do povo da Bahia”, disse. O reconhecimento está nos índices de aprovação de Jaques Wagner e no percentual de aceitação do escolhido, até aqui. Vai ter que repetir a mentira mil vezes. Mas ele foi mais adiante e disse que a política será feita sob um questionamento: “Quem é que pode fazer mais pelos baianos?” “Todos eles, inclusive os servidores, na minha opinião, não terão outra resposta a dizer do que ‘é essa turma do PT que governou até aqui, porque fizeram muito mais do que foi feito em décadas’”. Se fosse no Facebook, eu soltaria centenas de K´s. E eu não preciso aqui falar da greve de mais de 100 dias dos professores, da greve da PM, dos índices alarmantes da segurança pública, da surra que o governo recebeu da longa estiagem etc, etc, etc, etc. Só para não dizer que fiquei no passado recente, a turma terceirizada, fruto de uma prática tão combatida pelos petistas no passado, amarga atrasos de 4 meses de salário. O PT de Wagner não quer nem ouvir falar do fim da terceirização, mas pode dizimar os terceirizados... de fome!
E os outros três pretendentes, o que farão? Romper com o partido? Cruzar os braços? O ex-prefeito de Camaçari e ex-presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Luiz Caetano, como era esperado, decidiu seu destino político nesta sexta-feira (29). Vai sair a deputado federal. E disse: “O PT saiu unido, em tempo de se organizar”, avaliou. De acordo com o petista, o "Encontro com Caetano" ter ocorrido depois da escolha de Rui foi uma mera “coincidência”. É verdade. Nada no PT é planejado. Prova é que o secretário de Planejamento da Bahia (Seplan), José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, fez um pronunciamento mais burocrático. Disse o que Wagner diria: “O partido está unificado e fez uma escolha que reafirma a importância do PT na decisão”. Segundo Gabrielli, a escolha de Rui é importante por ser, dos quatro pré-candidatos, “o nome que agrega mais”. Agregar mais significa ser o nome indicado pelo governador. Há um dia, o ex-presidente da Petrobras chegou a dizer que a sigla "corria o risco de ser derrotada" no pleito de 2014, minutos depois de saber que o governador Jaques Wagner havia manifestado sua preferência por Rui Costa. Já o senador Walter Pinheiro disse acatar a decisão da sigla. No entanto, o parlamentar não pareceu satisfeito com a resolução. “Foi uma decisão do partido. Não me sinto derrotado e abraço essa decisão enquanto senador o PT. Não houve consenso, mantivemos nossa candidatura; porém o diretório fez sua escolha, chamando pra si também a responsabilidade. Se ontem o governador me tirou da lista dele, hoje o diretório me tira da lista do PT”, declarou. Pinheiro não ficou para a festa do partido e saiu do evento depois da indicação de Rui Costa como candidato. Ou seja, vai apoiar institucionalmente e guardará as ferramentas de guerreio em casa. Quase todos torciam contra Pinheiro: o PT, por ser ele um quadro sério e competente; e o pessoal da oposição. Ao final, um discurso que oscila entre a vassalagem e o compromisso: “A partir de agora, vou me integrar totalmente na campanha da nossa frente, da nossa aliança, para a gente fazer a sucessão do companheiro Jaques Wagner, para fazer na Bahia a reeleição da companheira Dilma e eleger a maior bancada de deputados estaduais e deputados federais”, finalizou.
 Se alguém tem dúvida da derrocada do PT, é só ver o comportamento do partido diante da sentença dos mensaleiros ou prestar um pouco de atenção ao que está acontecendo nos estados. Vou lá para o Maranhã de Sarney e Roseana. Na rodada de negociações com o PMDB para assegurar apoio nos estados para a reeleição da presidente Dilma Rousseff, o PT indicou neste sábado (30) que deve apoiar a família Sarney em detrimento da candidatura de Flavio Dino (PCdoB) ao governo do Maranhão. Segundo informações da Folha, a decisão foi anunciada pelo presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), que considerou este o único entendimento da reunião de Dilma e do ex-presidente Lula com peemedebistas na Granja do Torto. Rifaram o PCdoB, seguidor do PT por décadas, no único lugar onde os comunistas pediram reciprocidade. Precisa de mais algo para saber que a única coisa que o PT transformou neste país foi seu próprio modo de ser. Enterrou o sonho da social democracia para ter. Ter sempre. Não quer largar o osso porque sabe que perdendo não voltará tão cedo. Para ganhar, aposta nos métodos mais escusos. Tudo como antes na Velha República. Parece mesmo enredo de uma saga. Eu poderia até começar assim: Era uma vez um Partido dos Trabalhadores do Brasil...

Com apoio em informações do Bahia Notícias, Por Escrito e Folha de São Paulo.