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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Os últimos momentos de Marcos Matsunaga - executivo da Yoki


DARIO DE NEGREIROS – da Folha de São Paulo
Elize Matsunaga, 38, chega ao DHPP (departamento
de homicídios) para prestar depoimento sobre a
morte do marido Marcos Matsunaga,
42, executivo da Yoki  (foto: 
Diogo Moreira)

A polícia divulgou na noite desta quarta-feira as imagens de câmeras de segurança do prédio onde o executivo da Yoki Marcos Kitano Matsunaga, 42, morava com a mulher, Elize Matsunaga, 38. Elas foram os principais indícios que levantaram a suspeita sobre a participação de Elize, que acabou confessando nesta quarta ter matado o marido. As imagens mostram, no sábado (19 de maio), o casal, a filha e uma babá chegarem ao apartamento por volta das 18h30. A babá, dispensada, foi embora logo em seguida. Cerca de uma hora depois, Matsunaga desce até a portaria para pegar uma pizza. Ele estava com a mesma roupa --uma camisa marrom-- encontrada pela polícia nos locais onde pedaços de seu corpo foram deixados. Às 5h de domingo (20), a babá chega ao apartamento --onde tem acesso limitado, não podendo circular por todos os cômodos. Por volta das 11h30, Elize desce até a garagem, pelo elevador de serviço, com as três que teriam sido usadas para transportar. Às 23h50, ela retorna, já sem as malas.
CONFISSÃO
Segundo a polícia, ela disse em seu depoimento --que durou oito horas-- ter usado uma pistola automática calibre 380. O tiro foi disparado na sala, após uma discussão conjugal por conta de uma traição que teria sido descoberta por ela. A mulher revelou também que a arma não estava entre as que foram entregues para a Guarda Municipal de Cotia destruir --Matsunaga era colecionador de armas. Elize disse que guardou a pistola em uma gaveta do apartamento onde eles moravam, na Vila Leopoldina (zona oeste) --a arma já foi apreendida e encaminhada para a perícia. O casal fazia curso de tiro e ela era considerada uma boa atiradora Após o disparo, que atingiu o lado esquerdo da cabeça de Marcos, Elize disse ter levado o corpo para um quarto do imóvel e ter aguardado cerca de 10 horas antes de começar a cortar seu corpo no banheiro da empregada. Os vestígios de sangue foram limpos depois. Conhecedora de anatomia - é técnica de enfermagem e trabalhou em um centro cirúrgico -, ela disse ter usado uma faca com lâmina de 30 cm para cortar os braços, pernas, tronco e a cabeça do executivo. Após o trabalho, que durou cerca de quatro horas, ela embalou os pedaços em sacos plásticos azuis.
PERÍCIA
O delegado Jorge Carrasco, chefe do DHPP (departamento de homicídios), disse que será feita uma nova perícia no imóvel do casal, que é composto de duas coberturas e tem cerca de 500 m². Na primeira análise, a polícia disse não ter encontrado muitos vestígios de sangue, o que levantou a suspeita de que ele tivesse sido esquartejado em outro local. Agora serão aplicados reagentes nos locais indicados no depoimento da mulher. Também será feita uma reconstituição do crime com a presença dela, mas a polícia ainda não sabe a data. "Não tenho dúvidas da autoria e da materialidade e acredito que ela agiu sozinha realmente. Não houve premeditação, eu acredito que foi uma briga", disse Carrasco.
COLCHÃO
Elize também revelou em seu depoimento que, após cometer o crime, doou o colchão onde o casal dormia para uma babá. A polícia chegou a examinar o colchão, mas não identificou vestígios de sangue. O casal tinha três empregadas: uma doméstica e duas babás. Elas não tinham acesso a todos os cômodos do apartamento, segundo a polícia. Segundo o delegado Carrasco, Elize não disse em seu depoimento se estava arrependida pelo crime. Bacharel em direito, ela é beneficiária de um seguro de vida feito recentemente pelo executivo, no valor de R$ 600 mil. Elize foi presa na noite de segunda-feira (4) e passou a noite de hoje em um presídio feminino em Itapevi (Grande SP), para onde deve voltar. Segundo a polícia, ele teve a prisão prorrogada pela Justiça por mais 15 dias. "A família se sente reconfortada com a confissão e com o trabalho da polícia. A família está absolutamente chocada, é um grande desastre familiar", disse o advogado Luiz Flávio Borges D'Urso, contratado pela família da vítima.