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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Presídio em Sergipe é tomado por detentos


     Por Janaina de Oliveira, Kátia Susanna (texto e fotos) com colaboração de Raquel Almeida – do Portal INFONET
Parentes esperam aflitos fora do presídio
     Detentos estão com três escopetas, facas e um rádio da polícia
Detentos do Complexo Penitenciário Advogado Antônio Jacinto Filho, no Bairro Santa Maria, se rebelaram desde às 13h deste domingo, 15. Três agentes penitenciários foram feitos reféns e muitas mulheres e crianças se encontram junto aos presos por conta do dia de visita, que não foi encerrado. Segundo informações da polícia o presídio abriga 476 presos.
Segundo informações da população local, domingo é dia de visita no presídio até às 15h. Como a rebelião aconteceu antes disso, as pessoas que estavam lá dentro também ficaram presas. A polícia informou que existem mais de 100 visitantes dentro do presídio no momento.
Após negociações iniciais, com o capitão Marcos Carvalho, do Núcleo de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar, os detentos pediram a presença da imprensa. “Eles demonstraram tranquilidade e aptidão para negociação, a gente quer conversar na boa e resolver tudo, a gente ainda não sabe o que eles querem, mas eles pediram a presença da imprensa para começar a falar”, contou Marcos Carvalho, durante as primeiras horas do conflito. Somente a equipe de uma TV e do Portal Infonet tiveram acesso ao presídio nesta tarde.
Parentes dos detentos se desesperam do lado externo do presídio
Parentes dos detentos que se encontravam no lado externo do presídio não paravam de chegar desesperados. E contavam o quanto era humilhante ser revistados em dias de visitas. “Eles estão pedindo melhores condições e que tratem melhor as famílias dos detentos, eles nos humilham muito quando precisamos entrar para ver os detentos”, contou o pai de um dos detentos, que não quis se identificar.
Negociações
As negociações aconteceram durante toda a tarde e se estenderam durante a noite deste domingo, 15. Quem estava fazendo a comunicação era um detento vestido de amarelo, identificado pelos agentes locais como Jason.
A comunicação acontecia através de um rádio da polícia cedido ao prisioneiro. Com os detentos estava, além do rádio, um teaser, que é um arma utilizada pela polícia para dar choques elétricos, três escopetas e várias facas adquiridas na cozinha do presídio.
Marcos Carvalho tentando negociação com os presos
Promotor tenta negociação com os rebelados
No momento da comunicação um dos agentes, que estava refém, permanecia de joelhos e era constantemente ameaçado por um prisioneiro que apontava uma faca para o pescoço do agente.
O promotor de Justiça Luiz Claudio Almeida dos Santos, da 7ª vara criminal, também acompanhou as negociações e ouviu as primeiras solicitações dos presos, que foram: mudança na direção do presídio, mudança de alguns agentes, melhor tratamento para mulheres e crianças que visitam os detentos, isolamento somente para presos sentenciados e presença de representantes dos Direitos Humanos, da OAB e de um juiz corregedor durante as negociações.
“Eles pediram para ver alguns representantes de algumas entidades e fizeram algumas reinvindicações, mas não tem nada concreto ainda. A maior dificuldade em lidar com eles é porque parece que tem vários líderes lá dentro, não dá pra saber com quem negociar” conta Luiz Claudio.
Agente refém ajoelhado é ameaçado
Durante as negociações, os três agentes foram apresentados. Eles estavam aparentemente bem e não tinham nenhum ferimento exposto.
Rebelião
Os presos estavam pedindo por melhores condições e gritavam que não queriam mais ser espancados. Uma pichação na parede dizia: queremos mais respeito. Eles disseram para os negociadores da operação que portavam uma lista com os nomes dos agentes que realizavam agressões. A assessoria de comunicação do presídio nega que exista qualquer tipo de agressão dentro do presídio.
A rebelião já dura mais de 8h, os presos são vistos andando nos vãos do presídio e ate sobre o teto do local. O negociador Marcos Carvalho se prepara para passar a noite conversando com os detentos.
Negociações com presos foram suspensas. Situação no Complexo ainda é tensa e nenhum refém foi solto. Presos continuam com reféns
Por volta de 1h da madrugada desta segunda, 16, a comissão que está negociando com os presos responsáveis pela rebelião deixou o Complexo Penitenciário Advogado Antônio Jacinto Filho, no Bairro Santa Maria. Eles informaram que os detentos estão irredutíveis quanto a liberação dos três agentes penitenciários, que foram feitos de reféns, e que as conversas foram suspensas por algumas horas.
Comandaram as negociações o capitão Marco Carvalho, do Núcleo de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar; o promotor de Justiça Luiz Claudio Almeida dos Santos, da 7ª vara criminal; o juiz da Vara de Execuções Hélio Mesquita; o secretário de Justiça Benedito Figueiredo e Luiz Eduardo Oliva, secretário dos Direitos Humanos. Desde o início da noite de domingo, esta comissão tenta acordo com os presos para conseguir a soltura dos agentes e familiares que estão dentro do presídio.
De acordo com Luiz Eduardo Oliva, os presos enumeraram doze solicitações e sete delas tem a possibilidade de serem acordadas. Para esta negociação, os detentos também solicitaram um advogado e tiveram a reivindicação atendida. Muitas das solicitações têm haver com melhores condições de vida no local e melhor tratamento à família do detento em dias de visitas. "A conversa foi relativamente boa, mas houve dificuldades de eles cederam. Pelo menos está consentido da parte deles que a integridade física dos agentes será prevalecida até amanhã quando recomeçam as negociações" conta o secretário.
O promotor Luiz Claudio também comentou sobre as negociações e diz esperar bom senso dos detentos daqui pra frente. “O que nos tentamos fazer aqui é dar garantia aos presos de que o que foi acordado será comprido e também garantir a integridade física dos agentes reféns. Agora nós esperamos um gesto de boa vontade por parte dos presos, que eles soltem os reféns e os seus próprios familiares", diz o promotor.
Segundo José Romilson Meneses, advogado solicitado pelos presos, uma carta foi escrita pelos detentos e tal carta foi apresentada durante as negociações. No documento estão exigências, tais como, preservação de integridade física, melhores condições na área de visitas, maior extensão de tempo para visita íntima, permissão de entrada para cigarro, dentre outras coisas.
Segundo informações de Marco Carvalho, que está negociando diretamente com os detentos desde o início da rebelião, os familiares dos presos estão dentro do presídio por vontade própria. Ainda segundo o capitão houve um possível desentendimento entre os presos. "Alguns colocaram fogo em uma cela, com o intuo de chamar atenção, e pelo que soubemos tinham dois presos nesta cela, o corpo de bombeiros foi acionado e apagou o pequeno incêndio, mas outros não gostaram de ter o fogo apagado”, diz o capitão, que deixou escapar que a água foi suspensa no local.
Desde o início da noite a polícia cercou o local, familiares e a imprensa não podem adentrar no complexo penitenciário. Neste momento, diversos presos estão em cima do telhado do presídio, alguns quebram coisas e se comunicam com familiares que permanecem no lado externo do complexo.
Agente é torturado, apanha e pede socorro. Ele foi enrolado com um colchão e espancado pelos detentos
Hora em que o agente é torturados pelos presos
Uma cena de terror. Um agente penitenciário ainda não identificado foi torturado, ameaçado de morte e asfixiado pelos detentos que permanecem rebelados desde o último domingo, 15, no Complexo Penitenciário Advogado Antônio Jacinto Filho. Toda a cena foi presenciada por familiares e colegas de trabalho.
Descontrolado, os presos iniciaram uma sessão de espancamento e os gritos do agente pedindo socorro causou uma comoção entre os colegas de trabalho que acompanham tudo de perto. “Eles vão matar ele”, disse desesperado um agente.
Por volta das 10h um agente identificado como Gilmar Júnior foi liberado e encaminhado para atendimento médico. De acordo com a polícia, o agente está em estado de choque e não consegue falar sobre a rebelião.
O defensor público, Daniel Nunes, esteve no presídio e disse que as negociações estão sendo realizadas, mas não existem informações sobre presos feridos. Ainda de acordo com o defensor público as principais reivindicações dos presos são as denúncias de maus tratos e a falta de preparo dos agentes durante a revista íntima.
O secretário adjunto da Secretaria da Segurança Pública (SSP), João Batista Santos Júnior, disse que toda a situação está sendo acompanhada de perto cúpula da SSP e que aguarda as negociações com os presos para se pronunciar sobre o assunto.
Integrantes do PCC comandam rebelião em presídio. Jason e Bruno Diego são apontados como lideres da rebelião. Detentos permanecem rebelados
A maior rebelião do sistema prisional sergipano dessa década - é o que afirma os próprios agentes penintenciários - já dura quase 24 horas de negociação intensa entre representantes da Secretaria da Segurança Pública (SSP) e detentos que estão irredutíveis quanto a paralisar o movimento que foi iniciado na tarde de domingo, 15, no Complexo Penitenciário Advogado Antônio Jacinto Filho, localizado no bairro Santa Maria. Desde as primeiras horas a equipe do Portal Infonet acompanha as negociações que durante a madrugada e manhã desta segunda-feira, 16, não avançaram.
O presidente do Sindicato dos Terceirizados dos Agentes de Disciplina Penitenciária do Estado de Sergipe (Sintradispen), Antonio Luiz Oliveira, conversou com a equipe da Infonet e mostrou preocupação quanto a integridade física dos três agentes identificados apenas como Elvio, Gilmar e Domingos que são mantidos reféns.
De acordo com Antonio Luiz, os principais integrantes da rebelião pertencem ao Primeiro Comando da Capital (PCC) organização criminosa que iniciou suas ações em São Paulo. Os homens são conhecidos como Jason e Bruno Daniel. Segundos os agentes os dois criminosos são frios, perigosos e estão fortemente armados com escopetas e facas, existe ainda a informação de que eles estão portando um revólver calibre 12.
“Os nossos companheiros estão apanhando muito e sendo ameaçados a todo tempo. Eles estão torturando eles e com certeza correm risco de morrer a qualquer instante”, desabafa. A rebelião permanece e o Portal Infonet acompanha todos os detalhes.
A cobertura total está sendo feita pelo portal www.infonet.com.br.