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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A triste história de um professor e de um país


Recebi um e-mail e resolvi fazer este artigo com seu conteúdo. O caso se passa no Rio Grande do Sul. O nome dele é Maurício Girardi. Físico. Pela manhã é vice-diretor no Colégio Estadual Piratini, em Porto Alegre, onde à noite leciona a disciplina de Física para os três anos do Ensino Médio. Uma noite, estava ele dando aula para uma turma de segundo ano. Apareceu uma destas alunas que resolvem aparecer de vez em quando para justificar que está matriculada. Por três vezes Maurício teve que pedir licença a mocinha para poder explicar o conteúdo. Após os insistentes pedidos, toca o celular da aluna interrompendo todo um processo de desenvolvimento de uma ideia e prejudicando o andamento da aula. O professor, ainda pacientemente, pediu que procurasse outro local, que fizesse um curso à distância ou coisa do gênero, pois ali naquela sala estavam pessoas que queriam aprender e que o Colégio era um local onde se vai para estudar. Então, a aluna quis argumentar, mas o professor disse que não discutiria mais com ela. Neste momento tocou o sinal e Maurício foi para a troca de turma. A menina resolveu ir embora e desceu as escadas chorando por ter sido repreendida na frente de colegas. De casa, sua mãe ligou para a Escola e falou com o vice-diretor da noite, relatando que tinha conhecidos influentes em Porto Alegre e que aquilo não ficaria assim. Sem mesmo ouvir a versão do professor, a mãe deu queixa na Polícia Civil. O professor teve que comparecer a Oitava Delegacia de Polícia de Porto Alegre para prestar esclarecimentos por ter constrangido uma adolescente de 17 anos. 
O Estado vai perder mais um professor. Ele terá outras opções de emprego e a educação perderá mais um bom profissional. Está claro que no Brasil não precisamos de professores, de educação. Adoramos ver Ronaldinho Gaúcho ganhando 1 milhão e quatrocentos mil mensais e ainda receber homenagem da Academia Brasileira de Letras.  Vibramos com a eleição do palhaço Tiririca, que recebe uns 26 mil mensais, mas ninguém o contrata para ensinar uma criança. E é bom lembrar que ele é membros da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Só com o salário dele dá para pagar uns 30 professores. Qualquer funcionário de uma empresa de porte médio, como a Sadia, por exemplo, ganha o salário de um professor. Para isso, só precisa ter o ensino fundamental! Agora, com o novo piso, a lista de Estados e municípios que não cumprem a Lei deve aumentar. Também, quem mandou aprender a ensinar coisas inúteis como ler, escrever, pensar para poder formar cidadãos produtivos?
Sugerimos mudar a grade curricular das escolas: Trocar a educação física pelo futebol, a música pelo pagode, a história pela biografia dos participantes do Big Brother, a matemática pela corrupção, a arte pela sexualidade e o cálculo pelas propinas e vantagens. Para que Português, Literatura, Física, Química, Biologia, Filosofia, Arte? Reparem como valorizamos as coisas importantes (base salarial do Rio de Janeiro): Policial do BOPE, para arriscar a vida – 2.260,00. Bombeiros, para salvar vidas – 960,00. Professor – para preparar para a vida – 728,00. Médico, para manter a vida – 1.260,00. Deputado Federal em Brasília, para ferrar a vida da gente – 26.700,00. Juiz, para julgar a vida da gente – 26.700,00. Prefeito, que não administra nada – 9.000,00. Vereador, que não faz nada – 3.000,00. E olhem que ainda teremos políticos que dirão ao longo desta semana que não poderão pagar o novo piso aos professores por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal! Usam uma Lei para não cumprir a outra! Eita Brasil complicado! 
     Com a colaboração de Léssia Levine.