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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Exército entra em confronto contra grevistas da PM


     FÁBIO GUIBU e GRACILIANO ROCHA – da FOLHA DE SÃO PAULO
Manifestante atingido por bala de borracha. (foto: Raul Spinassa. A Tarde)
     Bombas de efeito moral foram lançadas na manhã desta segunda-feira pelos soldados do Exército em frente à Assembleia Legislativa da Bahia, onde estão os policiais militares em greve, em Salvador. Houve disparos de armas com balas de borracha. Há pelo menos dois manifestantes feridos, além de um cinegrafista de uma TV. A ação aconteceu porque um grupo de policiais grevistas que está do lado de fora da Assembleia se aproximou do cordão de isolamento feito pelas tropas federais que cercam o prédio do Legislativo baiano. Os manifestantes passaram a jogar garrafas de água nos soldados. Nesse momento, a Polícia do Exército enviou reforço para o ponto onde os grevistas se concentravam e reagiu. Mais cedo, outros tumultos também foram registrados em frente ao prédio. Há cerca de mil soldados do Exército no entorno da Assembleia desde as 5h de hoje. Depois da ação, grevistas que estão do lado de fora do prédio formaram um círculo num terreno ao lado da Casa Legislativa. Após o confronto, helicóptero do Exército passou a fazer voos rasantes no local.
     TUMULTOS
Polícia do Exército ocupa a Assembleia Legislativa (foto: Fábio Isamo Guibu. Folhapress) 

     Mais cedo, aconteceram outros focos de tumulto no local. Um deles começou quando alguns familiares e PMs que estão do lado de fora da Assembleia tentaram invadir o prédio cercado. Eles foram contidos por homens do Exército, que dispararam balas de borrachas no chão. Em seguida, houve um novo princípio de tumulto, quando homens da Força Nacional imobilizaram um soldado da PM do lado de fora da Assembleia sob suspeita de estar portando arma. Outros policiais reagiram e houve disparo de balas de borracha e gás pimenta para a dispersão do grupo. Após a revista, foi constatado que o PM não estava armado. No começo da manhã, um policial militar furou o cerco montado por homens do Exército e da Força Nacional ao redor da Assembleia e se juntou aos grevistas. Ele foi perseguido por um policial da Força Nacional, que desistiu ao perceber um grupo de PMs saudar o colega.
     CERCO
Os policias e bombeiros estão amotinados na Assembleia Legislativa. (foto:Moacyr Lopes Junior. Folhapress)
     Segundo o Exército e a Força Nacional, o objetivo do cerco é prender policiais militares que tiveram mandado de prisão decretado pela Justiça. Segundo a Segurança Pública da Bahia, os PMs com mandado são líderes do movimento e teriam praticado atos de vandalismo. Ontem (5), foi preso um dos 12 policiais militares grevistas que tiveram a prisão decretada. Segundo a secretaria, ele é acusado de formação de quadrilha e roubo de um carro da corporação. Ele é lotado na Coppa (Companhia de Policiamento de Proteção Ambiental) e foi preso pelo comandante da companhia. Além de responder pelos crimes, o policial vai passar por um processo administrativo na própria corporação.
     ANISTIA
     O governador, Jaques Wagner (PT), disse que os métodos usados por uma parte dos grevistas da Polícia Militar do Estado são "coisa de bandido", e acrescentou que não vai ter negociação e anistia a esses policiais. O governador apontou o envolvimento de policiais em tomadas de ônibus para bloquear vias e a alguns dos assassinatos nos últimos dias. Desde o início da greve, na noite de terça-feira (31), 93 homicídios foram registrados na região metropolitana. O governador afirmou que a greve na Bahia está sendo orquestrada nacionalmente para pressionar a aprovação da PEC-300, a proposta de emenda constitucional que cria um piso nacional para os policiais.